2014 Eletronica Pop Resenhas

Cibo Matto – Hotel Valentine (2014)

Após quinze anos inativa, a dupla nipônica volta com aquela mesma pegada da década de 90

por brunochair

Cibo Matto. Já ouviu falar? Trata-se do trabalho de uma dupla de nipônicas, nascidas lá no Japão mas há tempos residentes em Nova York. As duas integrantes chamam-se Yuka Honda e Miho Hatori. Não é uma dupla nova, as moças estão no meio musical há algum tempo, tanto com o Cibo Matto quanto em projetos dos mais variados. Miho Hatori, por exemplo, deu voz ao personagem Noodle (guitarrista do Gorillaz) em algumas faixas. Ambas estiveram envolvidas em produções de diversos artistas, tais como Beck, Sean Lennon (inclusive, partícipe do Cibo Matto na década de 90), Beastie Boys e até Caetano Veloso.

Flertam com variados estilos de música. Neste álbum, nota-se a presença de acid-jazz, hip-hop, new wave, bossa nova e outras referências da word music (definição mais indefinida que essa, não tem). As duas artistas possuem uma ampla visão sobre o que é música, sobre o que produzir de música. Por isso, a discografia da banda é bem variada. Ambas parecem ter ouvido atento a tudo, e exalam novidade a cada trabalho.

A dupla lançou apenas três álbuns: Viva! La Woman (1996) e Stereo Type A (1999), que são da década de 90. Após isto, mais nada. Encerraram as atividades como Cibo Matto? Parecia que sim, até vir este álbum novo. Apesar do largo tempo sem gravar (15 anos) o trabalho atual não difere muito do que já foi produzido pelas japas. Permanece o experimentalismo, sim. Porém, dentro de limites já estabelecidos pelas artistas, tanto quanto Cibo Matto ou em seus trabalhos solos, e produções.

Percebo uma influência da Yayoi Kusama no trabalho delas. Na verdade, a artista pop japonesa foi (sim) responsável por influenciar uma gama enorme de artistas japoneses, em todas as esferas da arte – e não somente com relação a arte, mas também em relação ao comportamento.

Sobre Hotel Valentine, o novo álbum da Cibo Matto: a ideia que pretende-se transmitir ao ouvinte é a da chegada a um hotel. Desde o “Check In” (primeira música) ao “Check Out” (segunda música), um sem número de impressões, que vão desde a impressão de se estar sempre no mesmo lugar, mesma cidade, mesmo hotel, mesmos arranjos (“Déjà Vu”) até a ideia de que o local é mal assombrado, ou frequentado por pessoas estranhas (“10th Floor Ghost Girl”). No fim, o álbum parece também a contação de uma história mal-assombrada, desde a entrada até a saída do hotel.

No fim das contas, a volta da dupla foi positiva. Elas não soam tão inovadoras quanto eram na década de 90, mas continuam produzindo um som respeitável, ainda de vanguarda – e mesmo que restrito a um determinado público, que não é assim tão extenso. Aliás, elas demonstram que continuam afiadas como “conjunto”, a energia deste álbum acaba referendando essa opinião.

Clipe colorido, para terminar a resenha. Trata-se da música “Mfn”, a quinta do álbum. Tem ou não tem uma pegada Yayoi Kusama? E tantas outras referências, na verdade. Não dá pra ser reducionista a esse ponto!

1 comentário em “Cibo Matto – Hotel Valentine (2014)

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