2015 Resenhas Rock

The Dead Weather – Dodge And Burn (2015)

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Mais uma dose de rock alternativo e poderoso

Por Lucas Scaliza

Mesmo sem o compromisso de excursionar com o novo disco, o The Dead Weather se reuniu e fez um baita disco novo. Melhor que Sea Of Cowards (2010) e tão poderoso quanto as bandas oficiais de cada um. Alison Mosshart (The Kills) está ótima no vocal, Dean Fertita (Queens of the Stone Age) está mandando ver na guitarra, com riffs à Jack White. Jack Lawrence (The Greenhornes, The Raconteurs e City and Colour) comanda o baixo com o jeitão de sempre, segurando todo mundo junto. E Jack White (ex-White Stripes) assume as baquetas mais uma vez para dar um show a parte. Dodge And Burn é uma pedida para quem é fã de todos esses caras e de um rock sujinho com um gosto de underground.

Uma das virtudes do The Dead Weather é ser um supergrupo de músicos que já estão acostumados a gravar e fazer turnês, então experiência é o que não falta a eles. Há ainda um senso de liberdade criativa e relativa experimentação, já que podem se dar ao luxo de mudar de instrumentos, como Jack White que troca a guitarra para se concentrar na bateria e Dean Fertita, que assume uma guitarra nervosa (mas são dele ainda os sintetizadores e pianos do álbum). Há faixas, porém, em que White volta às seis cordas e o baixista Lawrence assume a bateria. Ah, e sim: Alison também toca guitarra e sintetizadores quando necessário. Com um time multitarefa como este, pouco coisa poderia dar errado.

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Embora ainda seja uma banda de rock básico e de músicas curtas e diretas, eles estão mais soltos dessa vez. “Three Dollar Hat” é quase um experimento, alternando entre uma música que poderia facilmente ser trilha de True Detective, com White nos vocais, e uma porrada insana com Mosshart no comando. “Lose The Right” é uma composição que, se depender do riff inicial e do ritmo da bateria, reconheceríamos como parte do disco de Jack White. Já o poderoso single “I Feel Love (Every Million Miles)” é uma faixa com tudo o que se espera do Dead Weather. Fuzz na guitarra, refrão incrível e energia de sobra. Em “Rough Detective”, baixo e guitarra seguram a onda enquanto White e Mossshart fazem um dueto surtado e a bateria fica livre para atacar e emergir para o primeiro plano. “Buzzkill(er)” poderia ser outro single do disco facilmente, com uma pegada bem parecida com o que a banda já apresentou nos dois álbuns anteriores. “Let Me Through” é uma das minhas preferidas, sobretudo por conta de sua barulhenta última parte, todo mundo bem à vontade tocando junto e fazendo rock sem precisar agradar a ninguém que já não goste de algo um pouco estranho.

Embora algumas músicas já estivessem prontas há mais tempo e até foram liberadas em embalagens especiais pela Third Man Records, a gravadora de Jack White, o grupo foi se reunindo entre julho de 2014 e julho de 2015 para gravarem conforme suas agendas permitiam. Mas se juntar todos os dias em que passaram juntos no estúdio em Nashville fazendo várias jam sessions, contabiliza mais ou menos um mês de trabalho. É uma forma de não pensar muito e nem superproduzir demais cada composição, mantendo a energia e, de certa forma, a crueza original.

Não é um disco de baladas, por isso a única que poderia ser categorizada assim é a última, “Impossible Winner”. Mosshart assume uma persona muito diferente para cantar essa, com voz mais limpa, melodia mais planejada. Fertita deixa a guitarra e se concentra no piano e há até violinos. É a faixa que destoa do conjunto, mas não digo isso de modo negativo. A agressividade de canções como “Open Up” ou o underground de “Be Still” e “Cop And Go” fazem de Dodge And Burn um disco que pode não descer tão fluidamente logo de primeira. Mas se descer, ou quando acostumar com ele, vira um grande cartão de visitas para as bandas principais de cada um dos integrantes (embora acredite que 90% de quem vá ouvi-lo já é fã de White & Cia.).

Dodge And Burn é divertido, é barulhento e tem alguns laivos de experimentação que marcam o terreno: é um supergrupo de músicos que são amigos e também se divertem com essa música que não irá para os palcos, mas ainda assim, tem que valer a pena artisticamente.

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6 comentários em “The Dead Weather – Dodge And Burn (2015)

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  2. Mermão, aquele Mile Markers é porreta. Mas vc não mencionou aí, não sei se é desse album?

    Ps: Jack lawrence com seis dedos hehe

    • Fala, João. Mile Markers foi divulgada antes do lançamento do disco, mas não chegou a entrar no “Dodge & Burn”.

      • Pou, mas tá lá. Agora vendo os três albuns, o Horeround foi o melhor por ser mais cru e direto. Dodge and Burn é excelente, porém um tanto com jeitão de comercial. Do sea, eu achei as melhores o Blue Blood Blues e Old Mary e só. Daí assisti o showzão em Glanstonbury e olhei de novo para Die by the drop, no horse, hustlle and cuss, the diference between us, músicas incríveis que ficaram ainda melhor ao vivo.

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