2015 Jazz Live/Ao vivo Resenhas Rock

King Crimson – Live At The Orpheum (2015)

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Curtinho, mas empolgante

Por Lucas Scaliza

Quase 50 anos após a estreia do grupo com o clássico In The Court of The Crimson King e 12 anos após o último trabalho inédito, The Power To Believe (2003), o grupo de rock progressivo e fusion King Crimson ainda está na ativa e mostra vigor e quebradeira rítmica em seu novo ao vivo, Live At The Orpheum.

A carreira do grupo sempre foi irregular. Apenas o guitarrista e compositor Robert Fripp nunca deixou o grupo. Todos os outros músicos sofreram rotações no lineup, alguns permanecendo por algum tempo e voltando anos depois, outros participando apenas por um período e nunca mais dando as caras na banda.

Para a volta da banda aos palcos e gravação deste ao vivo, Fripp contou com músicos de respeito: Mel Collins (que já esteve na banda entre 1970-72) na flauta e no saxofone, Jakko Jakszyk nos vocais e guitarras, Tony Levin (Peter Gabriel, Liquid Tension Experiment) no baixo e nos vocais e nada mais do que três grandes músicos na bateria e percussão: Pat Mastelotto (participando do grupo desde 1994), Gavin Harrison (Porcupine Tree) e Bill Rieflin (Nine Inch Nails e R.E.M.)

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Não é um ao vivo com os clássicos da banda ou com 3 horas de duração. Longe disso, Live At The Orpheum tem apenas 41 minutos e sete faixas. Dessas, apenas “Starless”, do álbum Red (1974) pode ser considerada um clássico, com seus 12 minutos de duração. É um ao vivo muito bom, mas poderia ter sido expandido facilmente, pois todos os shows da mais recente turnê da banda foram gravados. Escolheram então os shows de 31 de setembro e 1º de outubro no Orpheum Theater, em Los Angeles, para este lançamento. Fica a torcida para que um dia lancem alguma performance completa, porque se tem algo que este pequeno ao vivo faz bem é nos deixar com água na boca por mais King Crimson.

“One more red nightmare” já traz o clima fusion/progressivo da banda. A presença de três bateristas – mais uma excentricidade de Fripp – não deixa a execução no palco demasiada carregada de batidas, bumbos, pratos e tambores. Com três experientes músicos, souberam dividir suas partes em cada seção de música para criar uma rítmica excelente que ressalta as passagens mais quebradeira do grupo. E cada um deles está mixado em um lado dos falantes, o que mostra o cuidado como a banda quer que o som chegue até seus ouvintes.

Em “The ContruKtion of Light”, os arpejos simultâneos de Fripp e Jakszyk também tiveram extracuidado na mixagem final: de um lado do fone/falante, a guitarra de Fripp; de outro, a de Jakszyk. E como cada um toca uma nota do dedilhado no intervalo do outro, o efeito que isso cria ao vivo é admirável.

Mel Collins e seu saxofone desempenham um papel crucial na banda. Enquanto Fripp se concentra mais na base, nos fills e em seus riffs característicos, sobra para Collins o papel de ser o instrumentista solo por excelência. Ele não apenas toca bem, mas complementa a experiência fusion do ouvinte. Fãs de Steven Wilson identificarão logo que foi do King Crimson a ideia de usar flauta, sax e clarinete pelo compositor inglês principalmente no excelente The Raven That Refused to Sing (2013).

Não perca por nada as faixas “The letters” e “Sailor’s tale”, duas peças com solos coletivos de todos os músicos. Se “The ContruKtion…” não te convenceu da qualidade rock/jazz do grupo, talvez este pequeno momento do show te faça crer que Fripp e seu King Crimson ainda possuem talento e potencial para instigar muitas bandas.

“Starless” coroa esse curto registro com uma execução precisa e que confia na atenção e na sensibilidade do público. Uma seção mais calma, com guitarra dissonante e um incrível acompanhamento do baixo de Levin, a faixa evolui para um rock mais acelerado e então volta ao seu tema principal, executado em dueto por Fripp e Collins. A faixa termina meio bruscamente, sem os aplausos da plateia, o que dá uma sensação de incompletude. Fica a torcida para o King Crimson lance uma versão completa do show algum dia.

O Tony Levin fez um diário online dos ensaios e shows da nova fase do King Crimson. Se você quer conhecer melhor a banda ou adora bastidores, vale a pena conferir.

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18 comentários em “King Crimson – Live At The Orpheum (2015)

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  2. belo texto! eu tava os dois dias no Orpheum.. e ainda vou ter esse lindo vinil pra recordar um pouquinho dos shows mais fantásticos da minha vida 🙂

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