2015 Resenhas Rock

Graveyard – Innocence & Decadence (2015)

graveyard - innocence & decadence

Quarto álbum da banda traz o stoner rock costumeiro, com alguns respiros.

por brunochair

Se você estivesse em uma loja de discos na década de 70, provavelmente ficaria interessado por essa capa. Consequentemente, teria interesse em descobrir quem são esses caras aí, do Graveyard. Se está na seção de rock, será que é tipo Black Sabbath ou Led Zeppelin? Psicodélico? Progressivo? Afinal, qual é a desses caras? E daí você descobriria que são do hard rock, e que são suecos. E, depois, descobriria que o disco veio do futuro, do ano de 2015. E aí pensaria que tá variando, que fumou cocô ou bateu com a cabeça na parede. Afinal, que doideira é essa?

Mas sim, o disco é realmente de 2015. E a banda é, sim, sueca. E o mais engraçado é que, mesmo sendo um disco de 2015, ele soa como um disco de fins da década de 60/começo da década de 70. Traz como referência o hard rock das bandas acima citadas, mesclado com a psicodelia comum à época. Nos últimos tempos, bandas que se propõem a resgatar essa sonoridade antiga relacionada ao hard rock, rock psicodélico e acid rock são denominadas como stoner rock. E o Graveyard surge como uma das bandas protagonistas deste estilo específico, em conjunto com Blues Pills, Radio Moscow, Horisont e (um pouco mais “pop” que as demais), Wolfmother.

Innocence & Decadence é a quarta tentativa do Graveyard de se aproximar daquela sonoridade rock’n roll de tempos remotos. E não só se aproxima, como nos faz pensar que estamos lá. E a banda consegue ser fiel ao seu legado, o de preservar essa sonoridade retrô. No disco de estreia, Graveyard, o grupo alcançou o seu melhor feito até agora: além do hard rock e da psicodelia, o disco possuía passagens inspiradas que nos remetiam também ao rock progressivo. Também não podemos deixar de ressaltar que, em 2007, o disco era novidade, conseguia potencializar o stoner rock produzido pelo Wolfmother de 2005.

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O segundo e o terceiro discos do Graveyard, Hisingen Blues (2011) e Lights Out (2012) mantiveram o bom nível no hard e na psicodelia, sem o ingrediente do progressivo. Em compensação, vieram algumas passagens de músicas mais lentas, o que não existia no disco de estreia. Por fim, para o público que acompanha a banda desde o princípio, não há a sensação de que a banda “piorou” do primeiro para os seguintes discos, pelo contrário: apenas priorizou a intencionalidade de ser stoner rock em detrimento de ser experimental.

Lights Out (2012), por sua vez, não possui a mesma criatividade em arranjos e composições dos primeiros dois discos, e fica um pouco abaixo. Em Innocence & Decadence há uma retomada criativa bastante significativa, o que anima os ouvintes de primeira, segunda, terceira ou quarta viagens. Segue o mesmo peso dos últimos dois discos, mas dá ao direito de experimentar um pouco mais que eles.

A consequência disso são músicas que podem ser consideradas até “baladinha”, em relação a tudo o que a banda já produziu. “Far Too Close” segue essa tendência, com riffs de guitarra bem mais moderados. “The Apple & The Tree” nos faz lembrar o Cream dos anos 60, com um pouco mais de peso. “From a Hole in the Wall” faz uma alusão a “Empty Spaces” do Pink Floyd lá pelo meio da música. E não é a primeira vez que o Graveyard de certa forma faz uma referência ao lendário grupo de rock progressivo inglês: há uma música de Hisingen Blues que chama “Unconfortably Numb”. Se o prog não anda não anda tão aceso nos últimos discos do Graveyard, as referências sim.

Mas a grande surpresa do disco é a canção “Too Much Is Not Enough”, que nos aproxima tanto de Joe Cocker quanto do Black Keys, sobretudo nas músicas finais do álbum Brothers, de 2010. E por ser a novidade, pode ser considerado o ponto alto do disco, ainda que as outras canções satisfaçam ao gosto do ouvinte do stoner rock. Enfim, Innocence & Decadence supera em qualidade técnica o disco anterior da banda, mas mantém a mesma pegada e a intenção de soar tão próximo de uma banda de hard rock setentista. Se você encontrar esse disco numa loja de vinis no começo da década de 70, pode levar. O Escuta Essa! garante a mercadoria.

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5 comentários em “Graveyard – Innocence & Decadence (2015)

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