2014 Eletronica Indie Resenhas Rock

Blueneck – King Nine (2014)

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Um pouco post-rock e um pouco música ambiente, sem pressa de fazer as coisas acontecerem

Por Lucas Scaliza

O Blueneck é uma banda relativamente desconhecida do grande público. Não possuem nem uma página na Wikipedia, para se ter uma ideia, mas tem prestígio no underground europeu, no circuito alternativo. Admiradores de rock progressivo – principalmente fãs de Steven Wilson e Porcupine Tree – conheceram essa banda de Bristol recentemente por intermédio do fotógrafo e videomaker dinamarquês Lasse Hoile, que já fez inúmeros trabalhos para Steven Wilson e suas turmas. Hoile foi contratado para percorrer os rincões do interior dos Estados Unidos e fotografar algumas paisagens desoladas, melancólicas, o abandono do país após toda a crise mundial. O fotógrafo ia mantendo os fãs informados de sua jornada e postando algumas fotos muito interessantes. As imagens ilustram o encarte de King Nine, o quinto disco do grupo inglês, sucessor de Scars of the Midwest (2005), The Fallen Host (2009) e Repetitions (2011) e do miniálbum instrumental Epilogue (2012).

King Nine é mais uma experiência de fronteiras. Um pouco post-rock e um pouco música ambiente, sem pressa de fazer as coisas acontecerem, deixando notas reverberarem e apostando muito na criação de atmosferas. “Mutatis”, a música mais longa do disco, leva mais de 6 minutos para chegar ao seu ápice com guitarras distorcidas. Até lá, mantém a dinâmica sob controle, o vocal etéreo e um piano repetitivo, dando aquela sensação de ciranda ou de minimalismo. Há também um longo solo de trompete, cheio de notas longas.

Blueneck-2014-photo-by-Alx-Leeks

O disco é bonito e flui com uma certa densidade lamacenta. Os vocais de Duncan Attwood (também pianista e guitarrista) são sempre suaves e quase beiram o fantasmagórico, que é uma sensação que permeia todo o disco, desde sua arte gráfica até a música em si, passando pelo fato que inspirou todo o trabalho: um episódio da série de suspense sobrenatural Além da Imaginação.

“Counting out” é a música que abre o disco segurando o ritmo no piano, na bateria e depois com o guitarra carregada de efeito para fazer suas notas sobressaírem. A arrastada “Sirens” só se permite alguma fluência quando chega à metade. Já a faixa-título é uma das mais assombradas do registro.

Musicalmente, King Nine incorpora elementos da música eletrônica, principalmente ruídos e algumas batidas, como faz Trent Reznor em suas trilhas sonoras e no Nice Inch Nails, e traz mais trechos orquestrados, que contribuem com a criação das atmosferas do disco e reforçam o clima de abandono do álbum. Vários instrumentos e principalmente a voz parecem soar filtrados por um onipresente efeito de reverb, criando uma sensação especial para cada faixa que reforça a impressão do vazio pretendido pela música.

A densa melancolia de cada música, presente até mesmo na vibrante “Father, Sister”, chega ao seu ápice em “Spiderlegs”. Sem percussão e sem piano, é uma faixa que se sustenta num pesaroso naipe de cordas que vai ficando cada vez mais pesado. King Nine não chega a apresentar momentos felizes, mas o cenário de desolação dá espaço para um colorido (de leve) no final da ótima “Anything other than breathing”, que encerra o disco.

O novo trabalho do Blueneck pode ser a porta de entrada da banda para um público maior. Seu post-rock com orquestração e elementos eletrônicos soam como uma mistura de Anathema e Engineers, ambas bandas inglesas e um tanto diferentes entre si mas que dão pistas do que o Blueneck está almejando. Estilisticamente, King Nine é bastante consistente e possui uma sonoridade que se mantém ao longo das nove faixas. Não são músicas que prezam por qualquer tipo de virtuosidade ou ênfase muito acentuada nos instrumentos, estão mais preocupados com a ambiência sonora de uma forma geral. Por isso é difícil saber se vão emplacar entre os fãs de rock/metal progressivo, fãs de música ambiente ou algum outro público. Ficaremos de olho.

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