2015 Eletronica Nacional Resenhas Rock

Remove Silence – Irreversible EP (2015)

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Banda paulistana utiliza iPad e apps para criar um rock moderno, climático e inovador para a cena brasileira

Por Lucas Scaliza

Além de prover um espaço para anúncios publicitários e entretenimento que mistura competição, música, participação popular e habilidade com o playback, o programa Super Star da Rede Globo revelou a banda brasiliense Scalene, que mostrou que o rock nacional tem sim outras vertentes mais modernas, podendo se basear em experiências como a dos ingleses do Radiohead ou dos americanos do Queens Of The Stone Age. Não é preciso seguir a tradição do rock dos anos 80 ou necessariamente seguir uma vertente preocupada com o lado comercial.

Há algumas semanas, conheci a banda brasileira Remove Silence por meio do novo clipe, “Irreversible”. Eu sabia que havia experiências sonoras dentro do rock nacional que partilhavam influências muito mais raras dentro do cenário do país, mas poucas vezes vi um trabalho tão bem acabado quanto o deles. Música climática, envolvente, mistura o rock’n’roll das guitarras com aparatos eletrônicos de ponta (um dos instrumentos utilizados pela banda e que aparece no clipe eu só havia visto anteriormente sendo usado ao vivo pelo disc jockey da Björk). O resultado é uma música que tem um pouco do Garbage e muito de Depeche Mode e Nine Inch Nails.

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O grupo paulistano tem dois discos completos (Fade, de 2010, e Stupid Human Atrocity, de 2012) e dois EPs, Little Piece Of Heaven (2013) e o recém-lançado Irreversible (2015), que já pode ser encontrado no iTunes (e todo o material deles está disponível de graça no Soundcloud). O grupo já teve Hugo Mariutti nos vocais e na guitarra, mas atualmente conta com Danilo Carpigiani (vocais e guitarra), Ale Souza (baixo e vocal), Leo Baeta (bateria) e Fabio Ribeiro nos teclados, um velho conhecido da cena metaleira que já tocou e gravou com Angra, Shaman e André Matos.

Embora tenha apenas seis faixas, o grupo trabalhou muito bem a sonoridade e a composição de cada faixa. “The Waiting”, a perfeita abertura, é um emaranhado de sons que captam sua atenção até direcioná-la para o piano de Ribeiro e para um clima pesado que contrasta com a suavidade dos vocais. Nada soa apressado ou gratuito, prova disso é que a faixa leva mais de 5 minutos para que soe o primeiro acorde de guitarra. “Irreversible” já é mais direta. A atmosfera já foi toda construída na faixa anterior, então chega mostrando como aliar linhas modernas de baixo e guitarra com efeitos eletrônicos. E há um solo eletrônico feito com iPad e sons extraído do Arp Odyssey, um moderno sintetizador que aparece no clipe da música.

Assim como os trabalhos anteriores, Irreversible continua misturando a criação de climas por meio de inovações técnicas e estéticas com um estilo de composição mais direto, aproveitando a pegada de todos os músicos da banda. E assim temos a bela “Frequencies”, que destaca um primoroso trabalho de bateria de Baeta, conferindo uma percussão tribal/regional à boa parte da faixa. “Our Song”, que fecha o EP, lembra até um pouco do Rammstein, mas termina encontrando seu próprio caminho, resolvendo a composição de forma bastante melódica e até menos opressiva do que o resto do trabalho.

“Decline of Modern Life” segue coloca bateria, baixo e guitarra no comando da canção. Além do ótimo refrão, o timbre da guitarra é delicioso e não deixa de emular um ruído eletrônico. Assim como “Frequencies”, é uma faixa que lembra o projeto Chroma Key, comandada por Kevin Moore, ex-tecladista do Dream Theater que gravou os álbuns When Day And Dream Unite (1989), Images And Words (1992) e Awake (1994) antes de deixar o metal progressivo. “Miracle” completa o EP com mais uma introdução eletrônica, conduzindo a composição para mais um bom refrão e um andamento mais upbeat do que o inicial.

Apesar de todos os músicos participarem sem estrelismo da banda (nada de solos de bateria ou fritações na guitarra), é Fabio Ribeiro, suas teclas e seus gadgets que se destacam da primeira a última faixa do EP. A utilização do iPad e de apps musicais ganhou espaço na banda desde o EP anterior e tudo soa surpreendentemente bem encaixado em cada composição, criando novas camadas de som para sentirmos e perceber como se transformam ao logo do trabalho. Nesta entrevista, Ribeiro fala mais sobre essa utilização da tecnologia para criar novos sons. Visitar o Instagram do grupo também é interessante, caso se interesse pelo assunto.

A proposta já era muito nova para o mercado nacional em 2007, quando a banda foi criada. Oito anos depois, continua sendo um exemplo único, por isso a necessidade de fazer referência a bandas como Garbage, Nine Inch Nails, Depech Mode e Chroma Key, sem falar que há similaridades também com o italiano Nosound, devido a mistura de rock poderoso, lento e atmosférico. O Remove Silence chega com um EP maduro, tanto no uso da tecnologia a seu favor, como na consciência sobre como sua música é diferenciada e pede também um tratamento diferente do rock mais convencional.

É possível perceber que há muito espaço para o grupo se desenvolver dentro dessa proposta, quem sabe até incorporando elementos mais experimentais à sonoridade, sejam eles advindos do Arp Odyssey e outros apps, ou da vertente mais roqueira do grupo. Mas isso é para o futuro. Por hora, Irreversible é um dos trabalhos mais interessantes e bem feitos do cenário nacional, sem medo de inovar.

Frequencies 😉 #korg #arp #odyssey @fabioribeirokb @removesilence

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3 comentários em “Remove Silence – Irreversible EP (2015)

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