2014 Nacional Resenhas Rock

Skank – Velocia (2014)

Skank, após seis anos, retorna com novo álbum. Queria voltar às origens, mas voltou a si próprio

Por brunochair

O Skank voltou. Depois de um período de seis anos sem lançar álbum com músicas inéditas, os mineiros voltaram com o Velocia. Samuel Rosa, por exemplo, deu algumas entrevistas neste hiato comentando que a banda precisava desta parada para reavaliar a carreira. Tanto em relação a um possível desgaste da rotina da banda (shows, gravação em estúdios) quanto da própria inspiração.

A pausa para reflexões durou, portanto, seis anos. E o Velocia, conforme divulgado nas mídias sociais pelos integrantes, prevê (previa) um retorno às origens do Skank. Um álbum mais parecido com o Calango e Samba Poconé, álbuns que o Skank lançou na década de 90 e que são, talvez, os álbuns mais marcantes da carreira deles.

Para tanto, o Skank correu atrás do produtor desses dois álbuns antigos da banda, Dudu Marote. A imagem que se vendia deste Velocia era que ele soaria mais como um álbum de reggae do que de rock (como o Maquinarama) ou Pop (como os imediatamente antecessores ao atual).

Pelo que se ouve, o resultado não é bem este. No fim das contas, Velocia é o resultado de tudo o que o Skank já passou, no que se refere a influências. Tem reggae, mas tem rock também, e tem muito pop. Tem também parcerias com BNegão (“Multidão”), com Emicida (“Rio Beatiful” e “Tudo isso”), com Lia Paris (“Aniversário”) cantora expoente da nova cena paulistana. Tem Nando Reis aos baldes, dividindo a composição com Samuel Rosa em seis letras e participando nos vocais em três delas (“Alexia”, “Périplo” e “Galápagos”).

Aliás, a grande música do álbum é justamente a primeira. “Alexia” foi feita em homenagem a jogadora de futebol do Barcelona. Ela fez um golaço contra o Zaragoza em uma final da Copa do Rei (ou seria Copa da Rainha?) espanhola. O vídeo com o gol rodou o mundo, e virou inspiração para música do Skank:

A música começa com bateria e uma linha interessante de baixo, depois entra guitarra e uma espécie de flauta. Um ritmo gostoso, que continua por toda a música. A letra compara Alexia a grandes astros como Hendrix, Messi, Elvis. “Menina mulher da pele branca / Com a classe de quem sabe a arte de jogar bem futebol / A bela da tarde com charme encanta / Filme de Buñuel, obra de Gaudi ou tela de Miró”.

Uma música que foge dos padrões Skank e que (estupidamente) foi relacionada pela crítica àquela “É uma partida de futebol”. A única relação entre as duas músicas é o futebol. São contextos e propostas completamente distintas.

O restante das músicas soa muito parecido com o que o Skank já produziu. Se o hiato da banda poderia ter servido como fonte de inspiração, renovação de ideias, então não deu muito certo. A banda continua criando canções com poder comercial, para tocar nas rádios de todo o país. Mas, inovação mesmo, há muito pouco. Se você gosta do Skank enquanto banda de rádio, saiba que eles vão voltar a tocar muito, pois há pelo menos umas quatro bem fortes neste sentido.

Melhores músicas, seguindo uma escolha boa música/inovadora – “Alexia”, “Périplo”, “Rio Beautiful” e “Galápagos”.

Abaixo, comentários sobre cada uma das músicas do álbum:

2 – “Multidão” é a “Indignação” atualizada do Skank. É aquela típica “música de protesto” que parece obrigatória para toda a banda dita atuante, politicamente falando. Tem a pegada comercial (já conhecida dos álbuns anteriores) do Skank e não acrescenta muita coisa ao álbum. O BNegão até tenta ajudar a melhorar a música, mas também a fórmula é conhecida e muito manjada, que é o rapper aparecendo no meio da música para destilar algumas verdades. No fim, a música torna-se nem uma coisa, nem outra.

3 – “Do mesmo jeito” é uma música simples, e por isso com ótimo potencial radiofônico. É aquela música tipicamente Skank de ser, embora não lembre de nenhuma que tenha sido lançado por eles nos últimos álbuns.

4 – “Aniversário” é uma música de Samuel Rosa com Lia Paris, cantora desconhecida do grande público mas que aos poucos está se destacando na cena paulistana. É uma música interessante, com uma letra bacaninha. A voz de Lia Paris é bem presente, e de certa forma ganha repercussão com o Skank dando espaço a ela.

5 – “Ela me deixou” – nada demais, música com o padrão Skank. Sabe aquela música que tá tocando na rádio e você sabe que é do Skank? Pois é. E foi escolhida como música de trabalho. Com todo o respeito, não foi uma boa escolha. Há melhores no álbum, inclusive com potencial midiático.

6 – “Esquecimento” – me lembrou “Resposta”. É bonitinha, aquele tipo de música que se toca ao vivo no show após duas mais animadas pros casaizinhos ficarem juntinhos e tal. Nada muito sensacional, fica num meio termo entre as boas e as fraquinhas.

7 – “Périplo” – mais uma música com forte potencial para veicular em rádios, televisão. Portanto, ela faz parte daquele grupo de músicas que classificamos como “tocam na rádio, mas tem qualidade”.

8 – “Rio Beautiful” – Algumas músicas do álbum tem um arranjo diferente, fugindo do convencional radiofônico e do padrão Skank de música. Essa música é uma delas. Um baixo interessante, teclado com efeitos, bateria eletrônica. A letra é, também, uma das melhores deste álbum, junta com “Alexia”.

9 – “Galápagos” – Terceira música que o Nando Reis participa cantando. Quase um novo integrante da banda. Uma letra interessante, atmosfera musical meio praiana. Não é uma música sensacional, mas também foge do convencional do padrão Skank. De um a dez, daria um seis e meio.

10 – “A noite” – Aquela típica música de fim de álbum. Pega suas coisas aí que a gente tá fechando.

11 – “Tudo isso” – mais uma música com o padrão Skank. Achei até que esta fosse a música de trabalho da banda, mas eles escolheram “Ela me deixou”. Quem sabe não será a segunda? Aguardem, nas rádios.

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4 comentários em “Skank – Velocia (2014)

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