2015 Pop Resenhas Rock

Grace Potter – Midnight (2015)

Cover

Ela não perde a veia roqueira, mas cai na balada (e sem os Nocturnals)

Por Lucas Scaliza

Você já viu a Grace Potter ao vivo com os Nocturnals? Seja por sua ótima voz ou pela beleza da moça, se um dia chegar a assistir uma de suas apresentações ao vivo verá que se trata de uma musicista que faz valer a pena o preço do ingresso. Ela canta, toca guitarra, agita o público, nunca perde a pose e nem o fôlego. Seus discos não são exatamente assim: bem entrincheirada no pop/rock, com algumas influências de soul e de country (com exceção do primeiro disco dela com os Nocturnals, Nothing But The Water [2005], que é muito mais folk e country), ela não faz discos cheios de intensidade e arrebatamento. Mas em cima de um palco a coisa muda de figura. Não é a toa que Grace Potter And The Nocturnals é uma banda já bem estabelecida e querida nos Estados Unidos.

Com exceção de alguns momentos em que ela resolve mostrar a extensão de sua voz ou os bons solos de seu guitarrista, geralmente a linha seguida em discos como This Is Somewhere (2007) e Grace Potter and The Nocturnals (2010) é mais equilibrado e feel good. Sem falar em The Lion The Beast The Beat (2012), o mais pop de toda a sua discografia até agora.

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Após passar uma década gravando e excursionando com os Nocturnals, Potter resolveu fazer um álbum solo, Midnight. Ela mantém a veia roqueira que lhe é característica, mas não força a barra, fazendo-o soar muito mais pop e eletrônico. Canções como “Alive Tonight” e “Your Girl” seguem muito a perspectiva de La Roux em seu Troubles in Paradise (2014). E também temos faixas poderosas, como a abertura “Hot to Touch” e a ótima “Delirious”, que termina com uma dinâmica tão alta que fica impossível não reconhecer Grace Potter em um de seus melhores momentos. “Empty Heart” é o rock soul que explode em um coral gospel, outro acerto de Grace.

Ela não cai no ultrapop e nem está migrando do rock/country para o pop, como fez a Taylor Switft em seu 1989, já que suas referências são outras. A comparação com Janis Joplin ainda é válida, mas dada a natureza de suas novas músicas, diria que há algo de Cindy Lauper em Midnight. Mas ainda há rock. Se “Look What We’ve Become” fosse mais pesada, poderíamos até achar que trata-se de uma faixa do Dead Sara. “Instigator” também é super guitarreira e animada. Em diversos momentos, a voz de Potter está mais rasgada em seu disco de sonoridade pop do que estava em todo o The Lion The Beast The Beat. Além do excelente refrão, “Biggest Fan” tem um jeitinho cativante de ser pop que faz dela outra dos melhores momentos do trabalho. Já “Low” parece que será mais experimental, depois dá uma guinada meio folk e cai em um refrão bem fácil. Talvez a faixa mais “estranha”.

Ela dá algo aos fãs do Nocturnals também. “Nobody’s Born With a Broken Heart” é uma canção que foge da estética de Midnight, mas poderia estar em qualquer outro dos registros passados da cantora. E o mesmo pode ser dito de “Let You Go”, a balada de fim de relacionamento que fecha o disco. São as duas músicas mais orgânicas e que parecem mesmo ter sido gravadas por Potter ao lado dos Nocturnals. “Miner”, a outra balada do disco, é muito mais pop, por exemplo.

Às vezes a carreira solo é uma quebra drástica com o estilo de uma banda principal. O Thom Yorke, por exemplo, deixou o rock e experimental do Radiohead para exercitar seu lado mais eletrônico e trip hop. Até mesmo Bruce Dickinson passou pelo rock clássico e grunge antes de voltar ao metal em sua carreira fora do Iron Maiden. Ou então Brandon Flowers que deixou o indie rock de escanteio para investir em pop anos 80 em voo solo. Grace Potter sozinha abre uma mesa bem ampla de possibilidades com o disco solo, mas ainda reconhecemos cada pedacinho dela. Sua música não ficou mais ou menos exigente, nem se destina para um nicho específico. Aliás, o que não falta em Midnight são canções com potencial radiofônico. Ao que parece, para qualquer lado que a loira for, vai dar certo.

spotify:album:7nTuiVjdAxPaR0KYRdUINQ

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Grace-Potter

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