2015 Indie Resenhas Rock

The Vaccines – English Graffiti (2015)

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Entre o vintage e o moderno, mais uma vez

Por Lucas Scaliza

O passar do tempo faz com que toda novidade pareça manjada e tudo que era exceção vira regra. Se o elemento diferencial se perdeu, sobra então a compreensão, a fidelidade ou a condescendência do público. Ou a indiferença.

English Graffiti, terceiro disco do The Vaccines, tenta manter a fórmula que fez a banda deslanchar em 2011 com What Did You Expect From The Vaccines? Rock dançante – no esteio do que deu certo um dia com o Franz Ferdinand – e rock direto ao ponto, remetendo ao passado, trazendo um gosto da diversão. Faixas curtas, como é curta a atenção do público nesse mundo em que tudo é rápido, tudo é movimento, tudo é líquido. Talvez a banda só não tenha percebido que a oferta do tipo de música que faz aumentou muito nos últimos 10 anos e o The Vaccines, embora continuem muito divertidos, já não causam muito impacto. É… o tempo foi curto.

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Não soa renovado e nem traz frescor ao indie inglês, fazendo de English Graffiti é um disco OK, daqueles que não são ruins e que podem ser deixados tocando inteirinho numa festa que vai ficar tudo certo. Mas não é algo que vá ficar na memória e logo poderá ser substituído por outro também que seja apenas bom.

O The Vaccines continua sendo tanto atual quanto remetendo ao passado. Não está perto de ser um disco totalmente retrô como The Desired Effect do Brandon Flowers e nem como Multi-Love do Unknown Mortal Orchestra, mas tem seus bons momentos nas ágeis “Handsome” e “20/20”, com guitarras de Justin Young e Freddie Cowan com captação bem vintage anos 60, e “Minimal Affection”, “Give me a Sign” e “Miracle”, que acenam para os anos 80.

Há também as canções mais moderninhas, como “Dream Lover”, que tem bom riff, um dos melhores refrãos do disco, efeitos sonoros de guitarra e um sintetizador que ajuda a trazer a canção para um campo mais aberto. As baladas “(All Afternoon) In Love” e “Maybe I Could Hold You” estão entre os melhores momentos do disco, também atestando uma maior modernidade no som dos ingleses e trazendo novos elementos. Ao mesmo tempo em que compõem faixas simples com sequências de três acordes simples, vão mostrando que podem manter o som sujinho (deixando o gosto do rock presente), mas permeando as faixas por uma leve abertura para o psicodélico, eletrônico e pop, como se vê em “Denial”, “Want You So Bad” e na diretíssima “Radio Bikini”. Guitarras com texturas e arranjos que criam camadas, mas sem perder o apelo pop. E a faixa-título do álbum é apenas violão e voz, bem tranquila e sem sobressaltos. Chega até a surpreender, já que English Graffiti é um álbum com mão pesada do produtor Dave Fridmann.

Há, é claro, uma dose a mais de maturidade no disco em comparação com os dois anteriores, mas não espere que isso signifique, para o bem ou para o mal, músicas mais bem elaboradas ou ideias totalmente novas. Depende do que você espera dos Vaccines. Podem parecer anos 60, podem parecer anos 80, podem parecer punk, podem ser indie de boate. Tudo como em What You Expect… e Come of Age (2012). A maturidade aqui tem mais a ver com uma autoconsciência do que estão fazendo e de como devem fazê-lo.

O público deverá permanecer fiel à banda com English Graffiti e embora não seja o melhor trabalho deles, não vejo motivo para indiferença. No mínimo, Justin Young e Cia. estão tentando, aos poucos, ir diversificando suas composições. Mas mesmo que se permitam colocar um pé no psicodélico, as referências do grupo continuam as mesmas. E os motivos para gostar ou não do quarteto, também.

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