2015 Metal Resenhas Rock

Symphony X – Underworld (2015)

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O Inferno de Dante, por Symphony X

por brunochair

Este blog tem como uma das suas principais características a versatilidade. Falamos sobre jazz, soul, mpb, pop, música eletrônica e heavy metal. E falamos sobre todos estes temas sem quaisquer amarras, pois ambos gostamos de diversos estilos musicais. Nossa opinião crítica, via de regra, vem pautada por diversos motivos, sobretudo se há aquele elemento a mais na sonoridade da banda que nos impressiona – originalidade, digamos. E nem sempre agradamos aos leitores, e obviamente isso ocorre quando analisamos de forma mais contundente tal ou tal grupo mais conhecido, ou uma determinada vertente musical.

Lucas Scaliza, editor deste blog, precisou de muitos caracteres a mais para explicar os motivos pelos quais considerou o disco do Angra “fraco”, principalmente por acreditar que havia na banda uma crise de identidade bastante séria. A resenha que escrevi sobre o disco novo do Helloween também parece ter despertado um certo rancor em determinados ouvintes (fãs) da banda, que discordaram da minha opinião sobre o disco, que também parece sem elo com um estilo definido, e por isso mesmo inconsistente.

Temos também críticas bastante contundentes em outros estilos (fãs do Tokio Hotel e Madonna não me fazem mentir) mas ficou uma impressão (totalmente equivocada, diga-se de passagem) de que os editores do Escuta Essa! não curtem heavy metal. O Lucas tem resenhado excelentes álbuns neste nicho, como é o caso do Kamelot e do Sirenia. Fiz uma resenha positiva sobre o segundo álbum do dueto Kiske/Somerville, que agradou mais uma vez. São trabalhos diferenciados, consistentes dentro do estilo que se propõem a fazer, sempre trazendo o novo para a sonoridade que produzem.

Toda essa digressão foi feita para chegarmos na análise do disco novo do Symphony X, Underworld. Após quatro anos sem álbuns de inéditas, a banda liderada pelo guitarrista Michael Romeo surge com este novo projeto. E, se a análise ficasse em apenas dizer se o álbum está bom ou ruim, diria que sim, está muito bom. Mas o disco novo merece uma crítica muito mais profunda, para que sejam observadas algumas camadas de tudo o que foi criado, pois em se tratando de Symphony X, sempre há.

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Conheci o Symphony X em 2003, 2004. Apesar de muitos considerarem-na uma banda de metal progressivo, sempre achei que a banda está mais atrelada ao heavy metal, com laivos de metal progressivo. Sim, na discografia da banda podemos encontrar álbuns mais pesados e outros mais experimentais, mas os riffs criativos e pesados de Michael Romeo (ao meu ver) dão a tônica ao grupo. E outra característica marcante do grupo são os álbuns com temas diversos, como é o caso da inspiração na mitologia egípcia em V – The New Mitology Suite (2000) e n’A Odisseia, de Homero em The Odyssey (2002).

Em Underworld, a banda não foge de nenhuma destas características: primeiramente, é um álbum essencialmente heavy metal. Um heavy metal bruto, pegado, que dá pouquíssimos momentos de respiro; e a inspiração, mais uma vez, vem da mitologia e da literatura. Desta vez, o mote utilizado pelo Symphony X na criação do tema para o álbum é o Inferno de Dante.

Há a descrição deste Inferno por todas as letras deste disco. A sinestesia corre solta, desenhando traços sombrios, sentimentos e cenários bastante compatíveis com a literatura d’O Inferno de Dante Alighieri, em A Divina Comédia. Na música “Without You” há uma referência à Mitologia Grega, sobretudo a história de amor de Orfeu e Eurídice. Orfeu foi até as profundezas do inferno atrás de sua amada, que havia morrido. E a perdeu novamente, quando enfim havia conseguido trazê-la de volta para a vida. Por fim, decide ficar no Inferno juntamente com ela, quando nota que não há outra possibilidade de ficar com a sua amada.

Em Underworld há muitas mais referências a serem consideradas, mas as principais inspirações ficam mesmo na Mitologia Grega e na descrição do Inferno de Dante. Por estar falando das profundezas do submundo, o disco do Symphony X pende a ser mais heavy, com alguns momentos de linhas melódicas. A banda continua bastante afiada: Michael Romeo e seus riffs poderosos; Russell Allen num excelente trabalho vocal, alternando heavy, hard e melódico com a categoria de sempre. São os músicos da banda que despontam, embora não possamos esquecer do competente Jason Rullo na bateria.

É um disco muito consistente, bem diferente dos discos do Angra e do Helloween deste ano. Há um conceito geral que amarra todo o disco, mas cada música tem uma singularidade, tornando-se singular no plural. Por conta disso, o disco é bem plural, e consegue agradar os fãs antigos e apreciadores de heavy metal. E prova que as bandas mais antigas de heavy metal/metal progressivo ainda podem oferecer aos apreciadores deste gênero musical excelentes discos, mostrando aos novos como é que se faz – e sem perder o frescor, nunca. Underworld é passagem direta para o Inferno, sem volta.

Boas músicas: “Nevermore”, “Without You”, “Run With The Devil”, “To Hell and Back”.

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6 comentários em “Symphony X – Underworld (2015)

  1. Concordo que o disco seja bastante consistente. O Symphony X entrou numa espiral de simplificação das músicas a partir do Paradise Lost, no sentido de diminuir a influência clássica que aparecia mais no início da banda e aumentar a influência de heavy/power metal tradicional. O Iconoclast, albúm anterior, é o mais fraco da banda quando comparado com o restante da discografia, apesar de apresentar boas músicas. Por isso o Underworld, pra mim, veio como uma boa surpresa. O disco apresentou um equilíbrio melhor entre o legado e a proposta atual da banda, como o uso de blastbeats em Kiss of Fire, mas apresentando grandes músicas como To Hell and Back e Legend.

    • Obrigado pelo comentário ,Vitor! O que me chamou a atenção foi a coesão deste disco novo, algo que as bandas mais clássicas de heavy metal/power/metal progressivo mais antigas tem perdido. Ao msm tempo, rola sempre uma novidade, como nesse disco rolou uns flertes com Hard Rock e tal. É legal ver uma banda com tantos anos de carreira com um disco tão consistente, e ao msm tempo não presa a fórmulas de sempre. Abraços

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