2015 Folk Rock

Steve Earle & The Dukes – Terraplane (2015)

steve_earl

Pé na estrada ao som de um belo álbum de blues e country-rock

por brunochair

Pegar estrada é comigo mesmo. Gosto da ideia de observar a paisagem, os postos de gasolina, um caminhão cheio ultrapassando outro caminhão tão cheio quanto. O cheiro do eucalipto, a imensidão de terra que há por trás de todo aquele asfalto desbravado pelo carro!

Ah, não gosto de pedágio, é claro.

Além de precisar parar o carro para dar dinheiro a alguém que (nem sempre) está dando a manutenção devida à rodovia, também preciso diminuir o volume do carro, para responder de forma cortês ao boa viagem dos atendentes, dispostos em guichês.

A música.

A música é uma boa companhia, caso não haja companhia no carro. Ela aumenta exponencialmente, caso o número de carros no caminho esteja abaixo do comum. É claro, deve-se tomar cuidado com a velocidade, com animais na pista, prováveis desvios. Mas, nada melhor que a música para coroar um passeio pela estrada, não?

Foi o que aconteceu no último fim de semana, antes do carnaval. Enchi o pendrive do carro de novos álbuns. Ouvi o último álbum do Toro Y Moi, bem como os dois anteriores. Ouvi um pouco do Dan Deacon, mas achei que não combinava com a estrada. Real Estate e Jack White sempre funcionam bem, e figuraram entre os escolhidos.

Bom, estou falando de álbuns que tenho ouvido nos últimos tempos. Quantas vezes viajei com os meus pais de madrugada ao som de Carpenters, Supertramp, Genesis e Abba? Muitas. Quando ouço algumas músicas destes artistas, logo em seguida lembro de estrada, a expectativa das ondas da praia, do sorvete gelado e do sentido pleno da palavra FÉRIAS.

Um estilo musical que todos dizem ser ótimo para ouvir na estrada é o country. Ouvi pouco este estilo musical, muito mais por preconceito do que por vontade (muitos “sertanejos” brasileiros dizem ser influenciados pelo country americano).

Por quê não tentar?

Então, de posse do novo álbum do Steve Earle chamado Terraplane, fui desbravando os quilômetros que a estrada me impunha. Sem perceber, dei repeat no CD umas três vezes. Agradou demais aos ouvidos a música, a estrada, o sol, até o “boa viagem” da moça do pedágio.

Desta vez, eu não baixei o volume.

Steve Earle Google Images

Steve Earle é um músico americano, que recém completou sessenta anos. O seu estilo musical não é propriamente um country, fica entre o country-rock e (muito mais presente) o blues. Neste novo álbum, está acompanhado de uma competente banda de blues, chamada The Dukes. Aliás, é uma tendência dos artistas solo juntar-se a um conjunto de apoio. É o que ocorreu, por exemplo, com D’Angelo e Lee Fields. Parece que tais bandas conseguem incorporar-se ao espírito criativo destes artistas, dando-lhes maior capacidade para desenvolver exatamente o que desejam.

Conhecido pelo seu engajamento social diante da música, Steve Earle parece ter deixado este tema um pouco de lado. Suas canções estão mais abstratas, num certo ponto confessionais. Este álbum foi produzido muito mais para celebrar o blues e o country enquanto estilo musical, do que usá-lo como essência contestatória. Terraplane foi produzido para dançar e contemplar, tratando-se de uma reverência a artistas como Muddy Waters, B.B. King, Rolling Stones (em sua fase incial), Stevie Ray Vaughan, entre outros.

“Baby Baby Baby (Baby)” a primeira música do álbum, é bastante influenciada por estes artistas citados. A segunda música, “You’re The Best Lover That I Ever Had”, já segue um country-rock, que nos faz lembrar o Creedence Clearwater Revival.

Também country-rock é a quarta música, chamada “Ain’t Nobody’s Daddy Now”. “The Usual Time”, a sexta canção, já retoma a pegada mais blues. A estrada fica até mais macia. “Go Go Boots Are Back” nos faz lembrar de Stevie Ray Vaughan e Jeff Beck.

Mas a música que acabou me impressionando foi “Baby’s Just As Mean As Me”, um dueto de Steve Earle com Eleanor Whitmore, uma violinista e vocalista de uma banda chamada The Mastersons. Considero a melhor música do álbum, por conseguir soar tão anacrônica: parece estarmos ouvindo uma canção produzida nos anos 50. A voz da convidada é impressionante.

Trata-se de um ótimo álbum, com produção e canções excelentes. E, como já observado, funciona bem na estrada. É só colocar para ouvir e deixar fluir. Seu carro flutuará por sobre as esburacadas estradas brasileiras. Agora, só falta escolher o próximo destino e pé na estrada.

E qual será o próximo destino?

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