2015 Metal Resenhas

Sirenia – The Seventh Life Path (2015)

Cover

Metal sinfônico ainda melhor que no disco anterior

Por Lucas Scaliza

A banda norueguesa Sirenia chega a seu sétimo trabalho, The Seventh Life Path, já não precisando provar nada para mais ninguém. E mesmo assim, são capazes de impressionar. Depois do bom Perils Of The Deep Blue (2013), o quarteto mostra que mantém seu estilo metaleiro sinfônico e gótico, os mesmos timbres de guitarra e a mesma alternância entre vocais limpos, líricos e guturais, mas deixando a estrutura musical mais livre.

Das 11 faixas do álbum, apenas três têm menos de 6 minutos de duração. Além disso, apenas a última música, “Tragadienne”, é mais lenta. O restante é uma paulada atrás da outra, cheio de orquestrações bem encaixadas e de corais góticos que engrossam a sonoridade do grupo. Mas quase todas as faixas possuem seus momentos mais lentos e, não raro, mais bonitos e emocionais, o que compensa a falta de baladas.

sirenia_2015

Após a introdução climática “Seti”, “Serpent” abre o álbum trazendo o heavy metal inspirado do grupo e os lindos vocais de Ailyn, em contraste com a voz gutural Morten Veland. Uma das melhores faixas do trabalho, congregando o clássico e o barroco do metal nórdico. “Once My Light”, música de trabalho, passa dos 7 minutos e apresenta um ataque combinado de bateria, guitarra e baixo que garante a agressividade da música. Cada instrumento tem seu lugar de destaque e soam muito bem na gravação. “Elixer” é a faixa mais acessível do trabalho, com acordes mais diretos (fugindo das bases cheias de riffs), proeminência dos vocais de Veland e uma base eletrônica nas partes menos pesadas.

Não há nenhuma faixa instrumental em The Seventh Life Path, mas fica clara a ênfase na instrumentação, na criação de solos bonitos e no aproveitamento dos elementos sinfônicos para complementar o som, e não para roubar totalmente a cena. “Sons of the North” é um metal mais tradicional, mas com um breve interlúdio bastante interessante com narrações sobre uma linha de piano digna de filme de terror e outra passagem sinfônica mais colorida, completada pelas baterias insanas de Jonathan Perez.

“Erendel”, que é do tipo voz-lenta, instrumental acelerado, coloca uma valsa romântica no meio da faixa, criando um clima quase medieval antes de voltar com tudo ao metal. “Concealed Disdain” alterna entre passagens power metal com outras mais pulsantes abusando da boa interação entre baixo e bateria, colocando a participação dos violinos em momentos estratégicos da faixa, trazendo um colorido diferente à vertente gótica do Sirenia. “Insania” tem riffs mais progressivos, mas não se desenvolve para esse lado. Ela se mantém ainda dentro dos limites do death metal, contendo também um interlúdio eletrônico em sua metade e seu final. “Contemptuous Quitus” tem ares de épico, o que justifica os vocais mais líricos de Ailyn. Entre um power metal e outro, “The Silver Eye” não se destaca tanto no álbum, mas foi feita para soar grande.

Como é característico nesse tipo de obra, o metal ganha ares de trilha sonora também, mais uma características da ênfase na instrumentação. Veland, praticamente o único compositor do Sirenia, soube pegar pesado e oferecer momentos de respiro em todas as faixas, tornando o som da banda, no geral, um pouco mais complexo. Além de vocais masculinos e guitarras, ele também é o responsável pela gravação dos teclados, baixos, programações eletrônicas e produção do disco. Menos deslumbrado com as orquestrações clássicas do que Tuomas Holopainen, do Nightwish, soube manter The Seventh Life Path equilibrado entre o metal tradicional, o sinfônico, o power e gótico. Qualquer excesso dura apenas alguns segundos, sendo logo trocado por outra parte da canção, o que mantém o interesse do ouvinte. Seu vocal gutural não é o melhor que o metal europeu apresentou, mas cria um contraste com a voz mais vivaz de Ailyn que funciona.

Apesar dos sete álbuns lançados, o Sirenia não é uma banda grande e rica como o Nightwish ou outros medalhões do metal europeu. Embora cantem em inglês na grande maioria das faixas, ser uma banda da Noruega também dificulta um pouco as viagens e o acesso a novos mercados – visto que o metal sinfônico é um nicho. Ainda assim, há preocupação de ir propondo coisas novas dentro do velho estilo do grupo. Relativamente pouco dinheiro para investir não é desculpa para uma produção desleixada ou falta de ideias. A banda não é enorme, mas The Seventh Life Path soa grande e vai satisfazer os fãs.

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8 comentários em “Sirenia – The Seventh Life Path (2015)

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  3. O melhor disco do sirenia desde o segundo disco, muito equilibrado até mais que os primeiros, pra mim o único ponto fraco do sirenia são os vocais extremamente POP da vocalista.

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  7. Como fã, diria que esse é o segundo melhor álbum, ainda fico com o saudoso “An Elixir for Existence”.

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