2014 Eletronica Pop Resenhas

Maroon 5 – V (2014)

Adam Levine faz do Maroon 5 (e V) o seu The Voice particular

por brunochair

Tem horas que, na nossa vida, temos que escolher entre um caminho e outro (ou não). O Maroon 5 fez a sua escolha: após quatro álbuns, o quinto demonstra qual trajetória a banda pretende trilhar, a partir daqui. é, acima de qualquer outra opinião, um álbum pop. Mas o Maroon 5 sempre foi pop, não foi? Sim. No entanto, estamos falando de um tipo específico de pop, aquele pop criado exclusivamente para bombar nas rádios e agradar a ouvidos imediatos. Aquele tipo de música “bateu, gostou”, mas quando ouve-se outra e outra vez percebe-se que é aquilo mesmo, e nada mais.

Nesse ponto, podemos traçar um paralelo com outros dois artistas que lançaram álbuns este ano: Sia e Foster The People. Enquanto a Sia lançou um álbum pop do tipo extremamente monotemático, a banda Foster The People gravou um álbum também calcado no pop, mas fazendo críticas ao mundo de aparências e tentando desenvolver sonoridades diversas, até dentro de uma própria música. O novo álbum do Maroon 5 fica no limiar entre essas duas possibilidades: as músicas são distintas entre si, mas o álbum segue uma proposta muito definida, não correndo riscos para tanto.

A questão é que, se formos analisar a discografia da banda, verificaremos que já foi intenção da banda arriscar mais. No primeiro álbum, temos “Sunday Morning” e “This Love”, músicas com propostas muito distintas, mas que levaram a banda a sucesso da mesma forma. O álbum novo conta com a presença maciça de elementos eletrônicos, muito mais que os antecessores, até mesmo o último álbum da banda, Overexposed. Pra quem gostava da linha de baixo das músicas do primeiro álbum… esquece. Ainda há algumas guitarrinhas discretas, que se contar não dá meia música.

Parece que a ênfase da banda ficou em criar músicas radiofônicas, vídeos que bombam no youtube e MP3 players recheados de músicas, mesmo. A banda resume-se a Adam Levine: seu pretenso carisma neste mundo pop e os seus vocais, que são um show à parte. Para quem assiste o The Voice americano e ouve os comentários de Adam Levine sobre os artistas (aliás, muito bom o programa americano, artistas espetaculares e desconhecidos passam por lá) nota que a voz dele é diferente, mesmo.

Portanto, é isso. A banda segue no porto seguro do sucesso, prefere não se arriscar mais. Segue na trilha do sucesso de Adam Levine com o The Voice, e por conta disso mesmo a banda tornou-se um The Voice particular de Adam Levine. Treze músicas que podem, tranquilamente, comparecer na playlist de muita gente esse ano, e com toda certeza nas rádios por todo o mundo. Ouvidos atentos, para os próximos meses.

Sobre algumas músicas:

1. “Maps” – Foi o primeiro single da banda, lançado antes mesmo do álbum. A música começa com licks simples de guitarra, um dos poucos que há no disco. A música vai ganhando uma cara mais pop e dançante a partir dos quarenta segundos de música, intercalados com fases mais tranquilas. O clip demonstra bem a desenvoltura do Adam Levine em clipes, haja vista que ele está trabalhando em filmes, também.

2. “Animals” – Tanto esta música quanto a primeira dão o tom de como será o álbum: pop, dançante, e de certa forma, previsível. Aquela sensação do já ter ouvido essa música na rádio. Diferentemente da primeira, essa tem uns beats mais fortes, que seguem durante toda a música. Tem até um uivo no meio da música, confesso que ri e lembrei de uma coisa nossa brasileira, o cantor e deputado Frank Aguiar.

5. “Sugar” – Já que a intenção é deixar a voz do Adam Levine fluir, essa música é legal por conta disso. Os beats estão mais contidos, uma linha de baixo que aparece, e o vocal dele segue bem por toda a música. Nada de mais, uma música tão pop e talvez uma das mais chicletes do álbum (soa confessadamente pop)

10. “Feelings” – The Voice aparece legal mais uma vez. Tem uma pegada “Moves Like Jagger” de ser, e meio que faz lembrar Justin Timberlake, Jamiroquai e até Michael Jackson. Música pra festinha.

13. “Sex and Candy” – Jogado lá no fim do álbum, uma música mais lenta e com um groove muito bom. Pra mim, a melhor do álbum, disparado. Lembra black music americana, desde Marvin Gaye a artistas R&B. Demonstra que a banda poderia produzir músicas com estilos diferentes, caso não estivesse mergulhada no pop das massas.

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