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Courtney Barnett – Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit (2015)

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Début da australiana impressiona com rock direto e animado

Por Lucas Scaliza

Há uma energia explosiva que é irresistível em Courtney Barnett. O jeito de ela fazer música a sério, mas com dois pés fincados em um rock despojado e cultivando uma imagem de quem não se deixa levar tão a sério assim, a torna uma figura fácil de gostar e de achar divertida. Daí para gostar de Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit (não levar tão a sério todo esse negócio de música já está evidenciado no nome do álbum) é um pulo.

Sometimes I Sit… é o primeiro álbum completo da carreira dessa australiana de 27 anos. Antes de ganhar atenção com o disco lançado mês passado, ela havia liberado dois EPs que despertaram o interesse de uma boa galera nos Estados Unidos e na Inglaterra, mercados importantes, seja para o mainstream ou para o indie.

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Barnett tocou em algumas bandas locais da Austrália – fez guitarra base em uma banda grunge de garagem e tocou slide guitar em um grupo meio country. Depois, fundou seu próprio selo, Milk!, com dinheiro emprestado da avó, e começou a liberar discos de bandas amigas e seus próprios EPs. Não só uma compositora, mas também uma empreendedora da música.

É aquela fórmula: mulher tocando guitarra, fazendo o bom e velho rock’n’roll, com energia e com pegada. Não é uma parada mais avant garde como St. Vincent e não tão dramática como a Sharon Van Etten, sendo que Barnett está mais entrincheirada nas mesmas fileiras da dupla Best Coast e da Jenny Lewis. Há muitas faixas bonitas, com bonitos arranjos de violão acompanhados por uma guitarrinha manhosa – como na ótima “Depreston” – e coisas mais animadas e cool, como “Elevator Operator”, “Aqua Profunda” e “An Illustration of Loliness (Sleepless in New York). Ou o vigor rítmico de “Pedestrian at Best”, com o vocal de ordem de Barnett, uma das melhores e mais diretas faixas do disco.

“Small Puppies”, outro daqueles bons momentos de Sometimes I Sit…, é uma balada bluseira, com guitarrinha lânguida. Mas ao longo de seus sete minutos se torna uma guitarreira deliciosa carregada de overdrive por cima de uma base bem simples. O sofisticado em Courtney Barnett é tratar o simples com bom gosto. Tudo se encaixa muito bem e, mesmo que tudo seja rock básico, não é óbvio. Para fins de comparação, o novo disco do Scott Weiland, Blaster, um velho lobo do rock internacional, é muito mais previsível e soa muito menos fresco do que Barnett.

A banda que acompanha essa australiana se mostra afiada e mantém a mesma pegada ao vivo. Bones Sloane no baixo, Dan Luscombe na sempre poderosa e ruidosa guitarra, e Dave Muddie na bateria. O que talvez impressione o ouvinte desavisado são a força e a empolgação com que a música dela atinge você. É tudo alto e cheio de energia, alternando momentos mais viajados (“Kim’s Caravan”), porradas bem dadas (“Nobody Really Cares If You Don’t Go To The Party”) e canções mais acessíveis (“Debbie Downer”). Tudo isso muito bem dosado e marcando uma ótima presença rock’n’roll logo no primeiro disco. Tem muito début de marmanjo por aí que fica com medo de pesar a mão. (Justiça seja feita, o Royal Blood lançou em 2014 seu primeiro álbum e também não economizou na testosterona, e são apenas dois jovens).

Mais motivos para ouvir Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit: o disco foi gravado praticamente em oito dias em Melbourne em abril de 2014. Só não foi lançado antes para que Courtney pudesse cumprir agendas pré-estabelecidas. Ela apresentou o primeiro álbum ao vivo no festival South By Southwest este ano e deu o ponta pé inicial da nova turnê em Paris. Fique de olho nela: pode ser que cresça rápido, arraste muitos fãs “de repente” e você não saiba o que aconteceu. É porque não aconteceu nada demais. É que, levando em consideração todo o contexto discutido, esse disco é competente pra caramba!

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6 comentários em “Courtney Barnett – Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit (2015)

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