2014 Folk Resenhas Rock

Pain of Salvation – Falling Home (2014)

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Muito feeling e muita musicalidade em novo registro acústico e poderoso

Por Lucas Scaliza

Falling Home desce fácil. O novo disco da banda sueca de rock progressivo Pain of Salvation é extremamente musical e cheia de feeling, um registro acessível para quem não conhece o trabalho da banda ainda e uma obra que apresenta versões retrabalhadas e até surpreendentes de músicas já conhecidas.

Não é  a primeira vez que Daniel Gildenöw e Cia. gravam um acústico. Em 2004 eles lançaram o excelente ao vivo 12:5, que mostrava muitos clássicos da banda substituindo as guitarras pelos violões. Lá estavam “Second love”, “Undertow”, “Ashes”, “Oblivion ocean”, “Winning a war” e “This heart of mine”. A única canção que estava em 12:5 que é refeita em Falling Home é “Chainsling”.

O álbum abre com “Stress”, uma das músicas mais malucas que o PoS gravou no primeiro álbum, Entropia (1997), cheia de alternância de dinâmica e de compassos. A versão acústica mantém tudo isso e com roupagem não apenas roqueira, mas flertando muito com jazz. Tão logo começa, ouvimos o teclado fazer a citação de “The immigrant song”, do Led Zeppelin. É de abrir um largo sorriso já de saída. “Linoleum”, da fase mais recente da banda, ganhou contornos mais suaves, sobretudo nos refrãos, mas mantém passagens que nos lembram da agressividade da gravação original.

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Já “To the shoreline” e “1979”, ambas de Road Salt Two (2011), permanecem fiéis à gravação original, que já contava com violões e o formato canção que geralmente é facilmente transposto para o formato acústico. O vocal do novo guitarrista, Ragnar Zolberg, é posto à prova no refrão de “To the soreline” e passa com louvor. “Chainsling”, uma velha conhecida, também muda pouco, mas ganha nuances mais agressivas neste disco do que na versão de 12:5, mais uma vez com Zolberg assumindo os vocais mais altos.

“Mrs. Modern Mother Mary” e “Flame to the moth”, ambas de Scarsick (2007) também se parecem bastante com suas versões originais. Na primeira, mantiveram o compasso complicadinho e os violões soam como um teclado, criando uma redoma suave e até um pouco psicodélica. Para a segunda, cortaram um trecho agressivo demais que não ficaria bem no formato acústico. Usam também bastante da escala menor melódica, dando um ar todo espanhol a certos trechos da reinterpretação. Ficou interessante, mas fica aquele sentimento de que poderia ter sido melhor.

“Spitfall”, também do disco Scarsick, é originalmente um rap para criticar artistas de rap que acabam se tornando muito artificiais e hipócritas. Como transformar isso em uma boa faixa acústica? A solução encontrada pelo PoS, pelo menos neste caso, foi abortar o speech do rap que havia nos versos da música para um tipo mais narrativo de cantar e com arranjos que adaptam muito bem o papel de guitarra, baixo e teclado na gravação original.

Há dois covers em Falling Home. “Holy Diver”, de Ronnie James Dio, virou uma versão jazz bastante diferente da original e é uma das surpresas do disco. “Perfect Day”, de Lou Reed, continua sendo uma balada emocional que ficou excelente na interpretação vocal de Gildenlöw. A musicalidade da banda é tão grande que fazem u ótimo trabalho seja mantendo a canção em seus parâmetros originais como imaginando-a totalmente diferente.

Fechando o acústico, “Falling Home” é uma balada folk, bastante levada pelos violões e que ganha corpo com os vocais agudos de Zolberg. O PoS já gravou várias baladas, mas essa é a que soa mais como uma canção pop acessível.

Falling Home está pronto há vários meses, mas está sendo lançado só em novembro devido a uma série de problemas enfrentados pela banda, incluindo uma internação por quatro meses devido a uma infecção de bactéria carnívora que começou a devorar as costas de Gildenlöw. Recebeu alta, voltou para casa, para sua esposa e seus três filhos, mas por pouco tempo. Engatou logo shows pelos Estados Unidos (com tempo para se esbaldarem por Nova Iorque) e alguns outros pela Europa (foram até headliners em um festival polonês e tocaram no Be Prog My Friend em Barcelona, em um lineup que tinha também Opeth e Anathema).

Embora não seja um esperado álbum de inéditas do Pain of Salvation, Falling Home sacia a sede por algum material novo da banda. E é um acústico que vale a pena. Toda a variada musicalidade só nos deixa mais ávidos para saber qual será o próximo passo do grupo, que tem o costume de não se repetir e encarar cada novo disco como uma obra única, reproduzindo apenas a essência estética que o PoS mantém desde sempre.

POS

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11 comentários em “Pain of Salvation – Falling Home (2014)

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