2015 Funk Pop Resenhas Soul

Simply Red – Big Love (2015)

simply red big love

Com inéditas após oito anos, aquele Simply Red que você bem conhece

por brunochair

A turnê do álbum Stay (2007) foi anunciada como a de despedida do Simply Red. Em 19 de Dezembro de 2010, a banda fez a sua última apresentação, em Londres. Na época, parecia estar decretado o fim de um grupo que atingiu um sucesso internacional, com vendagem de cópias significativa e potencial radiofônico incontestável. Ao mesmo tempo, o seu soft pop não era assim tão banal: continha alguns elementos da black music e da electropop.

As pessoas não ouviriam músicas novas nas rádios, mas as antigas músicas continuariam tocando nas rádios de todos os países, de Bombaim a Reykjavík, Oslo a Buenos Aires. Quem não conhece as músicas “Stars”, “Holding Back The Years” e “For Our Babies”? Músicas que agradam a um público bastante amplo, pelo conteúdo universal das letras, melodias acessíveis e a voz terna, doce do ruivo Mick Hucknall.

Hucknall, ainda que cercado de bons músicos, é a cara da banda. Ou o cara da banda, como preferir. Você lembra de Simply Red, logo vem à cabeça a cara sardenta e os cabelos vermelhos de Mick Hucknall. E ele assumiu esta posição com bastante propriedade: é quem realmente mais aparece em videoclipes, entrevistas, é o grande compositor e letrista da banda.

Pois bem. Após anunciar o fim das turnês, o Simply Red retorna às atividades de estúdio e entrega ao público Big Love, o seu décimo primeiro trabalho de inéditas. Em entrevistas, Mick Hucknall diz que este pode ser o último álbum da banda. Ao mesmo tempo, após o lançamento do disco (já está disponível em stream por aí) a banda já anunciou shows pela Europa e pelos Estados Unidos, o que leva a crer que tem turnê, sim. Então, essa história do fim do grupo pode ser apenas história pra boi dormir.

Tem turnê, tem disco novo após oito anos e vamos falar sobre ele agora, que é o que interessa.

Sobre as músicas: se você está aqui, certamente já ouviu algum disco inteiro do Simply Red. Ou mais de um. Ou tudo. E adora. Agora, a notícia: você vai adorar Big Love. Sério. É o Simply Red de sempre: músicas agradáveis, letras que grudam na cabeça, trabalho de composição bem executado.

É o pop de sempre, utilizando elementos musicais variados. É o estilo que o Simply Red conseguiu desenvolver nessas três décadas de carreira. Não flerta com a contemporaneidade, não. Ou seja, se você ouvir um disco deles da década de 90 e Big Love, encontrará elementos muito parecidos. Hoje, talvez, a banda esteja mais madura e consciente da sua musicalidade, o que os ajuda a saber onde querem chegar – e o que desejam evitar.

simply red band

“Shine On”, a música que abre o disco, apresenta parte da estética musical que a banda desenvolveu ao longo dessas três décadas. Instrumentos de sopro dialogando diretamente com um sampler de bateria eletrônica e teclados, tudo isso com uma proposta easy listening. “Daydreaming” tem uma pegada mais funk, com o baixão mandando uns slaps, a guitarreira na mesma função e Mick Hucknall num estilo Jackson Five, no início. De todas do álbum, esta é a que mais se destaca, num sentido musical.

“Big Love”, faixa que dá nome ao disco, é bem caretinha. É uma canção escrita para os casais que possuem muitos anos de união. Aquela ideia do apaixonar-se todo dia, e todo dia, e todo dia. Mas, ok. É daquelas músicas que grudam na cabeça, e o instrumental está lá apenas para dar suporte à letra. Outra canção em que a letra é muito maior que a composição é “Dad”, em que Mick Hucknall faz uma homenagem ao seu pai falecido, que o criou sozinho após a mãe abandonar a família quando Mick era apenas um garotinho de três anos.

“The Old Man and the Beer” é bem estilo de pub, mesmo. “Each Day” é uma boa baladinha, que consegue equilibrar bem a composição e a letra. “Love Gave Me More” lembra um pouco o clima de Let’s Get It On, do Marvin Gaye, uma pegada fuck music, mas… soft, como tudo que o Simply Red faz. E em todos os ritmos e estilos o Simply Red consegue passar e transformar, colocando sua própria identidade.

O que deve ficar registrado é que este álbum não trouxe muita inovação para a discografia do Simply Red, nem para a música mundial. É o Simply Red de sempre, com as suas músicas agradáveis, que não exigem do ouvinte um grande esforço. Certamente, nos próximos meses algumas dessas músicas citadas estarão tocando nas rádios. Provavelmente, em alguma novela. E aí dirão: “ah, essa música é do Simply Red, a banda daquele ruivo que faz música boa”.

É por aí.

2 comentários em “Simply Red – Big Love (2015)

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