2014 Indie Pop Resenhas Rock

The Kooks – Listen (2014)

Aproximando-se um pouco mais do Pop, The Kooks produz algumas boas canções, mas peca na sequência das músicas.

por brunochair

Os membros do The Kooks, ao lançar Listen, disseram que estavam um pouco entediados com a música. Talvez presos ao próprio rótulo, continuavam naquela pegada indie de sempre, fazendo sombra a bandas como Arctic Monkeys e Franz Ferdinand. Conseguiam alcançar relativo sucesso, possuíam um número de fãs considerável, mas o universo era aquele e pronto.

Decididos a não cair na mesmice, produziram o novo álbum (Listen) com a intenção de experimentar. É óbvio que a banda não jogou fora tudo que ela foi, e continua sendo. Os elementos estão lá, mas a banda fugiu do estereótipo do indie rock e está mais próximo do pop. Neste álbum, misturou elementos do synthpop, da disco, soul e funk. Algumas músicas ficaram bem interessantes, inovadoras.

Para quem ouve a banda sem preconceitos e sem esperar que ela continuasse no mesmo caminhar dos três álbuns anteriores, será uma decepção. O álbum, apesar de ser mais experimental, flui bem para quem gosta de pop. No entanto, a banda ficou no meio do caminho: seis músicas tem essa temática pop (e são as melhores), duas baladas (uma fraca e outra, até que rola) e duas no estilo anterior da banda. Nesse ponto, o álbum fica meio estranho de ouvir, com baladinha triste sucedendo uma música animada, uma dançante que foi precedida de uma bossa balada que foi precedida de um reggae dub. Estranho.

Essa é a crítica que se faz do álbum. Ficou nem lá nem cá, e a sequência das músicas ficou péssima. Melhor seria talvez a banda concentrar-se em produzir mais três ou quatro músicas com essa pegada dance/soul/funk/pop e lançar um álbum mais linear. Seria mais honesto e rentável. De qualquer forma, a banda vem sendo sistematicamente criticada por essa mudança de rumos, o que é compreensível, se analisada a discografia da banda.

Vamos às músicas:

“Around Town” – A música já entra com tudo, não dá nem espaço para apresentações. Bateria e baixo coordenam o ritmo da música, que é bem acelerado. Um coro feminino de “Oh, yeah!” segue até uns quarenta segundos de música, quando Luke Pritchard começa a cantar. A guitarra também aparece nesse momento bem discreta, soltando uns licks funkeados. A guitarra desaparece, reaparece… mas o que segura a música mesmo é baixo e bateria, que ganha o apoio de palmas e estalos de dedo – a percussão mais conhecida dos indies. Legal a parte instrumental dos 2’35” pra frente, quando há uma parte instrumental. Muitos elementos sonoros na música. Uma canção legal, apesar de ter achado que o início dela poderia ter sido melhor.

“Forgive & Forget” – Começa com guitarra e vocais. Parece que a música vai seguir por um caminho, quando (oh, wait) toma um ritmo completamente diferente lá pelos 30 segundos. Fica dançante pra caramba, guitarra e baixo funkeados, bateria pulsando muito legal e variando legal durante toda a canção (aliás, novo integrante na bateria, Alexis Nuñez, fez um trabalho excelente neste álbum). Lembra bastante o que o Foster The People se propõe a fazer em alguns momentos, muito mais no primeiro álbum do que no segundo. Aquela pegada oitentista, uma boa mescla de elementos, aproximando-se do synthpop.

“Westside” – Basicamente, as três músicas possuem um conteúdo bem parecido. São canções pop, pegajosas, muito bem produzidas. Aqui a bateria tá mais travadinha, mas tem o sintetizador fazendo um bom trabalho, violão aparecendo bastante e a guitarra de novo bem discreta, mas quando aparece com o seu groove, dá toda a graça que a música precisa. Quem curte um pop e prefere não pensar em tudo que a banda já produziu, vai gostar dessa primeira trinca de Listen.

“See Me Now” – Nada contra a música, mas depois de tanta música animada, uma balada melancólica dessa… é pra acabar. Deu uma quebrada totalmente desnecessária no álbum. Talvez tivessem que pensar em uma ordenação diferente do álbum. A letra é uma homenagem de Luke Pritchard para o pai, que já morreu e tal. Ou seja, é uma canção simples e triste com um conteúdo pesado, jogada ali no meio de tantas músicas com uma proposta pop e meio alegre. Sacanagem com os ouvintes, principalmente com a própria música. Não era momento de fazer isso.

“It Was London” – Bastante urbana, mais ao estilo antigo do The Kooks. O violão me lembrou um pouco “Fake Tales Of San Francisco”, do Arctic Mokeys. É uma música mais “agressiva” do que as já apresentadas. E necessária, tendo em vista a baladinha anterior. Precisava-se de uma música pra sacudir a poeira e recomeçar o ritmo.

“Bad Habit” – Outra música que lembra o Arctic Monkeys, e também a ela mesma em álbuns anteriores. Outra música rock and roll. Aliás, o rock fica nessas duas músicas, executadas em sequência. E ambas são muito legais.

“Down” – Tenta criar um reggae-dub, Luke Pritchard canta “down down Diggy Diggy” enquanto a música alterna diversos momentos. Mas, na boa. Não colou essa miscelânea toda, poderia ser facilmente descartada. Aliás, poderiam os integrantes dizer que a música é uma experimentação, mas não casa com a ideia de produzir um álbum estilo “pop perfeito”. Não, não dá.

“Dreams” – Mais uma música com um corte estranhíssimo. Tá numa pegada tô-tentando-ser-moderno, de repente cai para uma música acústica, bossa nova com uns elementos do mar. É muito anacronismo para um álbum só. Embora esta música seja melhor que a anterior, tenha uma linearidade e seja agradável aos ouvidos.

“Are We Eletric” – Bruscamente, vamos a uma música completamente distinta das duas anteriores. Sério, essa sequência de músicas desanima qualquer pessoa que está ouvindo o álbum como uma unidade. Ela não existe. Essa música tem uma pegada mais dançante, parecida com a das primeiras três do álbum. Porém, a estrutura dela é mais uniforme e simples que as três primeiras músicas. É típica música para tocar em rádio.

“Sunrise” – Começa com as já manjadas palmas, usadas como percussão. Mais uma música dançante, mais um trabalho notável de bateria e aquele groove de guitarra usado nas primeiras músicas, sempre muito criativos. A música tem um ritmo latino, é bem bacana.

“Sweet Emotion” – A melodia dessa música me fez lembrar o de uma outra canção pop. Tentei acessar a minha memória, mas não consegui. Caso venha, eu atualizo (rs). Essa música fecha bem o álbum, um soul/funk bem executado. Tocado ao modo deles, é claro. É como se fosse aquela pessoa que aprende a dançar no salão, executa os passos bem, mas não tem aquela ginga moleque, aquela ginga maneira. Mas toca bem, ok. Por fim, a música é legal, sim!

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4 comentários em “The Kooks – Listen (2014)

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