2015 Metal Resenhas Rock

Red – Of Beauty And Rage (2015)

cover

Disco tem timbres modernos e pegada poderosa

Por Lucas Scaliza

A banda é cristã, mas só ouvindo você pode nem desconfiar disso. Riffs pesados com orquestrações ao estilo Muse, vocais agressivos que lembram o de Marilyn Manson e do Slipknot, passagens mais melodiosas lembrando o new metal do Linkin Park, e uma pegada modernosa, como apresentado pelo Enter Shikari. Ainda que várias referências possam ser citadas para dar uma ideia dos elementos que fazem parte da sonoridade de Of Beauty and Rage, o quinto disco da banda americana Red (ou R3D), eles conseguem entregar um trabalho bastante coeso, poderoso e de personalidade.

Quem já conhecem o trio de Nashville, já sabe que seu som é uma mistura de beleza triste (como em “Of these claims”), agressividade (“Impostor”, “What you keep alive”) e grandes refrãos (como nas ótimas “Shadow and soul” e “Darkest part”). Já as letras não tratam de Pai, Filho e Espírito Santo diretamente. São temas pessoais ou universais que podem ser alegoria para significados mais elevados religiosamente falando. Neste sentido, são letras muito parecidas com as das bandas brasileiras de rock cristão Rosa de Saron e Oficina G3. É o secular a serviço do divino, portanto. E acredito que boa parte do sucesso do Red (e das brasileiras citadas) se deve a essa habilidade de não abandonar seu intuito ético (a mensagem religiosa), mas saber apresentá-lo não como doutrinação, o que aumenta as chances de a mensagem chegar a ouvidos menos crentes.

Red (1)

Of Beauty and Rage deve agradar fãs da banda e até quem está chegando agora. O guitarrista Anthony Armstrong inunda o disco com timbres bem graves de guitarra e efeitos de distorção e overdrive bastante modernos. Nada de vintage aqui. Randy Armstrong, o baixista, não tem muito espaço para brilhar sozinho, mas executa muito bem suas partes e realmente engrossa o caldo sonora da Red. Para quem não gosta de timbres estridentes e prefere um som mais encorpado, um ponto a mais para este álbum. E o vocalista Michael Barnes continua colocando seu belo vocal limpo a serviço de cada canção, sem deixar de enfurecer diversas passagens com vocalizações guturais. A bateria acerta em cheio no timbre e na condução das músicas, sendo um instrumento que acaba parecendo responsável pela empolgação e poder de fogo do álbum.

Há um quê de épico que se alastra por todo o trabalho. As orquestrações dão um tom de grandiosidade a músicas como “Falling skies”; ajudam a criar um clima sombrio em “Fight to forget”; e quando acompanhadas por riffs de guitarra e baixo, as cordas aumentam a fúria e urgência das canções. “Yours again” é um grande exemplo do clima épico. As misturas com música eletrônica também ajudam a transformar Of Beauty and Rage em um trabalho que soa bastante moderno e contemporâneo. O grande trunfo do produtor Rob Graves, que trabalhou com a Red em seus três primeiros discos, foi saber incluir orquestrações e música eletrônica nas composições e não fazê-las parecer artificiais em momento algum. O fator humano está sempre presente.

Com 15 faixas – contando a intro, o instrumental de encerramento e a vinheta “The Forest” –, o disco acaba confiando demais em um mesmo recurso: todos os refrãos são grandiosos, do tipo em que te faz cantar a plenos pulmões, abusando de notas de longa duração na melodia de voz. Isso não é exatamente um defeito (pois todos os refrãos de Of Beauty and Rage funcionam perfeitamente), mas é um recurso que acaba saturando o ouvinte quando ele percebe o uso recorrente.

O disco foi bancado pelos fãs da banda por meio do PledgeMusic, uma plataforma de financiamento coletivo nos moldes do Kickstarter. A iniciativa fez até com que o disco pudesse ser acompanhado por uma história em quadrinhos (que você deve adquirir separadamente) que complementa os clipes da banda. E já que falamos em um acompanhamento visual, é impossível não notar a capa de Of Beauty and Rage, com seu preto e branco temperado por folhas vermelhas-sangue, tentando traduzir o nome do álbum (de beleza e raiva) em uma imagem.

A banda não optou por ser inventiva para a música em geral, mas deu um passo além dentro de sua própria história. Boas composições e produção impecável, Of Beauty and Rage cumpre muito bem o que promete. Suas letras, sobre as dificuldades da vida, são acompanhadas por músicas pesadas cheias de clímax. Tudo em favor da redenção.

7 comentários em “Red – Of Beauty And Rage (2015)

  1. Ouvindo agora e é incrível o crescimento da banda desde a End Of Silence. Nos primeiros albuns eu nao curtia TODAS as musicas, mas desde Release The Panic é impossível nao repetir pelo menos uma vez cada uma das musicas. Como fã de longa data, pra mim, esse é o melhor albúm da carreira deles. Ficou PERFEITO!!!

    Obs: Queria que o Skillet tivesse feito um trabalho tão bom como esse com o albúm Rise, mas não rolou (minha opinião).

  2. Pingback: Three Days Grace – Human (2015) | Escuta Essa!

  3. Gostei muito desse album ♥
    pra mim foi o melhor album da carreira deles,muitoperfeito a sintonia das musicas
    Gostei muito RED minha banda favorita e SKILLET ta junto nessa
    ..mas RED é melhor ♥♡

  4. Depois de Linkin Park, Red Hot, Coldplay… Essa foi a banca que me encantou desde End Of Silence, estou sempre escutando as músicas deles, e é uma banda que eu não consigo encontrar uma música ruim!

  5. Pingback: Lindemann – Skills in Pills (2015) | Escuta Essa!

  6. Amanda Albuquerque

    Alguém conhece um site confiável onde eu posso comprar esse CD?

  7. Pingback: Skillet – Unleashed (2016) | Escuta Essa!

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