2014 Indie Pop Resenhas Rock

The Pineapple Thief – Magnolia (2014)

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Isto não é rock progressivo. E falta sal

Por Lucas Scaliza

O maior problema do The Pineapple Thief não é sua música, que às vezes é boa, às vezes fica muito aquém disso e, no geral, não constitui álbuns que empolguem tanto. Isso é certamente um problema também, mas a gente só descobriria depois de ouvir seus discos algumas vezes. O maior problema dessa banda inglesa é o seu marketing: a KScope, um habilidoso selo europeu que tem em seu catálogo muitas bandas de art rock e vertentes de estética bastante ambiciosas (como o Steven Wilson), vende o The Pineapple Thief como uma expoente do rock progressivo. Acontece que esse rótulo, sozinho, já faz com que muitos potenciais ouvintes desistam da banda, achando que o grupo tenha faixas intermináveis, solos longos e uma ênfase acentuada em algum tipo de experimentalismo. Só que a banda não tem nada de progressivo e quando fãs do estilo se dão ao trabalho de ouvir esses ladrões de abacaxi acabam não encontrando o que esperavam.

O Pineapple Thief está mais para uma banda de hard rock. Não enverada quase nunca pelo caminho do experimentalismo. São quatro caras tocando canções bem feitinhas e que geralmente não ultrapassam os 5 minutos.  Ou seja, é uma banda acessível.

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Magnolia é o décimo disco de estúdio dessa banda formada originalmente em Somerset, Inglaterra, pelo compositor e cantor Bruce Scoord. Há um intuito muito claro de fazer boa música, assim como havia nos outros álbuns do grupo, mas Scoord e sua trupe não “chegam lá”. As três primeiras músicas de Magnolia não empolgam. “Simple as that” é bem simples mesmo, tira sua força de uma guitarrada do refrão. Mas isso não é suficiente, Sonic Youth já fez isso de formas mais interessantes. “Alone at sea” tem um refrão legal, mas de resto pode ser bastante esquecível. E “Don’t tell me” apresenta orquestrações, que são o trunfo do disco, mas essa faixa pelo menos passa despercebida.

Mas Scoord também acerta. “Magnolia” é a primeira vez que você para e presta atenção. É um pop rock inglês bem protocolar, até lembra a banda holandesa dEUS, mas acertam no tom. “The onde you left to die” usa uma acentuação incomum (na música pop) para dar a impressão de que o ritmo é quebrado, mas na verdade é um 4/4 comum. Mas é um recurso interessante. Tem uma orquestração que entra nos momentos corretos para causar tensão. Só faltou dar mais espaço para a guitarra fazer licks e solos estranhos, quebrando um pouco a inclinação para melodias muito redondinhas de Scoord.

“Sense of fear” é a melhor música de Magnolia. Empolgante, solo de guitarra na medida certa e muito punch durante toda a faixa. Rock para a frente. O problema é que a animação não se mantém em “A loneliness”, que acaba sendo bonitinha mas demora bastante para chegar ao ponto em que conquista o ouvinte. Felizmente, “Bond” é mais esperta e desperta cedo.

“Seasons past” e “Far from me” se perdem no formato de balada triste e nem as orquestrações e o solo de guitarra na primeira conseguem salvar o resultado final. “Coming home” poderia ser boa, mas não tem nada além de uma orquestração que é o motor de seu curto crescendo.

O press release da gravadora – olha aí o marketing novamente – diz que o novo disco do The Pineapple Thief é uma continuação da entrada do grupo no rock mainstream e exalta a boa colocação do produto nas paradas de música indie inglesas. Mas a impressão que fica é a de Magnolia como um álbum morno, com músicas sem clímax ou simples demais. Mesmo o rock pop mais mainstream, como por exemplo, vá lá, o Maroon 5, se preocupa em entregar algo que, se não é inovador, pelo menos consegue mexer com seu ouvinte de alguma maneira. Mesmo sendo uma experiência canhestra, até o Tyranny de Julian Casablancas com o The Voidz é uma obra que faz o ouvinte parar para prestar atenção. Magnolia vem e vai sem te deixar muitos sentimentos bons ou ruins. Há bons momentos, mas muito diluídos em um disco que claramente não teve produção esmerada e olhar para boas ideias. Se fosse uma salada, seria insossa.

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1 comentário em “The Pineapple Thief – Magnolia (2014)

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