2015 Pop Soul

Jill Scott – Woman (2015)

woman-album

A mulher reafirmando a sua condição de fazer arte e de ser falível sim, porque não?

por brunochair

Após ter falado sobre o disco novo do Miguel e toda a sua capacidade em discutir uma sexualidade mais abrangente, que não envolvesse apenas a figura do “macho alfa” da r&b, chegou a vez de falar de outra representante da black music que rompe paradigmas. Na realidade, Jill Scott representa um importante legado dentro da música, que é o de reafirmar a condição e a resistência das mulheres ante esse universo musical supostamente ditado pelos homens.

De certa forma, Wildheart de Miguel e Woman de Jill Scott acabam por provocar reflexões e discussões distintas, por apresentarem pontos de vista distintos dentro da r&b. Woman é um disco que reafirma a condição e a força da mulher, sim. Mas não a eleva a uma condição de ser infalível, heroína. Jill Scott procura mostrar a mulher que é, com (o que acredita ser) qualidades e defeitos. Ela é mulher, e a experiência de ser mulher (conduzir a vida como uma, pensar como uma) já dá a artista um grande mote de histórias para compartilhar.

Além de ser uma cantora de nome consagrado na r&b, Jill Scott também já participou de alguns filmes, e nas demais horas é dona de casa. Em algumas músicas deste disco, há referências a alimentos e a forma de prepará-los. Não há como esquecer da familiaridade das temáticas de Jill Scott e Kelis, que em Food (2014) também pôde compartilhar com o público sua nova condição de dona de casa, mãe e cantora. Todo esse universo é motivo de inspiração para ambas, e para tantas outras mulheres mundo afora, que são responsáveis por administrar casas, cuidar de filhos e trabalhar.

jill scott woman 2

Analisando musicalmente Woman, pode-se dizer que não é dos discos mais inovadores da carreira de Jill Scott. Ela já conseguiu atingir patamares sonoros mais ousados em outros álbuns da carreira, como no primeiro disco, Who is Jill Scott? Words and Sounds Vol. 1 (2000) e até no último disco, The Light of The Sun (2011) quando há uma certa aproximação da cantora com o rap. Entretanto, Woman trabalha bem um equilíbrio entre a soul music e o r&b, trazendo tanto elementos retrô quanto contemporâneos para o disco.

Comparando com o Blood, álbum recém lançado pela Lianne La Havas, nota-se que Jill Scott em Woman lida melhor com a ideia de álbum-conceito. Ambas procuram transitar por estilos diferentes, mas Jill Scott consegue trabalhar com mais propriedade e categoria que Lianne La Havas. Não que esta seja menos talentosa que aquela, talvez mais inexperiente no cenário musical – algo que virá com o tempo, discos gravados, mudança de gravadora, produtores e etc.

O disco tem 57 minutos ao todo, e apresenta desde uma intro-rap (“Wild Cookie”), souls mais animados como “Coming to You” e “Run Run Run”, outras mais introspectivas e lentas como “Back Together” e “Jahraymecofasola”, em que a grande referência dela parece ser Aretha Franklin. Porém, nas músicas r&b “Prepared”, “Can’t Wait”, “Feel’s Good” Jill Scott fica mais próxima de um diálogo com Lauryn Hill. “Beautiful Love” já soa mais como uma r&b que toca na rádio, direta ao ponto e num dueto legal com BJ The Chicago Kid.

Enfim, não é dos discos mais incríveis da cantora. Ela não arriscou tanto quanto em discos anteriores, mas a habilidade vocal e a capacidade de cantar bem em estilos tão distintos torna Woman um disco interessante para ouvir, além da própria narrativa do disco, que preza pela afirmação da mulher enquanto detentora de singularidades, essência, qualidades e defeitos.

4 comentários em “Jill Scott – Woman (2015)

  1. Sugiro resenhar o disco novo de Mac de Marco,singer songwriter canadense.Ouvi e gostei muito.
    http://www.metacritic.com/music/another-one/mac-demarco

    • Sem dúvida, Marcelo! Resenhei o disco dele do ano passado, o “Salad Days” https://escutaessablog.wordpress.com/2014/06/20/mac-demarco-salad-days-2014/
      Já ouvi o disco novo, é que são mtos discos para poucos resenhistas! hehehe. valeu!

      • Bruno ,eu já tinha lido boas resenhas do Salad Days mas ainda não ouvi o disco ,fui direto nesse novo ,é um disco curto mas muito bem feito.
        Sempre estou ouvindo muitos discos ,se vcs tiverem interesse envio mais sugestões num outro espaço do blog ou por email.Tem muitos discos de 2010 pra cá que são muito bons e passam batido e esse blog pode ser muito útil pro pessoal que gosta de novidades e prefere resenhas em língua portuguesa,mesmo que não sejam discos de grupos conhecidos.

      • Sugestões são sempre mto bem vindas, Marcelo!
        Apenas ressalto que trabalhamos apenas com lançamentos e discos especiais que estão fazendo aniversário (10, 20, 30 anos).
        Esses dias mesmo, ouvi um artista sensacional que descobri, mas o último dele é de 2012 :/
        Meu contato é brunochair@yahoo.com.br, e o do Lucas é lucas.scaliza@gmail.com
        Grato!

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