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Steven Wilson – Cover Version (2014)

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Nada é tão melancólico que Steven Wilson não possa entristecer ainda mais

Por Lucas Scaliza

Steven Wilson é um incansável compositor, cantor e multi-instrumentista inglês que embarcou em uma exitosa carreira solo depois de se tornar conhecido em projetos e bandas como No-Man, Porcupine Tree (sua banda mais famosa de rock progressivo), Blackfield (pop melancólico com o israelense Aviv Geffen), Bass Communion (de música ambiente sombria e experimental), I.E.M (projeto de kautrock) e Storm Corrosion (espécie de folk sombrio e experimental ao lado do amigo Mikael Akerfeldt, do Opeth), sem falar nas inúmeras participações especiais. Ele também é um dos mestres em mixagem 5.1 e tem feito esse trabalho para o catálogo de diversas bandas de rock progressivo, como King Crimson, Yes, Jethro Tull e Genesis. Além disso, é um produtor de bandas atuais de mão cheia. Com um currículo desses e com uma carreira solo que só cresce desde 2009, Steven Wilson é um dos músicos com maior trânsito no rock progressivo e na música mundial atualmente. Ele é uma espécie de Josh Homme (Queens of the Stone Age) ou Dave Grohl (Foo Fighters) dentro de seu nicho progressivo.

Sempre às voltas com alguma gravação – dele ou de amigos –, ao longo dos anos ele acumulou EPs de duas faixas: uma sempre é uma música original sua (não gravada por nenhuma de suas bandas) e um cover de algum artista ou banda. Este ano, após lançar o aclamado The Raven That Refused to Sing em 2013 e finalizar uma turnê mundial com um show no tradicional Royal Albert Hall em Londres, Wilson lançou Cover Version, uma compilação de seis composições suas e seis covers em forma de álbum (um formato mais fácil de vender [e de achar] do que seus EPs).

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“Thank you”, da canadense Alanis Morissette, abre o disco. Steven Wilson a interpreta com sua voz suave e com um violão apenas, tornando a composição uma peça triste e com menos excessos. “The day before you came” é mais uma interpretação de SW para uma música original do grupo pop sueco Abba. Na mão dos suecos, a faixa é um eletropop que consegue disfarçar sua porção mais “down”, mas na mão de SW toda a melancolia da composição emerge com força. “A forest”, música do disco Seventeen Minutes do The Cure, sempre foi soturna. Wilson preserva essa característica com uma levada dark e lenta com efeitos eletrônicos e uma voz assombrada.

No início de “The guitar lesson”, do Momus, SW troca o teclado pelo dedilhado no violão. Ao longo da faixa novos sons aparecem. Não que a música original fosse feliz (não é!), mas na voz e na produção de Steven Wilson a tristeza latente é trazida para o primeiro plano. Até mesmo o dance de guitarra de “Signo o’ the times”, do Prince, ganhou uma versão mais eletrônica de SW. Mas os riffs originais foram mantidos, dentro de um clima mais opressor. “Lord of the reedy river”, do escocês Donovan, Wilson traz a melancolia à tona nas batidas de seu violão e em sua voz melodiosa e lamentosa. O solo, usando a escala menor harmônica, só reforça essas impressões. Afinal, nada é tão melancólico que SW não possa entristecer ainda mais. Entretanto, o compositor de rock progressivo se mantém fiel ao clima original de Donovan e inclusive preserva a pegada mais jazzística da canção.

“Moment I lost”, “Please come home”, “Four trees down” e “An end to end” são todas músicas próprias de SW que reforçam o sentimento geral de Cover Versions e sua habilidade para fazer melodias bonitas e músicas interessantes só com piano, violão e voz. “Well you’re wrong” surpreende: embora ainda seja para baixo, é uma canção que traz SW cantando em falsete e um piano doce. O que contrasta totalmente com a soturna e sepulcral “The uniquet grave”, que é uma roupagem muito própria de Steven Wilson para uma canção folclórica. Com quase sete minutos, o cantor sussurra uma história de fantasmas enquanto é acompanhado por coro e efeitos sonoros que só reforçam o clima de terror da faixa.

Cover Version é um lançamento “menor” de Steven Wilson, que atualmente trabalha em seu próximo disco solo, que deverá ser lançado no primeiro trimestre de 2015. A compilação é muito coerente com o gosto pessoal do compositor e pode ajudar quem começou a acompanha-lo a pouco tempo a conhecer melhor seu estilo fora do rock e do metal progressivo. Para quem já está há tempos na cola do líder do Porcupine Tree, Cover Version é mais um artigo de colecionador, não exatamente algo que revele melhor o músico e compositor. De qualquer forma, a nova roupagem que dá aos covers só reforça sua versatilidade e boa mão para produções finas, equilibradas e de bom gosto.

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