2014 Pop Resenhas Rock Soul

St. Paul & The Broken Bones – Half the City (2014)

st-paul-and-the-broken-bones-half-the-city

Banda soul retrô capitaneada por um santo nerd com terno e óculos de garrafa

por brunochair

Outro début interessante do ano de 2014 foi de uma banda de soul chamada St. Paul & The Broken Bones. Trata-se de uma banda do Alabama composta por sete elementos brancos que tocam música de negro e que tem como seu frontman o tal St. Paul (Paul Janeway): um santo nerd que usa óculos fundo de garrafa, ternos escuros para se ir à missa no domingo e é detentor de uma voz beatificante.

Paul Janeway foi criado em um ambiente bastante religioso, ouvindo música gospel e seguindo os preceitos cristãos para tornar-se (quem sabe) um pastor. A ideia não seguiu adiante, mas o poder da música gospel foi predominante na formação musical de St. Paul, o agora líder da banda St. Paul & The Broken Bones. Obviamente, é um caminho até comum para tantos outros artistas americanos – ter tido o contato com a música através da igreja. Aretha Franklin, Etta James, Ray Charles (só para citar os grandes monstros) puderam conhecer a música por este caminho.

Os demais integrantes também foram influenciados pela música negra do sul dos Estados Unidos, sobretudo pelo soul. Em 2012, os integrantes decidiram iniciar os trabalhos pela banda, tocando em bares especializados do Estado do Alabama. As apresentações ganharam destaque, tanto pela qualidade da música quanto pela vivacidade e euforia de Paul Janeway no palco – dançando, cantando, em determinados momentos das canções até se emocionando.

Aí estão as principais características do St. Paul & The Broken Bones: uma alusão à época de ouro do soul americano (décadas de 60 e 70) juntando-se a enérgica, poderosa e vibrante voz de Paul Janeway, que procura resgatar a identidade dos melhores vocalistas da soul music. No caso dele, cantores que tem um timbre e qualidade parecidas são Otis Redding e Al Green (veja só, ser comparado com esses duas feras não é pouco).

St. Paul & the Broken Bones.  Photo by Sundel Perry.

O álbum Half the City foi produzido por Ben Tanner, que é o tecladista do Alabama Shakes. Nota-se, a partir dessa informação, que há um pouco de comum entre o St. Paul & The Broken Bones e o Alabama Shakes: a proposta musical, de reavivar o soul de qualidade produzido nos anos 60 e 70, é preponderante. É óbvio que há diferenças musicais: o Alabama Shakes está muito mais calcado no blues, com a guitarra da vocalista Britanny Howard ditando o ritmo de boa parte das músicas. No St. Paul & The Broken Bones há mais flerte com o funk e o jazz do que com o blues, embora entre ambos haja o soul e a forte presença de palco de ambos os vocalistas.

As críticas que surgiram a Half the City (consequentemente, a banda) é parecer estar refém deste modelo vintage, retrô. Embora todas as músicas sejam inéditas e escritas pela banda, todas as composições possuem essa pegada de “reverenciar o passado”. A partir disso, não criam uma identidade com o presente e o futuro, condição que Lee Fields e Curtis Harding conseguiram transpor em seus discos. Também critica-se o “excesso de soul” do vocalista Paul Janeway, como se tanta emoção não fosse um sentimento, mas sim algo provocado, maquiado.

Críticas à parte, é um belo e criativo álbum de uma banda jovem, que parece ter muito o que apresentar para o público.

Músicas:

“I’m Torn Up”: É a primeira música de Half the City. A temática aparecerá em várias músicas do álbum: a solidão, o amor não correspondido. Paul Janeway abre a caixa de ferramentas com brilhantismo, aliando a técnica vocal ao sentimentalismo.

“Call Me”: Terceira música do álbum, é a mais “quadradinha”. Não é à toa que foi escolhida como a música de trabalho da banda, obtendo um relativo sucesso. O clipe é bonitinho, interessante, mostra o St. Paul mexendo o esqueleto (estilo James Brown), uma bela moça com uma roupa vintage… é divertido.

“That Glow” e “Broken Bones & Pocket Change”, quinta e sexta músicas do álbum, trazem elementos diferentes para a sonoridade da banda. Os arranjos conseguem escapar dessa tendência de estar preso ao passado, e por conta disso ganham destaque e uma audição mais atenta: será este o futuro que a banda tomará, para os próximos álbuns?

Se você chegou até aqui, gostou da banda. Então, segue o Half the City na íntegra para audição:

3 comentários em “St. Paul & The Broken Bones – Half the City (2014)

  1. Pingback: The Suffers – The Suffers (2016) | Escuta Essa!

  2. Pingback: Lake Street Dive – Side Pony (2016) | Escuta Essa!

  3. Pingback: St. Paul & Broken Bones – Sea Of Noise (2016) | Escuta Essa!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: