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The Black Keys – Turn Blue (2014)

cover Ah, o amor, a psicodelia, o fuzz, a ironia…

Por Lucas Scaliza

Talvez você conheça o The Black Keys por dois motivos: primeiro por conta de El Camino, ótimo álbum que lançaram em 2011 e os catapultou ao sucesso, mas não ao mainstream. Eles se mantêm uma banda indie, mesmo tendo ganho o Grammy de Melhor Álbum de Rock. E, segundo, pelas trocas de declarações polêmicas envolvendo o Black Keys e gente como o Nickelback, Justin Bieber, Jack White, entre outros. Mas encaremos os fatos: as declarações deles (e sobre eles) só ganham repercussão porque a música que criam é muito boa. Pelo menos é assim com El Camino.

E agora com Turn Blue não é preciso esperar para saber que fizeram mais um álbum interessante, bonito e o que é melhor, sem repetir muitas fórmulas. “Weight of Love”, a faixa que abre o disco, já é prova disso: um clima pinkfloydiano, solos de bom gosto que abusam do efeito fuzz, uma boa letra e espaço para que os instrumentos chamem a sua intenção. É a melhor música do disco e talvez uma das candidatas a melhor do ano.

De forma geral, o duo formado por Dan Auerbach (guitarra e vocal) e Patrick Carney (bateria) não segue o rock setentista do álbum anterior, mas abraçam um pouco da psicodelia com ajuda do produtor Danger Mouse e entregam um disco bem diversificado, com foco nas canções. Não há tantos riffs de guitarra como anteriormente, mas há uma produção muito mais esmerada e arranjos de teclado e sintetizadores bastante interessantes. A dupla de Ohio não se acomodou e lançou um dos discos mais legais do ano até agora.

blackkeys sofa

Turn Blue tem algo de anos 70 (como a faixa-título), algo de irônico (como mostra a canção “Fever” e seu clipe), algo de viajante (“Bullet In The Brain”), algo de romântico (“Waiting On Words”), algo dançante (como “10 Lovers”, uma de minhas preferidas) e algo de divertido (“Got To Get Away”). E há ainda “In Our Prime”, outro petardo de Turn Blue com boa letra, bela melodia, boas mudanças rítmicas e bons arranjos.

Turn Blue é melhor que El Camino? Depende de sua preferência musical. Enquanto este é mais roqueiro, aquele surge agora como sopro de novas experiências para o Black Keys e uma produção de arranjos e gravação bastante superior a tudo que a dupla tem na discografia. Eu, particularmente, espero que a banda cresça com este novo álbum, porque merecem ser reconhecidos por sua música mais do que pelas polêmicas de tabloide, seja por declarações duras feitas por eles ou por outros sobre eles.

24 comentários em “The Black Keys – Turn Blue (2014)

  1. Digo que, El Camino, para ouvintes casuais de rock como eu, foi o melhor álbum desse gênero lançado nos anos 2000. Turn Blue eu ainda não tinha ouvido. Depois de ler o post fui em busca. Estou ouvindo agora e até o momento não pretendo pausar. Bom demais 🙂

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