2015 Indie Pop Resenhas Rock

Franz Ferdinand & Sparks – FFS (2015)

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Uma coleção de músicas simples e sem muita imaginação

Por Lucas Scaliza

Os escoceses do Franz Ferdinand uniram forças com a banda de rock americana Sparks para formar um supergrupo. Após o fraco Right Thoughts, Right Words, Right Action (2013), o Franz Ferdinand precisava de uma energia nova que restaurasse a qualidade das composições da banda. A parceria com o Sparks chegou a animar, mas o recém-lançado FFS consegue ser ainda mais fraco.

Existem alguns bons momentos no disco, como havia em Right Thoughts…, mas isso não basta. Após o divertido Franz Ferdinand (2004), e o approach mais pretensioso de You Could Have It So Much Better (2005) até o apogeu com Tonight (2009), um disco que combinava uma técnica afiada, banda entrosada e muito ritmo, FFS parece uma coleção de músicas diretas, simples e sem muita imaginação, como músicas demos ou engavetadas lançadas em forma de disco.

Foto: Dave Edwards
Foto: Dave Edwards

Quando o Franz surgiu, na primeira metade da década passada, tinha um som gostoso de ouvir e suingado como há algum tempo as ilhas britânicas não produzia com tanto sucesso – e com tanto hype. Foi ventilado para quem quisesse ouvir ou ler que a proposta da banda e fórmula para o sucesso era fazer música “para garotas dançarem”. Eles conseguiram isso e muito mais, tornando-se muito mais conscientes de suas potencialidades como músicos, instrumentistas e artistas, sem nunca perder a diversão de vista. Aliás, as apresentações ao vivo da banda são tão boas que virou uma espécie de piada recorrente dizer que os escoceses tinham feito mais shows no Brasil do que discos lançados. Isso mostra não apenas a qualidade do quarteto ao vivo, mas do carinho que recebem dos fãs.

É comum bandas se tornarem mais simples com o passar do tempo e, com certo sucesso conquistado, deixar de ser pretensiosas e tomarem caminhos mais fáceis e mais amplamente aceitáveis por uma audiência cada vez maior e menos nicho. Mas existem simplificações que incomodam. Já era o caso de Right Thoughts…, mas parece uma entrega ainda mais aprofundada na música despretensiosa e sem muito conteúdo (seja nas letras, seja na música em si), como FFS. Nenhum dos dois lados parece inspirado e ninguém salva o dia. Franz Ferdinand & Sparks não fazem um trabalho mais vistoso e que vai ficar na mente das pessoas por tanto tempo que mereça o título de supergrupo. Fica a impressão de que juntos não fizeram nada que não fariam melhor separados.

FFS se aproveita de um piano que não faz muito mais do que o básico, de alguns elementos que dão uma aura mais eletrônica e até retrô às músicas. A alternância de vocais entre Alex Kapranos (do FF) e de Russel Mael (do Sparks) funciona bem. Já o resto da banda encontra bem pouco espaço para criar alguma coisa. Nada de riffs e ritmos memoráveis de guitarra, poucas linhas de baixo realmente bonitas e nenhuma sacada ou virada de bateria mais esperta. Ainda assim, “Johnny Delusional” tem um bom refrão, “Call Girl” tem uma pegada dance legalzinha, mas que infelizmente vai precisar de um remix para ganhar a força que deveria ter. “Police Encounters”, “So Desu Ne”, “The Man Without a Tan” e “Piss Off” são animadas. E “Collaborations Don’t Work” parece definir o álbum já no título.

“Little Guy From The Suburbs” e “Look at Me” conseguem sair da média e surgir como músicas mais criativas e menos piloto automático. “A Violent Death” também é interessante com seu clima noir novelesco. “Things I Won’t Get” é boa também, mas fica uma sensação de déja vu.

Como trata-se de um projeto especial, o FFS não precisa ter todas as características de uma banda ou de outra. Eles até conseguem realmente encontrar um meio termo que não deixa tudo igual à suas discografias principais. Mas as faixas novas parecem, em grande medida, um pouco preguiçosas. Que essa má fase passe logo, assim como sobreviveram ao hype.

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5 comentários em “Franz Ferdinand & Sparks – FFS (2015)

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