2015 Pop Resenhas Rock

Fall Out Boy – American Beuty/American Psycho (2015)

front

Cheio de referências e modernoso, mas ainda é só diversão

Por Lucas Scaliza

Vamos tirar o elefante da sala: o Fall Out Boy sempre foi, como outras bandas de seu estilo e sua geração, uma banda para um público bem jovem. Cheio de energia e vitalidade, sua música fica entre o pop e o punk, sem almejar nenhum tipo de inovação e milhas distante de tentar propor um novo jeito de se fazer, consumir e apreciar música. O maior comprometimento é com a diversão.

Agora a pergunta: pode uma banda ainda seguir esse modelo e soar um pouco mais interessante?

Aparentemente, pode. American Beauty/American Psycho tem todas as características do Fall Out Boy: um rock moderado que não agride nenhum ouvido (e nenhuma moral), uma pegada pop para ser bem palatável para os adolescentes (que continuam a ser seu maior público) e alguns elementos eletrônicos para dar aquela encorpada. Neste novo disco se percebe também vários refrãos construídos para soarem como os do Imagine Dragons, por exemplo, ou seja, refrãos grandiosos que funcionem no contexto de grandes plateias para estádios e arenas. Nesse quesito a música de trabalho “Centuries” se destaca, embora “Fourth of July” e “Novocaine” também sigam essa tendência.

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Mas apesar de parecer depreciativo – e na maioria das vezes é mesmo –, o Fall Out Boy conseguiu aliar tudo isso a uma música mais bem feita e organizada do que se esperaria do quarteto de Illinois. Continua sendo música jovem e principalmente comprometida com a diversão e com o potencial comercial. Apenas uma faixa chega aos 4 minutos de duração, o que mostra que continuam retos e diretos. Mas dessa vez está no mínimo interessante.

A começar pelo nome do disco e das músicas. O nome American Beauty/American Psycho é referência direta ao filme Beleza Americana (sem falar que o Greatful Dead também tem um álbum de 1970 chamado American Beauty) e ao livro e filme Psicopata Americano. A ótima “The kids aren’t alright” é uma corruptela do filme The kids are alright (Minhas mãe e Meu pai no Brasil). Sem falar na faixa “Uma Thurman” que não precisa de explicação e teve aprovação da atriz para receber seu nome.

As referências a outras obras não param por aí: “Centuries” contém um sample de “Tom’s Diner” da cantora folk Suzanne Veja. A faixa-título faz sample de “Too fast for love” do Mötley Crüe. “Fouth of July” tem outro sample: “Lost it to trying” do alternativo Son Lux. E “American Beauty/American Psycho” tem um trecho que sampleia um dos momentos mais conhecidos da faixa “Twist and shout” dos Beatles. Já “Irresistible”, que abre o trabalho, é sobre o amor superdestrutivo entre Sid Vicious (baixista do Sex Pistols) e a punk Nancy Spungen, uma relação cheia de abusos de drogas e violência que terminou com a morte de Nancy em 1978. Ela foi encontrada morta no banheiro, com uma ferida de faca no abdômen.

American Beauty/American Psycho é interessante por conter essas variadas referências e deixar para o ouvinte encontrar todas as ligações. Contudo, nem por isso abandonam a diversão. O Fall Out Boy ainda é uma banda para isso: embalar e divertir. Não é a toa que existem tantos “Ôooos” ao longo de suas 11 faixas. Há momentos inspirados – como “Centuries”, “Novocaine”, “Irresistible” e “The kids aren’t alright”, mas há também vários que soam dispensáveis e mais do mesmo outra vez, como “Favorite Record”, “Jet pack blues” e “Immortals”, que mais parece uma música da Ellie Goulding na forma como integra efeitos eletrônicos e conduz seu refrão.

A banda está boa e bem entrosada. O vocalista e guitarrista Patrick Stump não está cantando melhor do que antes, mas segura bem as pontas seja nas vocalizações, nos grandes refrãos ou nas partes que exigem uma atuação mais hip hop. Andy Hurley acaba sufocado pelos ritmos pouco criativos para emular o bate-estaca preguiçoso, não o liberando para criar viradas e levadas menos previsíveis. Embora o trabalho tenha bastante som de teclado e programação eletrônica, o guitarrista Joe Trohman sempre encontra seu espaço e o usa muito bem.

Já Pete Wentz, o baixista, manda bem no seu instrumento, mas se destaca mesmo escrevendo todas as letras do álbum. Contudo, ele escreve letras pop e sem profundidade na maioria dos casos. Com as referências que colocou no disco – de filmes, músicas e discos – tinha na mão uma oportunidade de fazer um disco com críticas aos EUA ou pelo menos um senso de sarcasmo mais afiado frente a realidade de seu país. Mas tudo acaba sendo histórias de relacionamentos superficiais, tornando superficial também a bandeira americana nos ombros do vocalista no verso do disco e sua capa, cuja bandeira na cara de um jovem emburrado poderia ter um significado especial. O momento mais inspirado de Wentz é em “Centuries”, cuja letra foi inspirada no assassinato de Michael Fergusson em agosto de 2014 que levantou o debate da discriminação racial contra afro-americanos nos EUA. Não foi dessa vez que o Fall Out Boy teve seu momento de American Idiot, do Green Day.

Não é nenhuma obra prima e nenhum disco que vai mudar a carreira do Fall Out Boy, não vai conseguir um público diferente e nem os eleva a um patamar mais maduro do pop rock norte-americano, mas tem seu valor. American Beauty/American Psycho soa moderno, acima de tudo, o que é meio caminho entre as rádios, o seu público alvo e as pistas de dança e arenas. Mas essa modernidade, embora bem-vinda à discografia da banda, precisa ser turbinada por temas mais relevantes.

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1 comentário em “Fall Out Boy – American Beuty/American Psycho (2015)

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