2015 Resenhas Rock

Anekdoten – Until All The Ghosts Are Gone (2015)

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Banda sueca lança trabalho com ótimas composições e arranjos ricos após hiato de 8 anos

Por Lucas Scaliza

Há bons 20 anos a Suécia em particular (e a Escandinávia como um todo) é uma grande exportadora de bandas de rock progressivo. Uma das bandas que fez o favor de retomar o estilo musical foi o The Flower Kings. E temos o Pain of Salvation, o Opeth, o Beardfish, Kaipa, entre diversas outras. E todas com ótimos álbuns lançados. Uma banda sueca que está no ramo há algum tempo, mas com reconhecimento tímido fora da Europa, é Anekdoten. E o novo disco do grupo, Until All The Ghosts Are Gone, pode fazer a diferença.

Um dos pontos positivos da banda e do disco é que o grupo nunca perde de vista a composição. Cada membro tem seu momento de brilhar e todas as faixas estão estruturadas para que a música funcione e possa proporcionar um momento especial ao ouvinte. E não faltam momentos especiais e bem trabalhados em Until All The Ghosts Are Gone, a começar pela faixa introdutória, “Shooting Star”, a melhor do álbum, com seu refrão emocionante, seus riffs bem feitos e teclado sempre presente elevando os ânimos nas horas de maior tensão e beleza.

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Pelo mesmo caminho – buscando extrair emoção do ouvinte – segue “Get Out Live”, que de forma muito bem pensada proporciona um solo de mellotron e um de cello. Essa é uma das características que diferenciam a banda. Em sua formação, Anna Sofi Dahlberg se reveza entre o mellotron, o cello, o violino, os sintetizadores e ainda ajuda nos vocais. Isso permite que as composições do Anekdoten tenham riqueza de sonoridades, texturas e cores.

A bela “If It All Comes Down To You” vem com ritmos extremamente envolventes em 6/4, um mellotron quente e dedilhados de violão e guitarra bem colocados do vocalista Nicklas Barker. Em termos de arranjo, é uma composição muito bem trabalhada e executada como quem caminha entre uma elegia, uma balada e uma peça de rock setentista. Há a participação de Theo Travis (Steven Wilson e colaborador de Robert Fripp, do King in Crimson) tocando flauta, deixando tudo mais sofisticado.

A forma como os teclados ganham proeminência em “Writting On The Wall” e as guitarras nunca soam agressivas demais (embora pudessem estar mais altas e pesadas, sem prejuízo para a composição) deixa clara a intenção do Anekdoten em soar como uma banda de rock, não metal. E após uma entrada com dois pés no peito, principalmente com a tensão do teclado, a faixa segue um esquema mais tranquilo de ritmos de violões e entrega dois solos de guitarra arrasadores que em momento algum são excessivamente virtuosos. Como disse anteriormente, tudo funciona a favor da música. E os belos arranjos de todos os instrumentos não dão espaço para maneirismos clichês.

A faixa-título do disco traz os solos inspirados de Theo Travis novamente para o primeiro plano. Outra faixa em 6/4 que aproveita um dos efeitos mais interessantes desse compasso: a criação de um ritmo hipnótico, como se nunca acabasse. E a escolha dos acordes só aumenta o efeito da valsa, envolvendo você em um momento do qual poderia nunca sair. O refrão é exemplar nesse sentido.

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“Our Days Are Numbered”, que fecha Untill All The Ghosts Are Gone, é uma longa faixa instrumental (8 minutos) que mostra o potencial de peso e tensão do Anekdoten. É, também, a faixa mais intensa e agressiva dos suecos no novo trabalho. Peter Nordins, que ao longo de todas as faixas mostrou que sabe bater com precisão no instrumento e fazer ótimas viradas, agora faz uma condução vigorosa. Theo Travis está de volta, mas agora assumindo um saxofone.

Jan Erik Liljeström, o baixista, merece menção em separado. Seus fraseados são sempre criativos. Nada de ficar tocando apenas a cabeça do acorde. Ele realmente usa o instrumento como um suporte para a base da música e, ao mesmo tempo, como mais uma ponte melódica. Ou seja, não fica apenas reforçando os acordes de guitarra, violão, mellotron e teclado. Ele quer que você preste atenção em suas frequências graves.

Além de Travis, os suecos contam com a participação do tecladista Per Wiberg (que já tocou no Opeth) e do guitarrista Marty Wilson-Piper (The Church e All About Eve).

Until All The Ghosts Are Gone é o sexto álbum da carreira da banda, que não lançava nada desde A Time of Day (2007). Essa pausa de oito anos revigorou o grupo que não perdeu sua essência e apresenta um disco bonito e feito com esmero. Poderia ter sido ainda mais intenso, mas da forma como está finalizado é um disco equilibrado e tão musical quanto sentimental.

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1 comentário em “Anekdoten – Until All The Ghosts Are Gone (2015)

  1. Pingback: The Tangent – A Spark In The Aether (2015) | Escuta Essa!

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