Especial Resenhas Rock

Green Day – Dookie (1994)

Dookie, álbum emblemático do punk rock (pop) mundial, faz 20 anos

por brunochair

Drogas, tédio, masturbação, problemas de relacionamento. Essas são algumas temáticas que o Green Day abordou nas letras de Dookie, o terceiro álbum da banda. Nada de letras de protesto, nada de críticas ao sistema. Era a vida entediante de adolescentes do leste da Califórnia, que curtiam fazer um som e, a partir dele, espantar os seus demônios.

O movimento punk nos Estados Unidos começava a emergir neste período. O grunge de Seatle estava em plena decadência, ano em que Kurt Cobain decidia dar fim à sua vida. O Green Day era uma banda diferente: a partir dessa atitude de alienação e descrédito diante da vida, cantavam também a angústia de milhares de adolescentes. O que ser, o que fazer, o que pensar?

Fora dos padrões do que era considerado “punk”, o Green Day levantou de vez a ira dos punks mais conservadores quando lançou Dookie. Taxados de “vendidos do sistema” para mais, Billie Joe Armstrong (o vocalista) relatou, em entrevistas da época, que não havia outro caminho a seguir. Era pegar a bicicleta e sair andando, sabe-se lá pra onde.

Seguir andando, no caso, referia-se a assinar com uma grande gravadora. Assim o Green Day fez, quando assinou com a Reprise Records, que mais tarde seria vinculada a Warner. Também em início de carreira, o produtor Rob Cavallo (hoje diretor da gravadora Warner) percebeu no Green Day um forte potencial, e conseguiu convencê-los a trabalhar com ele.

Foram apenas três semanas entre gravações e produção, e Dookie estava pronto. Com 14 músicas e menos de 40 minutos, o Green Day lançava um álbum que soava punk rock: acordes simples e fáceis na guitarra, baixo e bateria acelerados. A voz de Billie Joe Armstrong surgia limpa entre os instrumentos, relatando conflitos internos e problemas que os adolescentes logo se identificaram. Era não uma revolução, mas um relato do tédio, da desesperança.

Ainda que um pop palatável, ninguém poderia dizer que a banda continuava fazendo punk rock. E, no fim das contas, a banda criou um estilo característico e que influenciaria um sem número de bandas da década de 90 e nos anos 2000, como Blink 182, My Chemical Romance, Rise Against, Cloud Nothings. O álbum vendeu cerca de 12 milhões de cópias nos Estados Unidos, e 26 milhões pelo mundo. Cinco músicas do álbum tornaram-se hits, e podemos dizer que o álbum é um divisor de águas e polêmicas no cenário punk rock, quando a banda consegue alcançar o status de mainstream.

Agora, vamos a um faixa a faixa?

1 – “Burnout”: Traduzindo, é uma música que faz apologia à marijuana. Não é bem uma apologia, é a ideia do tipo “bom, é o que tem e vamos acender”, entende? Aliás, o próprio nome da banda tem essa motivação. Se você achava que tratava-se de alguma causa ecológica (e é, em certo ponto) Green Day significa tirar o dia para desencanar das obrigações cotidianas e ficar fumando um baseado. Bom, eu lá com os meus 17 anos ouvia isso tudo e nem imaginava que a música falasse sobre baseado e tal…

2 – “Having a Blast”: Como a música intro, é uma explosão! Música rápida, direta, bem punk rock. Fala sobre a ira, vontade de acabar com todo mundo, detonar os inimigos. Bem ideia de adolescente, mesmo!

3 – “Chump”: Mais uma música revoltadinha que Billie Joe Armstrong escreveu, sobre a estupidez de alguém. Aliás, ele escreveu a maioria das músicas deste álbum. Legal dessa música é a ponte que há no fim para a próxima.

4 – “Longview”: Um dos grandes hits da banda, o primeiro single lançado do álbum. Com clipe e tudo o mais que tinha direito, a banda começou a aparecer na MTV. Os palavrões, na época, foram censurados. A música fala sobre masturbação e tédio. A linha de baixo de Mike Dirnt foi gravada, segundo relatos do próprio, sob efeito de LSD.

5 – “Welcome to Paradise”: Essa música já havia sido gravado num álbum anterior do Green Day (Kerplunk) mas ganhou novo arranjo em Dookie. E ficou muito melhor! A música fala sobre alguém que relata à mãe ter ido morar numa favela, pois não aguentava mais morar com os pais. Mas sente-se muito mais em casa na favela do que com os pais.

“Pay attention to the cracked streets
And the broken homes
Some call it the slums
Some call it nice
I want to take you through
a wasteland I like to call
my home
Welcome To Paradise”

6 – “Pulling Teeth”: Fica no meio de tantos hits, e fala sobre uma briga que Mike Dirnt teve com uma namorada, na qual a moça (acidentalmente) quebrou os dois braços do rapaz. A letra é também do Billie Joe.

7 – “Basket Case”: O hit que talvez mais tenha tocado? Basket Case (caso perdido) fala sobre crises de ansiedade do Billie Joe, algo que ele comumente sofria. A temática paranoica da música fez a banda escolher um manicômio abandonado para gravar a sua versão em clipe. Claro, ressalva seja feita a explosão da música aos 52 segundos.

8 – “She”: Um hit seguido do outro! Escrita por Billie Joe para uma ex-namorada, que havia apresentado a ele uma poesia feminista de mesmo nome. Ele quis presenteá-la com uma versão da poesia, e assim fez. O maior hit da banda, talvez? E mais uma linha de baixo inspirada (?) de Mike Dirnt.

9 – “Sassafras Roots”: Um nome esquisito para música, mas não difere muito do que é o álbum, com confissões e relatos sobre dificuldades de relacionamento.

10 – “When I Come Around”: A música mais madura de Billie Joe. Ele havia brigado com a namorada da época, e a moça havia deixado de ficar com ele na casa onde moravam. Então, a letra fala desse ciclo todo de procurá-la, tanto a ela quanto a ele próprio.

“I heard you crying loud
All the way across town
You’ve been searching for that someone
And it’s me out on the prowl
As you sit around feeling
Sorry for yourself”

“No time to search the world around
‘Cause you know where I’ll be found
When I come around”

11 – “Coming Clean”: as músicas restantes não fizeram tanto sucesso. Nesta música Billie Joe fala sobre a sua bissexualidade, embora o mesmo nunca tenha tido um relacionamento homoafetivo.

12 – “Emenius Sleepus”: Única música assinada por Mike Dirnt, o baixista do Green Day.

13 – “In The End”: Mais uma música bem punk rock do álbum. O legal dessa música é o SOOOOOOOOO… entoado por Bille Joe. Provavelmente, fala sobre uma ex de alguém que tá agora com um cara malinha e musculosinho.

14 – “F.O.D.” : Fuck off and Die: Mais uma música de lamúrias, que termina num ritmo explosivo lá pro meio da música. Bela música pra fechar o álbum, com a vinhetinha do Tré Cool (baterista da banda) no final do cd, escondida por entre minutos de silêncio.

13 comentários em “Green Day – Dookie (1994)

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