2014 Indie Resenhas Rock

Royal Blood – Royal Blood (2014)

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Você vai ouvir e achar que é uma guitarra. Mas é um BAIXO!

Por Lucas Scaliza

Royal Blood é uma banda inglesa com um rock arrastado de uma banda jovem norte-americana. Ao ouvir “Out of the black” ou “Careless” lembramos imediatamente de Jack White em qualquer uma de suas bandas: Raconteurs e White Stripes – principalmente pelo timbre de voz do vocalista Mike Kerr – ou mesmo Dead Weather – por ser um rock mais básico, sem teclado e sem arranjos orquestrais ou elementos atmosféricos. E a banda também usa o pedal de distorção fuzz, que White adora (confira a faixa “Figure it out”). As canções também quase não têm solos e são curtas: apenas duas ultrapassam a marca dos 4 minutos. Por aí você já percebe que é uma banda concisa e direta ao assunto.

Ah, mais um elemento que nos remeteria a Jack White: a banda tem apenas dois integrantes, Ben Thatcher na bateria e Mike Kerr nos vocais e no BAIXO. – Sim, tudo o que você ouve no disco é um baixo, tocado como se fosse uma guitarra, é verdade, e com pedais de guitarra. Por isso tudo soa tão encorpado e grave o tempo todo.

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Foto: Andrew Whitton

Royal Blood é o primeiro disco da banda, formada em Brighton, na Inglaterra, e que chegou ao topo das paradas inglesas este ano, tornando-se a banda que mais vendeu um primeiro álbum nos últimos três anos. Então, veja bem, você vai ouvir falar muito sobre eles ainda. Mas diferente de grupos que alcançam essa marca com discos comerciais, o Royal Blood entregou uma pedrada.

A distorção come solta. Os riffs estão por toda parte. “Come on over” lembra os riffs de Matt Bellamy, do Muse. “Figure it out” lembra os riffs do stoner rock inglês da década de 1970. E “Blood hands” é aquela faixa que não passa despercebida. Lenta, faz você sentir o peso de cada nota e te desafia a acompanhar cada palavra cantada. “Better strangers”, mais uma à Jack White, tem um solo que é difícil acreditar que não é uma guitarra. Mas é um baixo mesmo. Esse é o maior trunfo da banda.

A combinação de produção enxuta, som cru, objetividade e energia de sobra nos remete ao grunge dos anos 90 e ao garage rock. E esses dois estilos são os melhores para descrever como o Royal Blood soa em Royal Blood.

A última vez que a ilha da Rainha viu uma banda jovem como essa aparecer – e roubar a cena de muitos veteranos – foi quando o Arctic Monkeys surgiu com seu rock vigoroso, acelerado e jovem. Não à toa, hoje menos acelerados e bem mais maduros no som, os membros do Arctic Monkeys conheceram o Royal Blood em 2013, antes de lançarem o primeiro single, e até usaram camisetas da dupla no Glastonbury do ano passado. Isso que é mostrar apoio aos novatos!

Antes de colocarem Royal Blood nas prateleiras em agosto, a dupla foi bem testada em 2014: abriram dois shows do Arctic Monkeys, tocaram no South by Southwest (um importante festival do Texas), no Liverpool Sound City, no Big Weekend da BBC Radio 1 em Glasgow, no Download Festival e nos grandes Glastonbury e Reading Festival.

Ou seja: Kerr e Thatcher construíram uma reputação em festivais antes de lançar o primeiro álbum. A estratégia deu certo e venderam 66 mil cópias na primeira semana. Tornaram-se a banda com o début mais vendido da Inglaterra dos últimos três anos. Ficaram apenas com 20 mil cópias a menos no mesmo período que o grande campeão dos últimos 20 anos, o Definitely Maybe, do Oasis (confira o especial que fizemos do 1º disco do Oasis).

Aí está uma banda de rock puro e que pode ter um grande futuro, ainda que seja abandonar essa fórmula inicial nos próximos 5 anos. Time will tell.

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11 comentários em “Royal Blood – Royal Blood (2014)

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