2014 Eletronica Pop Resenhas

Lily Allen – Sheezus (2014)

lilyallenCantora inglesa se dá mal no mercado e acha que fez algo errado em seu novo trabalho. Seria um álbum incompreendido?

Por Lucas Scaliza

Talvez as músicas não sejam boas o bastante.

Essa frase poderia ser a minha opinião sobre Sheezus, o terceiro álbum da Lily Allen. Podia ser o veredito de algum crítico de música ou mesmo de algum fã não muito satisfeito com o novo disco da cantora. No entanto, essa frase é da própria Lily Allen, num raríssimo momento de autorreflexão, autocrítica e até honestidade no mundo da música.

Mas honesta com quem? Será que ela está refletindo do ponto de vista correto?

Sheezus é legal, mas não tão legal quanto outros discos do mesmo estilo que foram lançados este ano. Não é mais legal nem que seu álbum anterior, It’s Not Me, It’s You (2009).

Mas Sheezus é bem dançante, é bem divertido, animado e bem pop. Mesmo que lhe falte alguma originalidade, algum estranhamento e algum limite para ser pressionado, ele tem méritos para o mundo ultrapop a que se destina. A faixa título, “Sheezus”, tem um quê acentuado de hip hop e é bem sarcástica (citando Lorde, Lady GaGa, Katy Perry, e outras), uma das melhores do disco. “L8 CMMR” (gíria para Late Comer) também é legal, com seu ótimo refrão pegajoso. Daí para frente você já espera que o pop de Allen continue contaminado de hip hop e esforços de soar bem acessível para plateias adolescentes (e sua voz que emula a voz e o palavreado teen anglo-saxão evoca isso a todo momento).

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Nesse quesito, não há o que dizer que Lily Allen tenha errado. Sheezus cumpre bem seu papel. Da perspectiva de som e mercado, Allen pode ter errado ao suspeitar que “as músicas não sejam boas o suficiente”. As músicas são boas, sim, para seu público. Há provocação, há amor, há paixão, há bons grooves, há refrãos fortes, há linguagem rápida e jovem.

“Insincerely yours” e “Close your eyes” são uma volta à virada dos anos 2000 e o resultado de ambas é bem agradável. “Take my place” é uma balada com uma boa virada para o refrão. “As long as I got you” é um country reformuladinho.

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Agora vamos analisar o contexto em que Allen disse que as músicas não são boas: a matéria da NME diz que Sheezus até estreou em 1º lugar nas paradas do Reino Unido em abril, mas o single “URL Badman” ficou com a longínqua 93ª posição nas paradas.A canção não é de todo mal, mas parece feita sob encomenda para corredores de high schools e cheerleaders. Outras talvez fossem uma escolha mais feliz para as ondas do rádio e rede mundial de vídeos e música por streaming.

Acredito que o problema é Lily Allen dizer que o disco não funciona do ponto de vista do mercado, já que “Url Badman” não foi bem. Mas fora da área comercial, Sheezus não é mal. Será que o destino dele será se tornar um disco incompreendido bem no seio do mainstream ultrapop?

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2 comentários em “Lily Allen – Sheezus (2014)

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