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Bárbara Ohana – Dreamers EP (2015)

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Vestida de dream pop e carregada de boas composições

Ela já vinha chamando a atenção desde que lançou “Golden Hours”, cujo belo clipe foi dirigido por Daniel Rezende, o cara que montou o filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, e foi indicado ao Oscar pelo trabalho. Mas não é só o clipe que chamou a atenção. O jeitinho indie e despreocupado com rótulos de Bárbara Ohana – que é sobrinha de Claudia Ohana – também deixou muita gente de orelha em pé. Opa, não é um rosto bonito apenas, é uma voz boa e que não está caçando o estrelato mainstream. Dreamers, seu EP com sete músicas autorais, confirma: Bárbara Ohana é para se acompanhar de perto.

O disco pode ser baixado de graça no site dela: http://barbaraohana.com/

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O EP já abre com “Ordinary Piece”, faixa que dá espaço para a voz dela e marca a presença do baixo. Não é nem um pouco difícil entrar na vibe que ela propõe, principalmente por conta dos “ah ah ah aaahs” que ela encaixa nos versos. “Like a Minute” e sua guitarra com tremolo, seu sintetizador e o piano tocado pela própria cantora. “Lost Cause”, quase totalmente eletrônica, é uma música acessível que pode facilmente ganhar remix para as pistas, mas a versão de Dreamers é ótima e não perde de vista o dream pop do trabalho de Ohana.

“Love>Delete [0/1]” é o lado mais obscuro do trabalho de Ohana, batidas eletrônicas, sintetizadores para aquecer um pouco a sensação da música e muitas vocalizações para completar o som. Sintetizadores analógicos e um vocal mais sóbrio dão o tom de “DDRREEAAMMEERRSS” em sua primeira parte. Depois, ela se agita, ganha batidas mais bem marcadas e sons eletrônicos fazendo às vezes do que guitarra, baixo e teclado fariam em uma banda convencional. Em “Golden Hours” ela volta a ter uma banda no controle da situação – e o baixo de Gabriel Mielnik carrega boa parte da faixa, abrindo-se para um novo colorido no ótimo refrão. “Karaoke Track” é outra mais sóbria, com uma banda em estúdio, e a faixa que mais se aproxima do rock, com baixo em evidência e guitarras criando as camas e texturas sonoras.

“Desert Island” vem com aquele jeitinho estranho característico do indie e uma das melhores interpretações vocais de Bárbara em seu EP. Segunda ela, a faixa foi criada por cima de uma letra sobre despedidas que ela já tinha em um dia de tempestade, quando o estúdio não tinha luz e estava alagado. Ecos de Lykke Li e Moby e uma banda que foi complementada por um naipe de cordas com cellos, viola e violino.

Para dar vida a Dreamers EP, as participações especiais e colaboradores de Bárbara Ohana foram fundamentais, em alguns casos, e muito interessantes em outros. Adriano Cintra (ex-CSS) – que tem se destacado como produtor, tendo trabalhado inclusive no ótimo mais recente disco do Thiago Pethit – produz as faixas “Lost Cause” e “Like a Minute”. O talentoso Apollo 9 também está presente, produzindo as faixas “Golden Hours”, “DDRREEAAMMEERRSS” e “Desert Island”. Jean Dollabella (ex-Sepultura) assume as baterias de “Karaoke Track” enquanto Glenn Kotche, do Wilco, assume as baquetas em “Desert Island”. Faltou apenas a presença do carioca inventivo Kassin, mas ainda há tempo para que a também carioca Bárbara Ohana ganhe a contribuição dele.

O modo de fabricação de Dreamers EP, como se vê, não é o de uma típica banda que entra em estúdio e segue gravando e criando até sair de lá com um novo álbum. Ohana foi gravando com amigos, participações especiais e aproveitando as oportunidades. As sete faixas foram gravadas em estúdios diferentes: A9 Áudio (de Apollo, em São Paulo), The Loft (Chicago) e no IIWII, em Nova York, estúdio do Wilco.

Vale a pena reafirmar que Bárbara é fã de Radiohead, David Bowie, Flatwood Mac, New Order e Lana Del Rey, além de Madonna e da citada Lykke Li. Ou seja, pelo menos em suas referências, há uma boa dose de pop e outra boa dose de experimentação para uma boa música pop.

Dreamers EP é uma boa porta de entrada que deixa aberta uma porta brilhante para um primeiro álbum com composições ainda mais maduras. Mas até que o disco não sai, ficamos ansiosos para ver como ela soa e completa o repertório ao vivo.

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