2015 Folk Indie Pop Resenhas Rock

Mumford & Sons – Wilder Mind (2015)

Front

Sem banjo, sem western e de cabeça na sonoridade indie

Por Lucas Scaliza

Wilder Mind, novo disco do Mumford & Sons, pode ser traduzido como “mente mais selvagem”. O grupo abandonou o banjo e o estilo mais western com pegada rock que predominava em seus dois discos anteriores e fez de Babel (2012) um sucesso, um álbum diferente e que tomou muita gente de surpresa. Então, de certa forma, eles estão mais mente aberta agora para novos sons, sem querer repetir o que deu tão certo três anos atrás. No entanto, abraçaram uma sonoridade indie e, avaliando outras bandas do estilo, são mais parecidos com elas do que antes. Não há muita selvageria nisso.

Mas calma. Não é por isso que o disco é ruim. Aliás, Wilder Mind não é ruim em aspecto nenhum.

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Vamos começar pelas diferenças. Toda a ênfase que Babel tinha nos instrumentos de cordas (violões e banjo), tanto para criar arranjos super característicos como para fazer aquelas levadas fortes e originais se perdeu. Assim, em Wilder Mind o som consegue mais força quando guitarras com distorção são usadas. Sem as cordas acústicas, praticamente todos os ritmos são ditados pelo baixo de Ted Dwane e pela bateria (gravada tanto pelo líder Marcus Mumford como pelo produtor James Ford). A estrutura mais folk de antes foi substituída por outra mais comum do indie rock inglês, deixando a guitarra de Winston Marshall mais livre para usar efeitos e criar frases melódicas e riffs ao longo das canções.

E quem rouba definitivamente a cena, aproximando o Mumford & Sons de um som parecido com o do Coldplay, é Ben Lovett, que além dos pianos (que já estavam em Babel), agora complementa cada canção com teclado e sintetizador, o que faz toda a diferença em uma música como “Believe”. (Os músicos Thomas Barnett e a participação mais do que bem-vinda de Aaron Dessner, do The National, ajudaram na gravação dos teclados).

O disco parece ter sido pensado para tentar fazer tanto ou mais barulho que seu antecessor. Dentre as 12 músicas novas, a banda escolheu cinco singles para tocar em rádios e virar vídeo clipes. Dessas, três estão logo no início do disco. “Tompkins Square Park” já mata a saudade da grande voz de Marcus Mumford e apresenta as batidas mais diretas e retas que serão predominantes no trabalho, deixando o teclado e a guitarra temperar a faixa. “Believe” é a balada que termina com dinâmica mais alta, no estilo Imagine Dragons. “The Wolf” é a primeira música mais roqueira do álbum. Até aqui, o ouvinte já sabe que a banda inglesa abandonou o oeste americano e entra de cabeça na onda indie. Ecos de Coldplay, Death Cab For Cutie, The National e até Snow Patrol.

Já vimos esse filme antes. Coldplay era uma banda alternativa em seus dois primeiros discos, Parachutes (2000) e A Rush of Blood To The Head (2002), e começou a se direcionar para o centro da música indie a partir de X&Y (2005), chegando ao topo da cadeia alimentar do mundo pop. Parece que o Mumford & Sons está utilizando Wilder Mind para fazer a mesma transição, ainda mantendo um pé no alternativo e já esticando a outra perninha para o mainstream.

Pela presença dos arranjos com cordas e pianos, “Just Smoke”, “Broad-Shouldered Beasts” e a folk “Cold Arms” são as únicas músicas do novo trabalho que lembram algo de Babel. Já a faixa-título, “Snake Eyes” e “Only Love” são exemplos dessa transição: acessíveis, mas que relutam em se entregar totalmente ao pop de consumo. “Ditmas”, talvez a música mais radiofônica de Wilder Mind, curiosamente não foi escolhida como single, mas “Hot Gates”, que fecha o álbum de forma bastante lenta e reconfortante, sim. Tem batida fácil de acompanhar e várias camadas de teclados e sintetizadores que criam um efeito de maré conforme a faixa se aproxima do fim.

A mudança de direção do Mumford & Sons não é tão polêmica quanto está sendo alardeado por aí. O novo disco é muito bem sucedido em trazer boas canções, excelentes linhas melódicas de voz e um misto de animação e melancolia. Trocaram o produtor Markus Dravs por James Ford, que ajudou a produzir quatro discos do Arctic Monkeys, Cerimonials de Florence + The Machine, Days are Gone das HAIM e Tough Love da Jessie Ware, entre vários outros. Se não fosse a comparação com Babel, que revelou a banda para o mundo, Wilder Mind seria mais amplamente recebido como um bom disco indie. No entanto, se não fosse todas as evidentes diferenças de Babel que captaram a atenção de crítica e público, talvez Wilder Mind fosse só mais uma disco de indie rock no oceano de possibilidades.

Com outra pegada e com nova roupagem, o Mumford & Sons não vai abandonar a princípio os dois primeiros discos. Mas é com o mais recente que está totalmente adaptado para festivais em sua própria ilha natal, nos EUA e ao redor do mundo. Para o bem ou para o mal, mudaram, mas não é preciso fazer drama sobre isso.

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7 comentários em “Mumford & Sons – Wilder Mind (2015)

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