2015 Eletronica Metal Rap/Hip-Hop Resenhas Rock

Enter Shikari – The Mindsweep (2015)

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Um disco que se aproveita por inteiro e mostra que o nu (new) metal não morreu

Por Lucas Scaliza

O quarteto inglês Enter Shikari chega ao quarto disco da carreira, The Mindsweep, aparentemente sabendo muito bem onde pisa. A mistura de rock, nu metal, dubstep e várias outras vertentes eletrônicas do grupo convivem e se aglutinam muito bem com melodias bem feitas e que grudam no ouvido. Também há os vocais gritados, como se tentassem fazer um vocal gutural do death e trash metal, mas não tem a mesma gravidade, e aí é uma questão de gosto. Eu, particularmente, acho dispensável, mas não prejudica e nem tira o brilho das várias ótimas passagens de The Mindsweep.

Há ecos de Linkin Park, de punk rock e até de System of Down e Slipknot no álbum, mas é uma época em que o nu (ou new) metal passa por uma certa crise. Mesmo o Linkin Park voltou a um tipo mais básico e pesado de rock em seu último disco, The Hunting Party, deixando os elementos eletrônicos um pouco de lado. E o Papa Roach, com oito álbuns na bagagem, também resolveu superar essa sonoridade e apostar em um tipo diferente de peso, como mostra F.E.A.R (2015).

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Mas aí é que está: o rock e a música eletrônica tiveram diversos desdobramentos interessantes fora do nu metal e do industrial, mas o Enter Shikari resolveu comprovar que o estilo pode ser legal e interessante, desde que a tarefa de casa seja feita. Ou seja: fica bom se as composições forem boas. E de maneira geral, The Mindsweep é um excelente disco totalmente calcado em hard rock, eletrônica e rapcore como há muito tempo eu não ouvia.

Há muito poder nas composições. “Never let go of the microscope” com seu ótimo rapcore que explode lá pela metade. “The last Garrison” e “Myopia”, com dois dos melhores refrãos do disco. O equilíbrio entre peso e melodia de “The one true color”, o jeito acelerado e urgente de “There’s a price in your head” (muito próxima do System of a Down) e o dubstep pesado de “Slipshod”.

É um disco cheio de som que nunca deixa a bolar cair. São 13 músicas que somam apenas 47 minutos de áudio, mas a sensação é de ter ouvido muito mais, tamanha é a diversidade de partes de cada música. Não quero fazer parecer que The Mindsweep é um clássico do gênero ou uma obra inovadora dentro do estilo, mas é o tipo de álbum que nos faz perceber como uma banda pode amadurecer e ressuscitar um estilo não em apenas meia dúzia de boas gravações, mas com um disco que se aproveita por inteiro. A única barreira é o gosto pessoal do ouvinte: gosta de nu metal, de vocais agressivos misturados com vocais limpos e melodiosos, da interação entre batidas eletrônicas e programações de computador com guitarras distorcidas? Então o novo trabalho do Enter Shikari é totalmente para você. Nunca foi muito fã do estilo? Dê uma chance, há passagens realmente boas.

O rock não morreu, nós sabemos. E se depender do Enter Shikari, o nu metal também não.

3 comentários em “Enter Shikari – The Mindsweep (2015)

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