Especial Metal Resenhas Rock

Bruce Dickinson – Balls To Picasso (1994)

ballstopicasso1

Disco com o clássico do rock “Tears of the Dragon” completa 20 anos em muito boa forma

Por Lucas Scaliza

O que é:

Balls To Picasso é o segundo álbum solo de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, lançado em 1994. É o primeiro disco solo de Bruce já fora do Maiden.

Histórias e curiosidades

Foi só em 1996 que Bruce Dickinson iria dar um susto em fãs e mudar bastante seu estilo e abandonar momentaneamente o heavy metal, mas em 1994 ele lançou Balls To Picasso, seu segundo disco solo de hard rock que continuava a dar indícios de como o inglês queria explorar uma musicalidade mais aberta que não era possível adentrar no Iron Maiden, banda que Bruce deixou após o exitoso Fear of The Dark, em 1993.

Em uma entrevista na época do lançamento do disco, Dickinson diz que seu primeiro disco solo Tattooed Millionaire (1990), gravado enquanto ele ainda estava no Maiden, foi divertido de fazer mas não era algo assim tão sério. Tattooed era um disco de rock, mas bebia das influências do rock setentista e oitentista. Ele também confessa que sempre foi um fã de Peter Gabriel, mas não de Genesis. Diz que a música estava mudando, a sociedade estava mudando e ele próprio mudava – uma série de mudanças que o levaram a gravar seu primeiro álbum, que é bem agressivo, mas nada perto do que fazia com o Maiden e com uma pegada de homenagem e reverência às suas influências. Tinha até um cover de David Bowie para “All the young dudes”.

ballstopicasso2

Em Los Angeles, Bruce Dickinson conheceu o guitarrista e compositor Roy Z, da banda Tribe of Gypsies, e foi com essa parceria e com esse time – acostumado às guitarras mais pesadas – que nasceu Balls To Picasso. Não foi tão simples assim, pois Bruce precisou gravar o disco três vezes até chegar ao resultado final. Antes de Roy Z e sua banda entrarem na parada, ele tocou com uma banda britânica chamada Skin. Depois com o músico e produtor Keith Olsen. É por isso que a versão deluxe lançada em 2004 contém um segundo disco com 16 músicas bônus, todos b-sides dessas outras sessões de gravação.

Em 1994, Bruce dizia como estava cansado do Maiden, embora gostasse da banda, dos fãs, dos companheiros de banda. Em sua opinião, ele estava fazendo o mesmo tipo de música há 12 anos e queria algo diferente – e algo diferente é o que o Maiden não faria. Dizia que o esquema para o Maiden era sempre o mesmo: lançar álbum, sair em turnê, lançar álbum, sair em turnê, vender discos para as mesmas pessoas e nunca para um público diferente. As coisas sempre iam bem na Europa, mas a América do Norte sempre foi um mercado complicado para a donzela de ferro.

Comercialmente, Balls To Picasso vendeu em seu primeiro mês a metade do que Tattooed Millionaire vendeu, mas o disco foi se espalhando e continuou vendendo ao logo do tempo. E “Tears of the Dragon”, a faixa mais longa e mais bem feita do disco, se tornou um clássico do hard rock, imediatamente reconhecível por seu dedilhado no violão, seu refrão forte e pelo solo de guitarra caprichado de Roy Z.

Aliás, o Tribe og Gypsies teve uma oportunidade de aparecer na cena rock’n’roll de Los Angeles e dos EUA como um todo após a colaboração com Bruce Dickinson. Segundo Roy, a história foi a seguinte: a Tribe estava gravando em um estúdio chamado Good Night L.A. durante a noite e a madrugada, uma forma de pagar menos pelas horas de estúdio. O lugar era do produtor Keith Olsen. Um dia, o engenheiro de som pediu que Roy chegasse mais cedo porque Bruce ia tirar um dia de folga. Quando o guitarrista chegou, viu Bruce curtindo o som da Tribe of Gypsies. Essa amizade gerou não somente Balls To Picasso, mas também os grandes Accident of Birth (1997), Chemical Wedding (1998) e Tyrany of Souls (2005).

Músicas e destaques

“Cyclops”: com quase 8 minutos de duração, é uma faixa que flerta com o heavy metal e mantém um intenso clima de mistério. Ela abre Balls To Picasso assinalando o quanto o trabalho será diferente do álbum anterior e dando um tom mais sério e grave para a sua música em carreira solo.

“Hell No”: misturar hard rock com passagens flamencas, uma dessas experiências que nunca seriam bem aceitas pelo Maiden e pelo público da banda. Mas Bruce e Roy Z fazem isso sem afetação. Há escala menor harmônica, mas há muita distorção também.

“Change of heart”: mais uma vez vemos em ação a escala menor harmônica para uma balada cheia de sentimento e que se permite trazer elementos de outras culturas para o disco. Isso faz sentido: Bruce é inglês, Roy Z tem ascendência mexicana e tudo foi gravado em Los Angeles, grande cidade cuja maior parte da população é ou tem ascendência latina.

“Shoot all the clowns”: menos tensa e menos sombria, mas ainda com guitarras nervosas e um vocal rasgado de Bruce Dickinson e uma passagem em rap.

“Sacred cowboys”: além da boa letra, apontando o dedo na cara da sociedade, é uma música que combina riffs acelerados com versos em speech de rap também e um grande refrão.

“Tears of the Dragon”: melhor música do disco e a mais famosa da carreira solo de Bruce Dickinson. Feeling e técnica extraordinários. A música fala, alegoricamente, da saída do vocalista do Iron Maiden. Roy Z conta que se inspirou em “Hotel California”, dos Eagles, e em “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin, para gravar o solo dessa música. Ele queria algo que conseguisse transcender o tempo. Ele conseguiu!

Passa no teste do tempo?

A carreira solo de Bruce Dickinson iria se consolidar alguns anos mais tarde, quando o inglês se voltou para o heavy metal em Accident of Birth e The Chemical Wedding, mas entre 1993 e 1994 ele queria se distanciar do metal e dos clichês do gênero. Balls To Picasso é um disco bem legal de hard rock com elementos do metal e outros elementos étnicos que realmente se distancia do Maiden. “Tears of the Dragon” é um destaque, uma música maior do que o álbum, mas o disco em si vale a pena até hoje. Acredito que chega aos 20 anos em boa forma. Acredito que as experiências em Balls To Picasso levaram não só a uma maior ruptura com Skunkworks, mas a maturidade musical dos três últimos discos da carreira solo.

6 comentários em “Bruce Dickinson – Balls To Picasso (1994)

  1. Pingback: Torre de Babel – O Homem da Montanha (2015) | Escuta Essa!

  2. Pingback: Cradle of Filth – Hammer Of The Witches (2015) | Escuta Essa!

  3. Pingback: Grace Potter – Midnight (2015) | Escuta Essa!

  4. Pingback: Iron Maiden – The Book Of Souls (2015) | Escuta Essa!

  5. Pingback: Queen – A Night At The Opera (1975) completa 40 anos | Escuta Essa!

  6. Oi, Alguem sabe dizer o por que do nome “Balls To Picasso”?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: