2015 Metal Resenhas

Between The Buried And Me – Coma Ecliptic (2015)

between-the-buried-and-me-coma-ecliptic-600x600

Virtuosismo e agressividade progressiva no talo

Por Lucas Scaliza

O sétimo disco dos americanos do Between The Buried And Me é, mais uma vez, um show de virtuosismo técnico. Os cinco músicos estão tinindo em Coma Ecliptic, mais um disco conceitual, desta vez sobre um homem em coma autoinduzido e a jornada que ele faz por dentro de sua própria mente e memórias de vidas passadas, procurando uma vida melhor. Segundo o vocalista Tommy Giles Rogers Jr., a vibe do trabalho é inquietante e sombria, como os filmes de David Lynch e a clássica série The Twilight Zone (no Brasil, Além da Imaginação).

Os vocais guturais continuam a se misturar aos vocais limpos, feitos pela dupla Tommy Rogers (vocal e teclado) e Paul Waggoner (guitarras e vocal) e as músicas são uma montanha russa. Muitos riffs, licks e solos velozes, sem falar no enorme número de mudanças rítmicas e compassos. Um trabalho de metal progressivo vistoso e muito bem executado, mas tão técnico que às vezes soa frio, distante.

Between-the-Buried-and-Me-Live-DVD

O som e os temas da banda é sempre muito cerebral. São poucos os momentos em que é possível se conectar a uma levada mais emocional, carregada por acordes. Alguns desses momentos estão nas ótimas “Turn on the Darkness” e “Memory Palace”, duas das maiores faixas do álbum, que conseguem congregar o virtuosismo com o formato canção. E a banda se dá muito bem nesse formato também, eles só não compõem muito. O Coheed And Cambria, outra banda do mesmo estilo, tem um equilíbrio maior entre metal, progressivo e a canção acessível.

Existe muita agressividade no som do Between The Buried And Me e apenas alguns momentos em cada faixa em que a dinâmica cai, seja para um solo mais bonito e comedido ou para uma estrofe menos pesada. Mas há muitos momentos de metalcore, que vão e vem sem prévio aviso.

Após a melancólica “Node”, peça em grande parte apenas de teclado e voz, “The Coma Machine”, que inaugura a viagem metaleira pela mente do personagem. E dá-lhe momentos tristes, riffs perturbados e vozes guturais raivosas. Como essas mudanças são constantes em basicamente todo o Coma Ecliptic, fica difícil – e até mesmo meio desnecessário – tentar descrever as faixas. Se você já conhece o BTBAM de outros álbuns, sabe que eles não são de fazer faixas em que cada uma seja puxada mais para um estilo ou apresente alguma estética particular. Quando observamos, por exemplo, os álbuns do Steven Wilson como Hand. Cannot. Erase. ou The Raven That Refused To Sing (2013) conseguimos facilmente identificar quais são mais fusion, quais são mais sombrias, quais flertam com o eletrônico, quais são mais atmosféricas ou qual seria uma espécie de balada.

Com o BTBAM cada faixa é construída refletindo o conceito do álbum todo. Os elementos estão disseminados por todas as faixas. E no caso de Coma Ecliptic uma faixa se liga a outra, criando o efeito de eterna continuação. Ainda assim, gostaria de apontar o trabalho com teclados e sintetizadores em “Dim Ignition”, fazendo da faixa uma experiência eletrônica. As pesadas “Famine Wolf” (que se aproxima do death metal do Opeth) e a insana “King Redeem/Queen Serene”, em que o baterista Blake Richardson e o baixista Dan Briggs dão um show de controle e precisão. E lado tecladista de Rogers Jr. brilha na excêntrica “The Ectopic Stroll”, com uma levada inicial em 7/4 e depois não para de mudar a fórmula do compasso.

between_the_buried_and_me

Embora “Rapid Calms” se apresente como uma faixa climática, lembrando até algumas experiências lisérgicas da década de 1970, o BTBAM simplesmente não consegue deixar o som fluir previsivelmente por muito tempo e logo a faixa começa a ir e voltar entre riffs, partes de metalcore e partes de balada, até chegar arrastada e intensa ao seu final, com um excelente solo.

O som do quinteto é altamente intrincado, cheio de viradas e riffs mais técnicos do que marcantes. Por isso, qualquer disco da banda pode ser meio irritante para quem não adquiriu gosto pelo progressivo ou jazz mais exibicionista e cerebral. O lindo Skyline, dos italianos do Barock Project, também é altamente técnico e cheio de partes diferentes em cada música, mas o foco em melodia e em harmonias bonitas – ao invés da pancadaria metaleira – faz com que sua música seja bem mais palatável, melhor apreciável desde a primeira audição, sem abrir mão da virtuose.

O Dream Theater, que também preza pelo virtuosismo técnico dentro do metal progressivo, conseguiu estabelecer uma estrutura diferente para fazer composições complexas descerem mais redondas. Há muitas trocas de compasso, muitos solos e muitas sequências difíceis de acompanhar, mas sabem dividir bem o que é verso, o que é refrão, o que é uma longa passagem instrumental. O Between The Buried And Me, por outro lado, borra as fronteiras essas partes, não fazendo questão de deixar arestas sem aparar, o que favorece a agressividade e ressalta os aspectos progressivos em sua musicalidade.

Coma Ecliptic é um ótimo álbum, mas depende muito do quanto o ouvinte está habituado a uma música que não vai carregar o ouvinte por suas harmonias e ritmos. Na verdade, é o ouvinte que precisa organizar tudo aquilo dentro de sua cabeça. Mas o estranhamento faz parte da experiência de romper com a canção tradicional. Daí, é natural que parece um pouco frio mesmo. Mas acertam na temperatura em alguns momentos, como no final de “Life in Velvet”, quando a dinâmica sobe e temos um momento de proximidade emocional com o álbum, bem em seu final.

between the buried and me

Anúncios

4 comentários em “Between The Buried And Me – Coma Ecliptic (2015)

  1. Pingback: 15 Melhores Álbuns do 1º Semestre de 2015 | Escuta Essa!

  2. Hey Lucas! Vc saberia me dizer onde eu posso conseguir as letras desse ótimo álbum?

  3. Pingback: Orbs – Past Life Regression (2016) | Escuta Essa!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: