2015 Indie Pop Resenhas Rock

Gin Wigmore – Blood To Bone (2015)

gin-wigmore-cover

Após surpreender com Gravel & Wine (2011), cantora neozelandesa faz um disco fraco

Por Lucas Scaliza

É difícil esconder que, apesar de bom, Blood To Bone é também uma decepção. Alguns artistas e bandas surpreendem tanto em alguns de seus primeiros álbuns que apostamos que com o tempo, a maturidade e a confiança eles poderão se desenvolver ainda mais. Recentemente foi o que eu disse apostando no futuro do Wolf Alice após o ótimo début deles com My Love Is Cool, lançado há pouco tempo. E também foi assim com a estreia do Royal Blood ano passado e várias outras bandas com potencial. No caso da neozelandesa Gin Wigmore, ela demonstrou que tinha muito potencial e personalidade com Gravel & Wine (2011) e rapidamente muita gente passou a prestar atenção no que viria a partir dali. A resposta de Blood To Bone é, infelizmente, um pequeno passo para trás.

Suas músicas estão mais voltadas para o pop e timbres eletrônicos do que o rock/blues com influências de country que tanto marcaram Gravel & Wine. E sua excelente voz continua exibindo um timbre único, mas subaproveitado. E o que havia do jeito de Amy Winehouse no álbum anterior, trazendo um pouco do R&B para o rock/pop dela, aqui parece muito mais esgarçado. O que tinha de visceral quase se perdeu. “Nothing to No One”, com sua instrumentação crescente, pede para que a vocalista cresça junto com ela, mas o clímax vocal nunca se realiza plenamente.

gin_wigmore_2

“New Rush” é um eletrorock com baterias bem pesadas, já “This Old Heart” é uma balada que troca a atitude de outrora por uma atmosfera mais chorosa e alguns efeitos eletrônicos que dão a característica melódica da música. “Black Parade”, também mais trágica, poderia ser interpretada pela Lana Del Rey. A forma como a música cria um ambiente para a tristeza e a fragilidade vocal combinam perfeitamente com a americana.

“Written in the Water” é o pop/R&B mais próximo de uma Amy Winehouse e mais animado e orgânico, assim como “24” também consegue expressar um pouco mais de força a um álbum que parece acuado. “Holding on to Hell” tenta trazer alguma sujeira para o disco, mas a guitarra distorcida e a bateria sincopada não são suficientes para impressionar quem ouviu Wigmore em outras épocas.

Ao terminar de ouvir Blood To Bone você se pergunta para onde foi o estilo e a garra da cantora. O disco é muito mais comedido do que seu antecessor e as composições muito mais simples e menos poderosas. Sobra um cheiro apenas do rock/blues e R&B de boate que foi tão bem feito em Gravel & Wine. Os americanos do Alabama Shakes também tiraram um pouco a mão do rock no novo Sound & Color em comparação com a ótima estreia de Boys & Girls, mas souberam expandir a música e trabalhar mais os estilos, fazendo do segundo disco não um concorrente do primeiro em força, mas em amplitude sonora e estética. Mas a atitude da banda continua ali, bem a vista.

Gin Wigmore nunca se colocou como uma nova Janis Joplin ou Aretha Franklin, ou como uma cantora de rock, blues ou mesmo R&B. Todos esses estilos estão entre suas influências, mas sempre se posicionou como uma artista da música pop, mesmo que de uma vertente indie. O que Blood To Bone faz por ela é direcioná-la melhor ao pop, deixando apenas algumas marcas dos estilos que formam a sua musicalidade. Como já tinha indicado, não é um disco ruim, mas em comparação com a força do segundo, este terceiro trabalho é menos brilhante e marcante. A troca da excentricidade pela regularidade tirou dela, pelo menos desta vez, o que tinha de mais diferente.

gin-wigmore

1 comentário em “Gin Wigmore – Blood To Bone (2015)

  1. Bom, escuto o álbum todos os dias desde o lançamento. Nem preciso dizer o quanto gosto, mas pra ser franco; a primeira audição decepciona mesmo.
    Gravel and Wine tem uma ótima pegada e animação.. Perfeito. E é o que acabamos esperando de Blood To Bone também ( principalmente por gostar muito do som de New rush). o certo seria escutar o álbum sem esperar semelhanças com o anterior. Por isso a primeira audição decepciona. Mas em meu caso, após a Segunda já tinha me apegado… Tá diferente sim, dramático, mais pop, até gótico.. Mas muito bom! Gostei deste lado da Gin, mais séria e intimista… E também vi Lana as vezes rsrs… Mas gosto bastante do álbum. ( só acrescentaria mais músicas ao álbum, pois 10 é pouco, e claro, nesses acréscimos mais músicas como New Rush) rs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: