2014 Indie Pop Resenhas

Liam Finn – The Nihilist (2014)

Um artista em construção

por brunochair

Parece um lenhador, mas não é. Parece um cara muito mais velho, mas possui apenas trinta e um anos. Não parece, mas é. O próprio. Liam Finn chega ao seu terceiro álbum, The Nihilist, em permanente construção. O artista neo-zelandês, filho de um músico que conseguiu alcançar prestígio tanto na Nova Zelândia quanto mundialmente na música pop (Neil Finn) entrega ao público um álbum bastante experimental. O maior detalhe talvez mencionado pelas críticas neste álbum é a quantidade de instrumentos que o artista fez uso nas gravações deste álbum: foram nada mais, nada menos que 67 diferentes instrumentos.

E mesmo os instrumentos mais comuns (digamos, os que aparecem com mais frequência) soam muito distintos, o que dá a sonoridade do álbum uma estranheza interessante, uma não repetição. Muito uso de sintetizadores, guitarra com reverb e fuzz a torto e a direito. É muito gostoso acompanhar, como ouvinte, essa multiplicidade de sensações que as músicas (seguidamente) nos trazem. Estamos completamente à deriva na imprecisão de Liam Finn.

Imprecisão que, muitas das vezes, pode ser avaliada como insegurança do artista. Realmente, Liam Finn não transparece estar convicto do terreno onde está pisando. Para muitos, trata-se de um defeito incorrigível; para alguns poucos, um artista em construção, passível de erros e acertos, mas que não tem vergonha alguma de demonstrar que está em processo.

Essa música, “Snug As Fuck”, é a terceira música do álbum. Tranquila, bem embalada, uma linha de baixo que agrada a todos os tipos de ouvidos/ouvintes. A música lembra um pouco Tame Impala – fato é que banda e artista estão no mesmo continente, fazem dream pop e… acho que as semelhanças param por aí. Fato interessante a se constatar é que há um “muro” dividindo o álbum: as primeiras cinco músicas são bem construídas, mas soam muito mais mainstream que o restante do álbum. Da sexta em diante, um ouvinte desavisado ou impaciente não conseguirá lidar tão bem com o experimentalismo escancarado. Uso de samplers, sintetizadores, dão às músicas uma cara mais estranha. E isso é ótimo! Ou não é? Cada qual com a sua opinião.

(aliás, belo clipe este aí de cima: fotografia, planos de fundo, cortes…)

A música que chama a atenção nesta primeira parte mais mainstream é a música “Burn Up The Road”. Ela foge da dinâmica do álbum (junto com “Wild Animal”) que é mais lento, introspectivo. Ela apresenta-se tão experimental quanto as demais músicas, mas parece ter uma precisão, uma finalidade. Realmente, foge dos padrões do restante das músicas. Algumas resenhas gringas dizem que é o tipo de música que o Coldplay sonha (ou sonhou) em fazer anos atrás, mas não conseguiu. Talvez, o maior acerto de Liam Finn neste novo álbum:

Outra “mainstream” do álbum que ganhou clipe é “Helena Bonham Carter”. É uma música bem quadradinha, parece que o artista até segurou um pouco o ímpeto experimental. É quadradinha? Sim. Mas é uma bela música:

As duas canções da parte mais experimental do álbum que valem destacar é “Miracle Glance” e “Wild Animal”. A primeira música citada é a mais longa, e a que usa maior número de recursos eletrônicos. A música é desconcertante. A voz de Liam Finn contribui para aumentar a estranheza. E assim os seis minutos e vinte e três segundos vão deslizando e sangrando ouvidos de ouvintes desavisados. Só os fortes e surdos sobrevivem.

“Wild Animal”, por sua vez, é uma música animada, com bastante guitarra com pouca distorção (pouca, ok?, mas tem).

Enfim, o álbum do Liam Finn é muito interessante. Bacana para quem gosta de indie/dream pop e para aqueles que preferem um artista inventivo, que não se coloca pronto, com um livro de truques e macetes para se fazer sucesso. É um artista em construção.

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