2015 Diversos Resenhas Rock

Faith No More – Sol Invictus (2015)

Cover

É menos uma volta e mais uma continuação de um estilo alternativo

Por Lucas Scaliza

Não é uma volta qualquer. Todos ansiavam por um novo álbum do Faith No More desde que a banda se reuniu em 2009 e saiu fazendo shows pelo mundo (tocaram inclusive no SWU no Brasil, em 2011. Este ano são headliners de uma das noites do Rock in Rio). É que o FNM é uma banda que só não deixou mais saudades para quem ouvia rock alternativo nas décadas de 1980 e 1990 porque o estilo da banda, principalmente a partir do excelente The Real Thing (1989), influenciou uma série de outras bandas que hoje são respeitadas e referência. Pain Of Salvation, System of a Down, Korn e Tool, quatro nomes que inegavelmente aprenderam com o FNM como ser rock’n’roll, animado, divertido, relevante, sério, pesado e musicalmente abertos, sempre temperando a influência com elementos próprios.

Bom lembrar também que foi o Faith No More que revelou o vocalista Mike Patton (que antes de entrar para o grupo cantava em uma banda de colégio que possivelmente nunca seria famosa), dono de um dos timbres mais marcantes e flexíveis do rock alternativo. Além disso, a volta com Sol Invictus mantém a mesma formação que gravou Album of the Year em 1997:  Patton nos vocais, Jon Hudson na guitarra, Roddy Bottum no teclado, Billy Gould no baixo e Mike Bordin na bateria.

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Apesar da ausência de material novo por 18 anos – sem contar a faixa “Matador”, apresentada ao vivo anos atrás em um dos shows de reunião – Sol Invictus não traz uma quantidade grande de novas composições. São 10 músicas, muitas delas que não chegam aos 4 minutos, constituindo um álbum curto, que só é maior do que os dois primeiros da banda, We Care a Lot (1985) e Introduce Yourself (1987). Mas nem por isso um álbum ruim. Seis anos juntos tocando em festivais pelo mundo fizeram bem ao grupo.

Sol Invictus já abre com a faixa título, mostrando que há groove e elementos eletrônicos na banda. É realmente uma introdução, já que a primeira faixa de verdade é poderosa “Superhero”. O baixo de Billy Gould continua presente como sempre e com volume bem alto, enquanto a voz de Patton não perde o vigor e o teclado de Bottum sabe a hora de entrar e ação. “Sunny Side Up” é aquela mistura musical boa que o Faith No More sempre soube fazer. “Separation Anxiety” tem groove de sobra do começo ao fim. Sabe quem faz isso muito bem? O Tool. Sabem com quem devem ter aprendido? Com o FNM. Uma retroinfluenciação, talvez?

Os elementos que fazem parte do FNM estão nos seus devidos lugares: diversas músicas que começam flertando com outros estilos, inclusive com o pop, com o tango e o punk, e ficam mais pesadas conforme se desenvolvem. “Rise of the Fall” e “Black Friday” são ótimas faixas e ótimos exemplos disso. Mas no geral, Sol Invictus é aquele caldeirão de referências.

O resultado final não chega a ser tão impactante quanto a espera pelo disco fez parecer que seria, mas também não resulta em uma decepção, principalmente porque o grupo continua criativo, apostando no mesmo tipo de salada musical alternativa que pode ser temperada de diversas formas diferentes e ainda mostrar potencial. Entretanto, parece que as faixas poderia ser melhor exploradas, principalmente com a criação de passagens instrumentais mais longas, aproveitando melhor as ricas texturas sonoras que a banda apresenta ao longo de todo o trabalho.

Todos os músicos estão muito bem em seus postos, mas merecem menção especial Gould e Bordin, responsáveis por segurar a base de todas as faixas com competência e eloquência. Mike Patton mostra que sua voz ainda é versátil e vai do grave e sinistro ao agressivo e emocional, às vezes na mesma faixa.

O peso não parece ser o que move o disco. Sol Invictus sempre chega aos seus momentos mais pesados para “resolver” as composições e conseguir toda a força de que precisa. E ainda que tenhamos uma faixa como “Cone of Shame”, de tom pesado desde o início, o disco termina com a leve e ensolarada “From The Dead”. Pelo jeito, nós estamos tratando o disco como uma “volta” do Faith No More, mas o Faith No More não está voltando coisa nenhuma: está retomando o trabalho de onde tinham deixado quase 20 anos antes.

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4 comentários em “Faith No More – Sol Invictus (2015)

  1. Não concordo que o TOOL se pareça ou que foi influenciado pelo Faith no More…

    • Depende de como você entende a questão da influência. Existem processos parecidos e pensamentos parecidos que levam a um jeito diferente de se expressar. Às vezes é preciso ver mais por dentro do que apenas a superfície (o som que sai dos falantes no final). No entanto, no texto está anotado: “…sempre temperado com elementos próprios”.

      • Faith no More foi a ponte do rock alterno com hip hop.
        Tool desenvolveu a base do metal mais simples e sem tanto solo.
        O próprio Incubus é um efeito nítido disso.

        Isso tudo gerou o New Metal depois … e todo mundo usando tênis A.D.I.D.A.S. da moda clubber (moderna) e dos negões do Run DMC (resgate): Korn, Limp Bizkit.
        Deftones sempre foi o mais inclassificável e mais inteligente no New Metal.

  2. Pingback: Soulfly – Archangel (2015) | Escuta Essa!

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