2015 Eletronica Metal Resenhas

Lindemann – Skills in Pills (2015)

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Lado mais fanfarrão e bad boy de Till Lindemann não sai da sombra do Rammstein

Por Lucas Scaliza

Já se vão seis anos desde que a banda alemã Rammstein, ícones do metal industrial europeu, lançaram Liebe Ist Für Alle Da (2009), seu último disco de inéditas. Desde então, não temos novas turnês e nem material inédito, com exceção de alguns boxes especiais. Para os fãs, ficou um vácuo aí. Mas o vocalista do grupo, Till Lindemann, uniu forças com o multi-instrumentista sueco Peter Tägtgren, da banda de death metal Hypocrisy e do grupo de industrial PAIN, para formar a banda Lindemann. Apesar da parceria, e como o nome indica, soa como um projeto solo do alemão.

Na verdade, Skills in Pills soa como Rammstein. É o que imaginamos que a banda soaria caso lançasse um disco novo. Seja pela voz grave e cavernosa de Lindemann ou seja pelo instrumental industrial e gótico de Tägtgren, tudo remete à identidade sonora do grupo alemão. Além disso, Lindemann está mais fanfarrão do que nunca. Apesar das músicas pesadas, cheias de guitarras de timbres encorpados, as letras não são nada sombrias ou sérias. Ele destila seu humor e seu palavrório sexual. Não é muito diferente do que o Rammstein faz, aliás. Por baixo daquela sonoridade industrial e do visual punk, havia mais temas festeiros do que poderíamos supor apenas ouvindo ou julgando a banda pela forma como se apresentam. Antes deles, o Kiss era a mesma coisa: um visual até que chocante (para a época) e letras sobre festas, amor, sexo e diversão.

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Mesmo com Till Lindemann em um projeto fora do Rammstein, o Rammstein não saiu de Till Lindemann. Existem alguns elementos novos, mas o grosso das características ainda são as mesmas. O que é conhecido na Alemanha como Neue Deustsche Härte (Nova Música Pesada Alemã), movimento com que o Rammstein está alinhado, continua seguindo seus ditames em Skills in Pills.

As guitarras estão bem presentes, fazendo boas bases de metal industrial, construindo paredes de distorção e executando riffs bons, mas sem muita imaginação. Praticamente não há solos. O teclado – geralmente imitando uma orquestra – está muito presente e contribui com a criação do clima gótica das canções. Os efeitos eletrônicos e os sintetizadores estão muito bem colocados e bem desenvolvidos, melhor do que no Rammstein, e aí vemos a grande contribuição de Tägtgren. Os refrãos são mais melódicos que o restante da faixa, assim como a banda do cantor fez tantas vezes. Uma diferença: Till Lindemann canta todas as faixas em inglês, ao invés do alemão de sua banda, com sotaque carregado e tudo.

 

“Ladyboy” é, como já fica claro desde o início, uma música sobre um homossexual que se prostitui, que “se veste para a diversão, não para o romance” e faz o eu-lírico da canção pensar: “por que vou amar se posso me divertir com o meu ladyboy?” E “Fat” já começa com um órgão executando uma escala gótica. A letra é sobre um homem que odeia de garotas magrelas, mas gosta de gordas, grandes, peitudas e termina dizendo que vai “comê-la por trás”. Tem ainda a bem humorada e sarrista “Cowboy” e “Golden Shower”, outra de alto teor sexual que… bem, se você jogar o nome da música no Google ou for um adepto de práticas escatológicas com seu parceiro/parceira, já sabe do que se trata.

Tem ainda as power ballads “Home Sweet Home” e “That’s My Heart” e as melódicas “Children of The Sun” e “Yukon”. Esta última uma das melhores músicas do disco, com piano e orquestração góticos que realmente combinam com a letra, mais sombria dessa vez.

E quase no fim do disco vem o single, “Praise Abbort”, a música em que Lindemann destila todo o seu humor negro com uma letra que, dependendo de quem a ouve, achará de extremo mau gosto. Ele já começa dizendo que “gosta de foder”, mas que “Sem camisinha, é ainda melhor/Mas toda vez que coloca pra dentro/ Um bebê chora, e às vezes são gêmeos”. A música tem uma forte influência de eletrônica, que serve para dar a roupagem extremamente cara-de-pau do personagem. O refrão é um show a parte do lado bad boy de Lindemann (goste você ou não do humor bizarro dele) quando canta: Eu odeio minha vida/ E odeio você/ Odeio minha esposa, e o namorado dela também/ Odeio odiar e odeio isso/ Odeio muito mesmo a minha vida/ Odeio meus filhos/ E nunca pensei que iria enaltecer o aborto”.

Till Lindemann e Peter Tägtgren não criam nada novo e nem parecem ter essa ambição artística. Skills in Pills é mais diversão e uma forma de continuar o trabalho do Rammstein e do PAIN do que usar o “projeto paralelo” como forma de mostrar outro lado de seus compositores e até mesmo outras vertentes do que poderia ser a Neue Deustsche Härte. Até mesmo os portugueses do Moonspell conseguiram encontrar uma abordagem interessante usando os mesmos elementos góticos, orquestrais, eletrônicos e metaleiros. Já Enter Shikari e Red, cada um a seu modo, mostram que há sim como variar o estilo, independente do teor cômico que se queira trabalhar nas letras. Assim, não há muito o que ouvir em Skills in Pills que já não tenha sido explorado, fazendo-o parecer um pouco esvaziado de propósito.

Mais sorte da próxima vez.

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2 comentários em “Lindemann – Skills in Pills (2015)

  1. Seus putos que têm o melhor blog atual das parada (… ganhou do collectors room e do music on the run). Quando vão fazer a lista de melhores do 1º semestre na opinião de vcs?

  2. Pingback: Lamb Of God – VII Sturm und Drang (2015) | Escuta Essa!

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