2014 Indie Resenhas Rock

Antemasque – Antemasque (2014)

coverSem pretensões e grandes ambições, grupo de ex-Mars Voltas faz rock cru e divertido

Por Lucas Scaliza

Seria o Antemasque uma espécie de supergrupo? Uma daquelas bandas que reúnem grandes músicos conhecidos de diferentes bandas que se unem para fazer um trabalho empolgante e diferente daquele que seus grupos originais proporcionam? Tudo leva a crer que sim.

O vocalista do Antemasque é Cedric Bixler-Zavala, vocalista do The Mars Volta e do At The Drive-In. Na guitarra está seu parceiro nas duas bandas, o criativo e virtuoso Omar Rodriguez-Lopez. E na bateria está Dave Elitch, atual baterista do Killer Be Killed (que é liderado pelo e que já trabalhou com todo tipo de artistas, como Miley Cyrus, Justin Timberlake, M83, Big Sir, Juliette Lewis e com o próprio Mars Volta. Já o baixo é do ídolo do rock Flea, do Red Hot Chili Peppers, que dispensa qualquer apresentação. Flea não é um membro fixo do grupo, mas deixou que usassem suas gravações de baixo para o primeiro disco do grupo, que leva o nome de Antemasque.

O som da banda não é como o som da banda de seus integrantes. São músicas muito mais diretas e raivosas, sem muito tempo para a contemplação ou viagem sonora. Tudo soa muito seco, sem todas as ambientações e texturas sonoras que eram tão características do refinado som do Mars Volta. E sendo mais direto, com faixas de 3 minutos ou menos, sobre bem menos espaço para as loucuras sonoras que Omar Rodriguez-Lopez costumava incluir em sua outra banda.

antemasque

“4AM” abre Antemasque com uma porrada seca, vocal rasgado e uma linha de baixo espertíssima. De certa forma, soam como o Led Zeppelin. “Drown all your witches”, que é uma espécie de fôlego com violões no meio de tanta distorção, é outra faixa que lembra Zeppelin.

“I got no remorse” e “People forget” são agressivas e dilacerantes. “In the lurch” é um dos melhores momentos do disco e tem um ótimo refrão. “50.000 kilowatts” é um esforço para manter o rock’n’roll básico e simples, mas ainda assim divertido. Já “Momento mori” parece uma daquelas músicas rock que ouvíamos em rádios FM no início dos anos 90, quando as bandas ainda não tinham se livrado completamente do jeitão oitentista.

“Providence”, com 4’48” de duração, é a faixa mais longa do disco. E olha que o Mars Volta já fez faixas de 11, 15 e 16 minutos em um mesmo disco! Mas é também a faixa que melhor apresenta um cuidado em sua produção: há um clima mais sombrio, como se algo de sobrenatural estivesse para acontecer. “Rome armed to the teeth” fecha o disco com seu refrão divertido, vocal rasgado e batidas simples na guitarra.

Para um primeiro disco de um projeto musical envolvendo músicos tão bons, Antemasque parece o primeiro disco de uma nova banda de garagem. Mas uma boa banda de garagem que sabe condensar em menos de 4 minutos algumas pitas de hard rock, outras de punk e algumas ideias mais simples do rock progressivo. É, assim, não um projeto de banda ambicioso como o Atoms For Peace (que envolve Thom Yorke, Nigel Godrich e o próprio Flea), mas uma banda que volta ao básico com muita energia e parece se divertir com o que faz. E é divertido para quem ouve também, desde que o ouvinte não espere que esses caras reinventem o rock.

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2 comentários em “Antemasque – Antemasque (2014)

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