2014 Resenhas Rock Soul

Curtis Harding – Soul Power (2014)

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Soul Power rock’n roll music

por brunochair

Há uma tendência dos ouvintes da soul music a privilegiarem artistas contemporâneos que estão procurando resgatar aquela sonoridade antiga, que ficou perdida lá em fins da década de 70 através das novidades que surgiam das produtoras Motown e Stax. Ao mesmo tempo, estes novos artistas que estão sendo reverenciados e procurados pelos ouvintes não ficam somente atrelados ao passado – procuram também dialogar com novas possibilidades e tendências musicais.

A partir desta reflexão, podemos citar como exemplos o Lee Fields, cantor americano que ficou no ostracismo por décadas, e que ressurgiu com ótimas letras e amparado por uma excelente banda que o acompanha, The Expressions. Outro exemplo é o D’Angelo: é um artista mais jovem que o Lee Fields, que se destacou por resgatar a sonoridade da soul music e do R&B e dar a ele novas roupagens, trazendo também o hip-hop e o jazz como importantes influências.

Em 2014, outro músico tornou-se importante nesta busca por uma essência retrô, dialogando com elementos mais contemporâneos: trata-se de Curtis Harding. Soul Power é o disco de estreia de um artista que não é tão inexperiente assim: desde pequeno já iniciava sua trajetória musical, cantando em igrejas (destino meio comum de talentosos artistas norte-americanos). Anos atrás, outra experiência interessante: tornou-se backing vocal de Cee Lo Green, conhecido cantor americano.

Harding, por contar com essa experiência de backing vocal e ser “cantor da noite” em conhecidos bares americanos, já possuía um certo conhecimento da cena musical. O conhecimento da cena e da música talvez tenham amadurecido o músico, e isso fica notório em Soul Power. Há experiências, há elementos distintos dentro do álbum, mas há maturidade – o músico parece conhecer bem o caminho que pretende trilhar.

Nesta entrevista, Harding afirma que a intenção de Soul Power era atrair não só os amantes da soul music, mas também de outros estilos. Não criar uma música segmentada, portanto. E, durante a audição das doze faixas, essa proposta de ser um álbum para além de estilos fica mais evidente.

O álbum possui diversos elementos do soul? Sim. Mas é um álbum em que há uma presença marcante da guitarra, o que torna o álbum rock’n roll. Outra observação interessante a se fazer é a de que há soul (alma) em todas as músicas, mas é um soul mais “seco”, sem muitos rodeios.

É direto ao ponto, faz arrepiar pelas mensagens e pela qualidade das músicas, e não especificamente por UMA mensagem, UM riff de guitarra, UM falsete bem empregado. É o conjunto e a simplicidade que ditam a categoria de Soul Power. É um álbum que reverencia o passado, mas também projeta o presente, dialoga com ele. Por conta desses elementos, tornou-se um dos álbuns bastante elogiados do ano que encerrou há alguns dias.

Músicas que se destacam:

“Heaven’s On The Other Side” – essa é uma das músicas que mais remete a um som retrô. Guitarra com groove funkeado, baixo numa marcação própria da disco music. Na mesma linha, temos também “Keep On Shining”, um pouco mais acelerada que a anterior, mas com elementos bastante parecidos.

“Surf” – Mostra a tendência rock’n roll do álbum. Guitarra muito forte, com Harding empregando um vocal diferente das músicas anteriores, mais visceral.

“I Don’t Wanna Go Home” – é uma música de um cantor soul, mas poderia passar tranquilamente como uma punk rock song. É simples, voraz, direta.

“The Drive” – Música bastante diferente das demais. Um arranjo mais futurista, com baixo e bateria fazendo a marcação no início, com efeitos surgindo no decorrer da música, incluindo aí licks de guitarra.

“Next Time” – Abre o álbum Soul Power. A canção apresenta todos os elementos aqui discutidos: categoria, simplicidade, uma mistura de rock e soul. Para quem curte uma boa música, sem rodeios e frescuras. Um criativo e interessante álbum de 2014.

5 comentários em “Curtis Harding – Soul Power (2014)

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