2014 Indie Pop Resenhas

The Pains of Being Pure at Heart – Days of Abandon (2014)

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O som é bonito e agradável. Ilusões e desilusões amorosas de um jeito indie de ser

Por Lucas Scaliza

Se você não conhece The Pains of Being Pure at Heart e precisa de uma referência, digamos que essa banda é uma espécie de Belle & Sebastian de Nova York e com uso mais amplo da guitarra. O som é bonito e agradável sempre. É animado também, do jeito indie de ser. Beira o ingênuo, às vezes, por causa da falta de agressividade ou de harmonias e melodias que desafiem as escalas maiores e menores. Mas tudo isso tem a ver com a estética pretendida pelo compositor da banda, Kip Berman.

Days of Abandon é o terceiro disco do grupo e preza por todos os elementos descritos acima. “Art Smock”, por exemplo, que abre o disco, é uma balada de pouco mais de 2 minutos com violão e efeitos de teclado, um jeito tão bonitinho e gracioso que conquista logo de cara. “Simple and Sue”, “Kelly” e “Eurydice” mostram a banda completa e os bons refrãos e melodias vocais que o The Pains of Being Pure at Heart são capazes de criar ao longo de todo um álbum. Já “Beautiful You” e “Coral and Gold“ são exemplos de músicas lentas, mas com espectro de som bem cheio pela banda, o que dá a ela a característica de grupo noise – mas é um noise bem agradável, não é torto como um Sonic Youth e nem carregado de overdrive como o My Bloody Valentine. “Until The Sun Explodes” é um ótimo exemplo de como se fazer barulho com graciosidade.

Pains-SXSW-e1397849563105Os vocais de Kip Berman são todos harmonizados com os de Jen Goma (da banda A Sunny Day in Glasgow) ou com os de Kelly Pratt (do Beirut), o que sempre rende passagens vocais cheias de graça e duetos bem feitos. Aliás, em várias faixas Berman deixa que Goma assuma os vocais sozinha, como em “Kelly” e “Life After Life”. Aliás, “Life After Life” e “The Asp in My Chest” usam até mesmo um naipe de metais, que também coopera para aproximar, de certa forma, o som do The Pains ao dos escoceses do Belle & Sebastian.

“The Asp in My Chest”, que fecha o disco, é uma metáfora: o amor é comparado à ação de uma serpente e seu veneno no corpo de uma pessoa. Há certa desilusão nisso, mas que evoca também um conhecimento maior desse terreno tão pantanoso que é o coração. Ainda que companha canções delicadas em Days of Abandon e relações amorosas sejam o principal assunto do disco, suas letras estão melhores e menos sonhadoras do que em álbuns passados. É claro que há músicas com ilusões e desilusões amorosas, todas de um jeito indie de ser e sentir. Mas agora Berman até vê o fim como algo natural e até mesmo apreciável, quando canta, bem no fim do álbum: “Quando o veneno fizer efeito, vou fechar os olhos / Conforme meu corpo se paralisa e a vida se esvai / Vou sentir sua atração pela última vez, / E assim vou escapar de você?

2 comentários em “The Pains of Being Pure at Heart – Days of Abandon (2014)

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