2015 Indie Pop Resenhas Rock

Imagine Dragons – Smokes + Mirrors (2015)

imagine dragons

Mais pop indie do que rock e uma salada de direções a seguir

Por Lucas Scaliza

Ainda bem que a ascensão meteórica do Imagine Dragons não veio rotulada pelo combalido chavão marqueteiro “a banda que vai salvar o rock”. A banda de Las Vegas atraiu uma enorme massa de público jovem no Lollapaloosa 2014 em São Paulo, sem falar na reputação que construiu em outros festivais espalhados pelo mundo. Sua música é acessível, é doce, na maior parte das faixas, e resume-se a um rock/pop bastante inofensivo e com apresentações ao vivo animadas – por isso os festivais foram ótimos para sedimentar a reputação do grupo.

Smokes + Mirrors de fato não é um disco que mostra uma banda de rock. É muito mais próximo de um pop indie, que congrega uma percussão interessante de Daniel Platzman com guitarras cheias de efeitos – como U2, Coldplay e tantas outras bandas fazem – e algumas intervenções aqui e ali que causam aquela sensação de estranheza. Enquanto “Shots”, que abre o disco, é direta ao ponto e está pronta para animar qualquer ouvinte com seu jeito dançante e colorido, “Gold” é mais estranha e excêntrica. E “Smokes + Mirrors”, a faixa título, congrega um vocal bem melodioso e excessivamente doce com uma pitada de tristeza e uma instrumentação que vai ficando cada vez mais pesada até o fim da faixa. Não fica muito elegante no final das contas, mas funciona.

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De forma geral, todo o disco se mostra bastante influenciado pela música eletrônica que os integrantes do Imagine Dragons devem ter crescido ouvindo. Não quero dizer que eles coloquem música eletrônica em tudo (é possível ver que 90% é comandado pela banda, executado por músculos e cérebros humanos), mas os ritmos e a forma como as músicas são estruturadas é bem similar ao de artistas eletrônicos. Talvez isso se explique em parte pela produção, que se dividiu entre a própria banda e o artista de hip hop Alx Da Kid. Já a pegada indie do grupo soa ainda bastante imatura. Há muitas arestas para apararem antes de conseguirem tornar composições como “I bet my life” fluidas e redondinhas. No entanto, o refrão dessa faixa é em coro, o que os fãs adoram, principalmente em shows, e isso maquia e atenua os defeitos da faixa.

Estou ciente do tamanho da base de fãs que o Imagine Dragons tem no Brasil e no mundo e, por tabela, do tamanho da encrenca que pode ser falar que um disco não é assim tão bom. Para começo de conversa, o Imagine Dragons não é uma banda de grandes músicos. Não é o solo ou o riff de “I’m so sorry”, uma das faixas mais rock do disco, que vai impressionar um ouvinte de Led Zeppelin ou mesmo de um Foo Fighters, que também não é uma banda dada a virtuoses e genialidades técnicas. E não é “Friction” que vai impressionar algum fã de Korn, com sua mistura de guitarra pesada com eletrônico. Não são faixas como “It comes back to you”, “Dreams” ou “The fall” que vão emocionar mais do que o Coldplay já tem tentado. Aliás, é notório o esforço do vocalista Dan Reynolds imitar o estilo de Chris Martin. Reynolds é sim capaz de cantar mais grave, mais roco e partir daí para um falsete, mas não tem o mesmo brilho e nem o timbre melhor calibrado de Martin.

Talvez nada disso importe para os fãs que se apegam demais à banda – e tudo bem se quiserem fechar os olhos para esses fatores. Não tem problema algum gostar de uma banda limitada de alguma forma (basta lembrar que os Beatles também eram bastante limitados, foram ficando pretensiosos com o tempo. E cá entre nós, quase todas as bandas possuem suas limitações, de um modo ou de outro). O problema é se deixar levar por um julgamento apressado e não enxergar as limitações.

