2015 Metal Resenhas

Fear Factory – Genexus (2015)

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Mais técnico e ainda sci-fi, mas de novo as mesmas ideias

Por Lucas Scaliza

Com mais de 20 anos de estrada e nove discos de estúdio na bagagem (além de várias tretas entre seus membros), o Fear Factory poderia ter evadido alguns problemas de Genexus, seu novo trabalho, mais uma vez misturando death metal, metalcore, baterias eletrônicas, industrial e temáticas futuristas, tecnológicas e ficção científica. Não é um disco ruim, mas sofre com a previsibilidade. Ao chegar à metade, já sabemos quase tudo o que virá a seguir: vocal gutural para os versos e vocal limpo e melódico para os refrãos, ritmos cheio de staccato e a bateria, que é o grande destaque técnico da banda, continua alternando o uso de programações e batidas “humanas”, criadas pelo baterista Mike Heller.

Há falta de variação estrutural faz com que alguma faixas fiquem muito parecidas umas com as outras. Dino Cazares, que responde pelas guitarras e pelo baixo, cria poucos riffs ou detalhes melódicos que ajudem a dar uma cara única a cada música. Ele prefere fazer seções rítmicas que casem perfeitamente com a bateria. Também varia muito pouco o timbre de seus instrumentos, o que ajuda a homogeneizar a sensação de estarmos escutando faixas muito parecidas entre si. A bateria é excelente e é a grande responsável por muito do peso e da agressividade de Genexus. Mas só algumas faixas usam Mike Heller, já que a velocidade das batidas é muito alta e fica quase impossível para um humano executar ao vivo. E, de forma geral, as músicas com Heller no controle das baquetas são as melhores.

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“Soul Hacker” foi gravada inteira pelo baterista Deen Castronovo e é uma das melhores músicas do álbum, com batidas orgânicas e não obcecadas com velocidade e precisão extremas. Nela, Cazares até faz um belo solo.  “Protomech” segue o receituário do disco todo, mas consegue encaixar detalhes musicais que a destacam das demais. “Church of Execution” é outro bom momento em que o grupo se deixa ser um pouco mais aberto e a música pode respirar, sem precisar sufocá-la com batidas insanas. Também tem um dos melhores momentos do vocal gutural do cantor Burton C. Bell. “Battle For Utopia” é uma das mais agressivas do disco, lembra até o Cavalera Conspiracy.

Com mais de oito minutos, “Expiration Date” fecha Genexus com uma vibe mais eletrônica e menos metaleira. Burton canta limpo e com mais melodia, uma mudança que faz da faixa a mais acessível do álbum. Mas apesar de diferente para o contexto do disco, não é uma música tão criativa assim se comparada com baladas de outras bandas do metal industrial. E termina com ruídos de um sintetizador, dark vibes e barulhos dessa fábrica ou laboratório em que se ambienta o álbum. A versão deluxe contém duas faixas bônus: “Mandatory Sacrifice”, um metal remixado, e a balada “Enhanced Reality”, que é um bom acréscimo ao trabalho, seguindo a linha de “Expiration Date”, propondo mais eletrônico do que metal, dando um tempo nos riffs em staccato de Cazares e com uma bateria eletrônica mais comum.

Ao metal do Fear Factory se somam efeitos eletrônicos e teclados que ambientam o álbum em uma fábrica de alta tecnologia e cheia de robôs, o que não é incomum para trabalhos do grupo e nem para as temáticas cibernéticas e ciborgues de suas letras. Com o tempo, a banda teve vários problemas entre seus integrantes e agora é comandada por Cazares e Burton. A dupla funciona bem, mas não soa mais tão fresca quanto no início da carreira. Ouvir seus álbuns é como martelar o mesmo prego: a mesma pegada, as mesmas ideias, repisando temas e o mesmo metal pesado com sintetizador ou teclado trazendo o clima sci-fi característico do grupo.

Genexus acaba sendo um bom disco com alguns defeitos que não chegam realmente a incomodar, mas sua audição pode parecer um pouco enfadonha: apesar da qualidade de sempre, ouvir dois ou três já é suficiente para ter uma ideia da discografia inteira, sem muitas surpresas. O Fear Factory ficou mais pesado, mas a custo de se tornar muito mais técnico, perdendo a espontaneidade que existia ali nos anos 90 e que diferenciava tanto o grupo dentro do heavy metal.

spotify:album:6kbLuv57MPyS0ybeV7lKcf

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1 comentário em “Fear Factory – Genexus (2015)

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