2014 Jazz Pop Resenhas

Kat Edmonson – The Big Picture (2014)

Cantora americana lança terceiro álbum. Pop contemporâneo com pitadas de Jazz, Bossa Nova e Country

 por brunochair

 Há quem não goste de reality show. Há quem não goste destes programas no formato reality show destinados à música. No entanto, apesar do forte apelo por audiência e por artistas que tenham um contato mais próximo com o que o “povão” gosta (e quem é o povão, afinal?) surgem uns artistas pela beirada, apresentando o seu trabalho na humildade, certo? e conseguem angariar o seu quinhão de ouvintes. Sem entrar em pormenores sobre o assunto, cito apenas os nomes de Roberta Sá (ex-Fama) e Diego Moraes (ex-Ídolos) para refutar àqueles que criticam estes programas. Sim, meus amigos. Podem aparecer artistas ótimos nestes programas, é só questão de garimpar. E os próprios artistas usam da visibilidade dos reality shows para produzirem a música que lhes agrada, interessa, apaixona.

 O arrazoado acima foi elaborado para informar aos senhores que a cantora a ser tratada nesta resenha, Kat Edmonson, veio de um reality show musical muito famoso, o American Idol. Talvez, o pioneiro neste formato. A partir dele, a artista proveniente do Texas decidiu seguir a carreira de cantora, e desde então já está em seu terceiro álbum. The Big Picture, lançado em 30 de Setembro de 2014, segue a mesma tendência dos álbuns anteriores: um pop bem elaborado com pitadas de jazz, bossa nova, country e referências setentistas de bandas como Bread, Carpenters, The Doobie Brothers.

 Nos dois álbuns anteriores, a cantora recebeu boas críticas, com corriqueiras aparições na TV Americana e figurar no Top 20 da Bilboard, no estilo jazz. Ou seja, se The Big Picture segue a mesma tendência dos dois primeiros álbuns, certamente fará sucesso. De nossa parte, os comentários música por música demonstram que o álbum está muito interessante, ora apresentando familiaridades entre músicas, ora diferenciando-se em arranjos e vocais. Embora apresentada equivocadamente no terreno do Jazz, trata-se de um ótimo trabalho de Pop contemporâneo. Enfim, o que importa não são os rótulos, mas sim a boa música. Deguste!

 Vamos às músicas?

 “Rainy Day Woman” – possui um estilo mais pop contemporâneo, com ênfase no vocal um tanto excêntrico da cantora. Aliás, o timbre de voz dela parece com o da cantora do Cranberries, Dolores O’Riordan. Os instrumentos  aparecem aos poucos, na condição de secundários. Alguns momentos, a música soa bastante parecida com alguns fragmentos das canções da Amy Winehouse. Talvez essa seja uma das referências mais presentes de Kat Edmonson.

“You Said Enough” – continua aquele clima meio jazz-pop da primeira música, os instrumentos apenas servindo de base para que a voz de Kat transite pelos poros da música e do ouvinte.

“Oh My Love” – música romântica, agradável de ouvir, que parece ter como referência o jazz e o pop, com uma agradável referência à bossa nova.

“Avion” – Só pelo início, observa-se que esta canção foi criada para ser uma “música de trabalho”. Bem pop, palatável, para ser consumida por um público mais genérico. O início da canção é ótimo, mas o refrão torna ela um tanto enfadonha.

 http://songs.to/folk-k/bc545ee2e8643392ea2d4782021e04933f52fe0a

 “Crying” – uma base de piano no começo, aos poucos os outros instrumentos aparecem e dão a cara final à música. Tem uma sequência de notas  no refrão não convencionais, que causa até um certo estranhamento em razão do álbum apresentar uma certa linearidade nos arranjos. Tanto esta música quanto a anterior demonstram que a cantora está mais para o pop que para o jazz. Jazz é só o limãozinho no vinagrete da cantora.

 “All the Way” – uma música com arranjo mais simples, com dois violões solando e o vocal dela bem in natura, em relação às primeiras músicas. Nota-se também uma influência do country neste arranjo, lembrando em certo momento algumas canções da lendária banda americana Bread.

 “You Can’t Break My Heart” – Outro arranjo bem simples, mas possui sonoridade mais parecida com as primeiras músicas do álbum, embora não seja tão boa quanto.

 

 “Till We Start To Kiss” – Climinha jazz-tropical, essa canção me fez lembrar “This Masquerade”, do Carpenters. Bem se vê que a cantora possui várias referências norte-americanas da década de 70. É uma música interessante, que rompe (mas nem tanto) com uma uniformidade existente no álbum.

http://songs.to/folk-k/c8a71449b4cf57afed1af8ad1e8c9e5d4ed717e2

 “The Best” – Esta é “bonitinha”, e lembra os trabalhos da dupla She & Him. Apesar da referência a dupla, essa canção é apenas bem maquiada, não tem a mesma qualidade que a dupla americana.

 “Dark Cloud” – Novamente a cantora parece transitar por um caminho parecido com o produzido e inovado pela Amy Winehouse. Se você tá com saudades da Amy, vale a audição. Uma deliciosa música.

 http://songs.to/folk-k/fc3a35756799594a6a17305cdcb0b293f3833297

 “For Two” – Junto com “The Best”, as duas músicas mais fracas do álbum. Um arranjo de violão que acabou perdido entre uma  sequência lógica de notas e uma complexidade, não decidiu pra onde ir e ficou pelo caminho.

 “Who’s Counting” – Para fechar o álbum, uma canção que une o soft rock e o country. Como “All The Way”, o arranjo é bem parecido com o que o Bread produzia lá na década de 70. No fim das contas, Kat Edmonson faz uma viagem retrô pelas  highways norte-americanas, com a pitada certa de contemporaneidade.

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