2015 Eletronica Pop Resenhas

Owl City – Mobile Orchestra (2015)

mobileorchestra

O comodismo do eletropop comercial

por brunochair

Sabe aquele dia em que você volta para casa após um dia fatigante de trabalho ou de estudo (ou de ambos) e, após uma franca avaliação, percebe que foi um dia produtivo, mas “normal”? Normal porque não houve mudanças significativas: você apenas ligou o automático e foi até o fim. E fez o que tinha que fazer. E ok, lá se foi o dia. Um dia a mais, outro a menos. A sensação de dever cumprido, por sua vez, ganha o azedume da mesmice, e aí você não sabe se deve ficar orgulhoso de si ou deve repensar os próximos passos.

Um pouco pesado pensar assim? Se formos avaliar de forma coerente e racional nossas atitudes, talvez não. Ao mesmo tempo, talvez o comodismo nos faça bem. O status quo dói menos, não extravasa nossos limites. Você não precisa da exposição do fracasso, da transformação. E segue. E por quê não poderá seguir bem? De repente segue tranquilo, diante da normalidade e do comodismo.

Faz tudo parte de um jogo maior, de um cálculo que se faz para saber se uma situação cômoda compensa ficar como está, ou não. Às vezes você nem pensa em tudo isso. Não pensa em nada disso. Isso tudo é bobagem. E segue a vida, na pegada de sempre. Todo mundo gosta, você é (em tese) bom no que faz, e não há discussão. Não há contenda, o seu espaço está garantido. E, se ninguém reclama, você segue. Sem pensar muito em tudo isso, mais uma vez.

—–

Aos resistentes que chegaram até aqui, perguntarão a mim: que raios de resenha é essa, meu amigo? A resenha é sobre o disco novo do Owl City (chamado Mobile Orchestra) mas poderia versar sobre o comodismo nosso de cada dia. Por isso, a comparação com um dia comum. Owl City tem dias comuns em sua discografia. Ele adotou fazer pop para as massas. Um eletropop baseado em música eletrônica (synthpop) com um gosto bem comercial. Aquele clima de veraneio, letras com sacadinhas irônicas e com conteúdo adolescente.

Suas músicas agradam a muita gente, sim. A construção das músicas é comercial, e é feita para esse fim. E Mobile Orchestra prova que a habilidade de Adam Young  para tanto segue bem, obrigado. Hits para rádio não faltam, e já aparece logo na primeira música do disco, “Verge”. Aloe Blacc, que bombou com essa música aqui, foi convidado pra cantar neste single. E aí temos uma música que flerta com o country e a música eletrônica de uma vez, e ganha um assovio ao fim do refrão. É pura pop music, fórmula sem erro.

 Já que estamos falando de participações, temos Sarah Russell em “Thunderstruck”, música bastante animada e que (provavelmente) ajuda nos treinos da academia ou em corridas ao ar livre. Mesma fórmula para “Can’t Live Without You”, aquele eletropop bem animado que vai ganhando força e explode no refrão. “Unbelievable” tem a participação dos Hanson, e com toda a franqueza, é bem chatinha. “I Found Love” e “My Everything” ganham a função de baladas de começo de disco, também mirando bastante o status de rádio. O que dizer de uma música que tem no refrão “hallelujah”? “My Everything” é uma canção bastante cristã, diga-se de passagem.

“Back Home” (com a participação de Jake Owen) e “This Isn’t The End” são as outras baladinhas do disco. A última é a melhor delas, contando com uma letra que sai um pouco do convencional do Owl City – uma letra talvez menos adolescente-inocente.  Temos ainda as músicas “You’re Not Alone” e “Bird With a Broken Wing”, sendo esta última das mais fracas do disco, junto com a parceria com os Hanson já citada, “Unbelievable”.

Analisando as músicas, volto a questão do comodismo. Owl City preferiu não arriscar-se. Preferiu pegar a pasta de sempre, fazer o trabalho acadêmico de sempre. Optou pelo fácil. Pelo jeito, o artista não tem a intenção de rumar pelo mesmo caminho de outros artistas da Pop Music que desenvolvem um trabalho mais experimental, como Beach House ou Tame Impala. Preferiu a segurança do pop comercial, e dentro deste pop comercial, nada além do que já existe no circuito, e do que ele próprio já produziu. E, sem entrar em maniqueísmos, pode-se dizer que o disco fará muito sucesso, eu e você ouviremos nas rádios, academias e baladas.

Assim serão nossos cotidianismos.

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