2015 Folk Indie Pop Rock

My Morning Jacket – The Waterfall (2015)

My Morning Jacket - The Waterfall

A novidade é a psicodelia

por brunochair

My Morning Jacket é uma banda americana criada lá pelos anos de 1998, e que com The Waterfall chega ao seu sétimo álbum na carreira. Em nenhum destes dezessete anos de estrada e de música o grupo conseguiu atingir um grande sucesso popular, no sentido de conseguir grandes vendagens, emplacar músicas na rádio e ser a queridinha da américa (sim, são americanos). Porém, desde o primeiro álbum (The Tennessee Fire) até este sétimo temos uma banda que, álbum após álbum, apresenta uma qualidade musical inquestionável e um caráter de vanguarda.

Nos dois primeiros discos, uma mistura de country, folk, southern e indie rock traçavam um panorama de como poderia ser classificado o My Morning Jacket. A partir de It Still Moves (2003) e principalmente o fantástico álbum (2005) o grupo começou a desenvolver uma experimentação musical que o distingue das demais bandas de seu tempo: em Z, por exemplo, há uma influência da música eletrônica bastante perceptível, que incorpora ao excelente trabalho melódico já existente.

A partir do Z, nota-se o quanto My Morning Jacket está conectado com a música do seu tempo, e o quanto a banda procura incorporar de novos elementos em sua própria sonoridade. Neste álbum que estamos fazendo menção (Z) é notória, por exemplo, a influência de Radiohead. Não como uma cópia fácil e barata do que acreditam ser Radiohead, mas sim uma reelaboração bem feita e a partir de elementos que a banda tem segurança em desenvolver – o que, poderíamos dizer, ser a sua própria “identidade”.

Depois de outro ótimo disco, que procurava resgatar essa identidade mais “melódica” (Evil Urges, de 2008e do seguinte, bem abaixo do esperado (Circuital, de 2011), My Morning Jacket volta com The Waterfall. E este disco novo surpreende pelo mesmo motivo que foi surpreendente, em seu tempo: a junção de novos elementos musicais contemporâneos ao country/folk/southern/indie rock do grupo.

E que elementos seriam esses? Ok, se você não observou bem a capa, dá uma olhada de novo. Essa cachoeira, essas cores, essa psicodelia toda… sim, esse é o espírito de The Waterfall: essa torrente musical, que perpassa o ouvinte a partir da primeira audição. Nota-se o elemento psicodélico, que já esteve presente em outros momentos, ganhando um espaço nunca antes existente.

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Falando sobre as canções do disco: A primeira música, “Believe (Nobody Knows)” é um rock bem soft. No entanto, nesta música já começam a aparecer, ainda que discretamente, algumas influências psicodélicas. “Compound Fracture” possui uma pegada mais pop que boa parte do disco, e nos faz lembrar de algumas músicas do álbum do Kooks, do ano passado (as melhores, no caso).

“Like a River” possui uma pegada mais southern, com aquele toque experimental que só uma banda da magnitude do My Morning Jacket consegue desenvolver. A quarta música é uma das pérolas deste disco: “In Its Infancy (The Waterfall)” consegue demonstrar o quanto o grupo esteve envolvido em formular a psicodelia, elevá-la a grandes consequências.

O resultado é uma música intensa, bonita, repleta de elementos psicodélicos – desde o vocal camaleônico de Jim James aos criativos reverbs de guitarra. É uma música tão intensa e grandiloquente que remete até a “Bohemian Rhapsody”, do Queen, em razão de parecer muito maior em tempo do que realmente é. Definitivamente, uma grande viagem.

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Rapaziada da banda curtindo uma brisa

Após essa psicodelia toda, “Get the Point” nos oferece a chance de acalmar. Uma balada honesta e deliciosa, que realmente deixa qualquer ouvinte mais tranquilo para o que ainda virá, a seguir. “Spring” talvez seja a música mais fraca do disco, embora sedimentada em todos estes elementos que já consideramos. “Thin Line” é a música na qual é possível notar a maior influência de Tame Impala no disco do My Morning Jacket.

Aliás, o Tame Impala parece ser a banda que mais influenciou o My Morning Jacket nesse disco, com essa maior presença de elementos psicodélicos unindo-se ao rock e a alguns elementos de música eletrônica. E, para quem espera o novo disco do Tame Impala ansiosamente, vale a pena ouvir o do My Morning Jacket como um belo “esquenta”.

“Big Decisions” foi escolhida como primeiro single. Percebe-se o porquê da escolha ouvindo-a: música predominantemente pop, com laivos de psicodelia e letra fácil de guardar. “Tropics (Erase Traces)” é uma das canções mais experimentais/instrumentais do disco, apontando para elementos do rock progressivo. E, para fechar o álbum, outra baladinha: “Only Memories Remain” é uma soul music modernosa, que até nos faz lembrar algumas canções criadas pelo Alabama Shakes, neste ano. Uma senhora música, que encerra os trabalhos com maestria.

Em suma, um dos discos mais sólidos da carreira do My Morning Jacket. Mais uma vez, o grupo consegue incorporar elementos musicais aos já estabelecidos. E é esta junção de influências, elementos e possibilidades que faz a banda trilhar por um caminho singular: ainda que não possuam grande sucesso no mainstream, conseguem emplacar bons e elogiados álbuns no decorrer destes quase vinte anos de formação. Talvez, seja melhor fazer boa música e ficar meio à parte do mainstream, mesmo. Não é?

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