Se tem algo que essa banda americana parece ter de sobra é carisma. E acredito que esse carisma é o que cativa tantas pessoas, sobretudo os mais jovens. As faixas se esforçam para isso também. Embora tenha 18 faixas e todas com um tempo bastante comercial, não são todas as faixas que são amigas das rádios. Existem sempre elementos que soam deslocados na música do Imagine Dragons. Não sei se é aquela falta de habilidade com as composições ou se são propositais como manifestações da vertente menos convencional do pop que escolheram fazer. Talvez seja mais um elemento embaçado pelo carisma do grupo.

Quem espera um pouco mais do que o Imagine Dragons já apresentou em Night Visions (2012), ficará bastante feliz com Smokes + Mirrors. O disco é realmente melhor em muitos aspectos do que seu antecessor, mas ainda mostra uma banda que precisa, sobretudo, amadurecer. Existe também um excesso de confiança em efeitos sonoros para tornar as faixas interessantes. Além disso, existem uma diversidade de efeitos diferentes ao longo do álbum que o ajudam a ser mais diverso, o que é bom, mas acabam não dando uma unidade estética a Smokes + Mirrors, o que é ruim.

“Warriors”, que fecha o disco, tenta salvar a pátria. Usa solo de guitarras, vocal em coro, bateria forte e bem marcada e uma orquestração digna de filme de ação para dar um clima épico. Nos shows pode ficar ótima, mas no disco só agrega um elemento a mais na salada de direções que este álbum acaba tomando.

Entrincheirado mais no pop indie do que no rock, o Imagine Dragons vai com certeza galgar mais espaço entre o público e ficar muito bem abastecido para arrebatar novos fãs. Aliás, uma volta do quarteto para São Paulo e Rio de Janeiro está confirmada para abril. Sem muita estética para desafiar, a banda se mantém com a base de fãs, o frisson que causa e o jeito coxinha de ser roqueiro ou popstar.

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16 comentários em “Imagine Dragons – Smokes + Mirrors (2015)

  1. você elevou o que é critica em! não achei elogios,desceu pedra na banda! que absurdo acho que uma critica tem que falar pontos bons e ruins e querido só vi pessimos! essa banda é incrivel e promete muito, e não necessita de uma critica nada construtiva que quase os acusou de plagio! bom dia boa tarde e boa noite!

    • Dificilmente acusaria de plágio, embora tenha semelhanças gritantes com uma certa outra banda. Mas o caso é que essa é uma análise de álbum, e o álbum vai se sustentar pela grande base dr fãs da banda, não pela qualidade exatamente. No entanto, reconheço que Imagine Dragons é uma banda para se ver ao vivo, é no palco que eles se revelam de verdade. Se fosse crítica de um show, seria diferente certamente. A banda tem futuro sim, mas espero ser surpreendido no futuro por uma qualidade (e personalidade) mais esmerada dentro de estúdio.

      • Realmente decepcionante foi sua análise, se gosta só de barulho ouça Slipknot não se intrometa aonde você não tem embasamento técnico. O disco ficou melhor que o primeiro no conjunto geral da obra, apesar do ótimo primeiro disco ter estourado vários, neste a guitarra ganhou mais espaço. Realmente é um disco excelente de se ouvir por inteiro.

      • A gente sempre se decepciona quando o outro não tem a mesma opinião que a gente, não é mesmo?

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  10. Poxa, estava lendo a sua crítica e quando desci aos comentário me espantei com o modo agressivo de alguns. Sou muito fã do Imagine Dragons, mas também estou ciente de que Smoke + Mirrors não concorreu a grandes prêmios musicais por certas razões, razões estas que você deixou bem clara no seu texto.
    Para ser sincera, quando eu procuro por críticas de álbuns, eu realmente espero que ela critique (sim, criticar de falar mal mesmo) o artista, porque, francamente, se for para elogiar eu posso fazer isso muito bem sozinha, mas certos detalhes sempre me escapam, e eu gosto de estar ciente de quais detalhes são esses.
    Mas enfim, foi uma bela crítica. E aliás, gostei muito do blog, estão de parabéns!

    • Oi, Laís. Obrigado por suas palavras. Gostaria de compartilhar que eu sou como você: gosto de ler também o que falam mal até das bandas e álbuns que eu gosto. Acho que isso só reforça nosso senso crítico. Afinal, gostar/admirar não é deixar de conhecer as imperfeições.
      Abraços!

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