2015 MPB Nacional samba

Gustavito e a Bicicleta – Quilombo Oriental (2015)

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O afoxé, a cultura indiana e a música brasileira em celebração

por brunochair

Ainda que essa afirmação contenha algumas camadas de discussão, podemos dizer que o Brasil é um país sincrético. Talvez a forma de lidar com esse sincretismo ainda seja algo a se discutir, mas podemos concluir que possuímos (no Brasil) diversas etnias, povos oriundos de diversos países e em diversos tempos históricos distintos. E sem esse sincretismo, poderíamos dizer que este álbum de Gustavito (em conjunto com A Bicicleta) chamado Quilombo Oriental não existiria. Difícil pensar que ritmos tão diversos, provenientes da cultura afro (através do afoxé) e indiana poderiam combinar-se, e produzir algo tão original, esteticamente tão bem executado.

Uma das influências deste trabalho é o bloco carnavalesco de Belo Horizonte, chamado Pena de Pavão de Krishna. O carnaval, que já é este locus no qual diversas culturas se encontram e celebram o sincretismo, serve como mote para Quilombo Oriental. Mas as influências não param por aí: obviamente, é possível fazer associações com diversos artistas da Tropicália (Caetano, Gil, Tom Zé, Gal Costa) Novos Baianos, Mutantes. Ao mesmo tempo, temos artistas mais contemporâneos, como as bandas cariocas Do Amor e Orquestra Imperial, sem esquecer da proximidade vocal de Gustavito com Moreno Veloso, Davi Moraes e Fernando Temporão. Nota-se, também, um frescor belorizontino, digamos que uma proximidade entre Quilombo OrientalMinimalista, de Thales Silva.

O disco começa com “Masala com Dendê”, em que esse sincretismo todo fica evidente tanto na sonoridade quanto na letra da música. A letra prova que não é necessário ir à Bahia nem à Índia para promover uma música e influências que combinem estes elementos. “Bença” segue com um ritmo bastante marcante entre percussão e violão. O disco transborda poesia e sincretismo em palavras e música, e músicas com letras tão distintas quanto ” Xote dos 26″ e “Quilombo Oriental” provam o quanto o disco contém coesão e amplitude.

“500 gargalhadas”, a sétima música do disco, contém elementos de blues rock bastante perceptíveis. Sim, há um pouco de psicodelia aqui e ali no disco, aproveitando que a psicodelia voltou à tona  nesta década – o Tame Impala e tantas outras bandas estão aí para provar isso. “Talismã” é uma das melhores músicas do disco, e mais uma vez fica evidente todo esse sincretismo (gostoso e absurdo) de Quilombo Oriental.

Gustavito e a Bicicleta cria música que fala de lugares, crenças e visões de mundo, estando em Belo Horizonte. Traz poesia em letras e versos, grita pelo sincretismo que o Brasil tanto quer ver. A xenofobia nunca deveria passar por aqui, e trabalhos artísticos como Quilombo Oriental demonstram o quanto podemos tornarmos ricos a partir da experimentação com outras culturas e crenças. A riqueza que deveria ser considerada, no caso. Um disco bastante rico de 2015, certamente.

3 comentários em “Gustavito e a Bicicleta – Quilombo Oriental (2015)

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