2014 Indie Nacional Resenhas Rock

Thiago Pethit – Rock’n’Roll Sugar Darling (2014)

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Novo trabalho é instigante, sensual e tem produção esmerada de Adriano Cintra e Kassin

Por Lucas Scaliza

Thiago Pethit tem essa coisa do cancioneiro afrancesado que mistura inglês e português, que se preocupa com a qualidade dos versos, com a poética, com a rima e com a transgressão. Transgressão, sim, pois quem ouve o primeiro disco Berlim, Texas (2010), o segundo Estrela Decadente (2012) e o recém-lançado Rock’n’Roll Sugar Darling percebe a mudança no som e na imagem.

O primeiro disco era muito mais folk indie, aquele artista que grava com economia de recursos mas que quer deixar tudo bem feito. O segundo, já com uma boa banda no estúdio e ao vivo, vem com cara de cabaré, com cara de curtição, com participações especiais acertadas e maneirismos estilísticos combinados com um pop que torna tudo mais interessante. No novo disco ele rasga com a calmaria do primeiro e eleva seu lado rock’n’roll ao protagonismo. Mas como tudo em toda a discografia dele até aqui, soa afetado. Afetadíssimo. Não é a toa que ele declarou que Rock’n’Roll Sugar Darling é um rock de batom, um rock viado. Remete a Iggy Pop, remete a algo de glam, remete ao pop sujo, bem underground, bem lascivo, bissexual. Batom rosa sobre jaqueta de couro com guitarra fodida em Los Angeles. Afetado, sim, mas isso é parte da graça de ouvir Thiago Pethit, ver seus clipes e vê-lo ao vivo.

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Se você gostaria de ver Pethit mais amuado, mais introspectivo e mais folk para apenas meia dúzia de indies tristes num bar da Augusta (imaginando que isso dava um ar de cult a ele), esqueça. A estrela é decadente mais tem que brilhar. Entretanto, se gostou da musicalidade expressa com o álbum anterior, vai fundo que o novo disco é para você. O cantor e compositor está mais provocativo do que nunca e ainda soa alternativo. Não é possível saber se a imagem roqueira é que vai vingar em seus próximos discos, mas nesse momento a imagem lhe cai muito bem.

Se Berlim, Texas lembra o cancioneiro na janela, tocando para você e para a lua, e o Estrela Decadente é para teatros e casas com cortinas vermelhas e iluminação baixa, o novo disco é noturno, para estradas, para ouvir no carro perambulando por zonas povoadas, mal faladas e iluminadas por letreiros de neon. Bem visual, não é? Logo na primeira música ele cantar “Doce com açúcar/ Explode na sua boca/ Vem chupar meu rock’n’roll”. E dá-lhe um solo de guitarra. Um começo instigante.

Em “Romeo”, que ganhou um vídeo bem sensual, ele coloca um ritmo pulsante e uma guitarra com reverb para nos dar uma sensação meio western que dá o clima para a estrada. E dá-lhe versos excelentes, como: “Baby, eu acho foda quando você passa” e “Você foi o mais perto que eu cheguei de morrer”. E ele pesa a mão de vez em “Quero ser seu cão”, com bateria forte (reforçada por uma batida eletrônica) e guitarras estraladas. “1992” é uma das melhores faixas de Rock’n’Roll Sugar Darling. Enquanto a bateria e o baixo seguram o ritmo e o pulso, a guitarra fica livre para criar uma ambiência sonora enervante, misteriosa e viajante. O Nick Cave dos anos 80 ficaria orgulhoso.

Tudo no novo álbum vem revestido de jaqueta preta, mas com perfume e unhas bem esmaltadas. Com produção e instrumentação feita em boa parte pela dupla Adriano Cintra (ex-CSS) e Kassin, a sarjeta de Pethit ganhou contornos bem rebuscados. E nada soa forçado ou experimental demais. As características de Pethit, desde seu estilo vocal até a libido que às vezes transpira das canções, estão ali. “Honey Bi” é um excelente blues sujinho. “Save the last dance” é mais um exemplo da boa mão da dupla Cintra e Kassin para mesclar elementos de banda com programação eletrônica. E o disco fecha com a excelente valsa de crime passional “Story in blue”, um dos melhores exemplos de como Pethit mistura bem o inglês com o português.

Verdade seja dita: embora eu tenha achado Estrela Decadente muito bom, Rock’n’Roll Sugar Darling é melhor, mais vigoroso e melhor produzido. Eu disse que era um disco para a noite, para as estradas. Mas também é para os acostamentos, para os banco de trás, para noites quentes, quartinhos de motel. Um disco e tanto.

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4 comentários em “Thiago Pethit – Rock’n’Roll Sugar Darling (2014)

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