2015 Pop Resenhas

Selena Gomez – Revival (2015)

Cover

Selena joga o EDM e pela janela e faz um disco pop mais maduro e menos ansioso

Por Lucas Scaliza

Revival tem um bom nome para indicar a nova fase da carreira de Selena Gomez. Além de vir carregada do significado de reavivamento e volta, também pontua uma mudança, uma espécie de recomeço. A carreira dela nunca foi encerrada, teve apenas uma curta pausa de dois anos, período em que terminou o namoro com Justin Bieber, rompeu a amizade com Demi Lovato e passou um tempinho na rehab. As recentes declarações da cantora sobre tentar ser mais autêntica com seus sentimentos e se posicionar como uma garota mais crescidinha indicam mesmo uma mudança de atitude que pode ser sentida ao longo de todo Revival.

Selena já vinha se desenvolvendo como artista desde Stars Dance (2013), seu primeiro disco solo que marcou a separação do The Scene, mas mesmo nesse trabalho ela exibia um pop para pistas e festas, bastante jovem e sem qualquer assinatura musical que fosse destacadamente sua. Bastante despido de personalidade, Stars Dance era mais um pop comercial embalado pelo hit “Come & Get It”. Agora ela se despe de roupas na capa da versão deluxe do novo trabalho e se cobre com um pouco mais de personalidade no conteúdo.

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Mais livre e muito menos ansiosa dessa vez, ela mostra que subiu mais um degrau na escalada da maturidade musical escolhendo composições menos apressadas e menos desesperadas para “fazer as pistas”. “Revival”, que abre o disco, funciona como um manifesto de sua nova atitude (“Renasço a cada momento, ninguém sabe no que vou me transformar”, ela recita, pontuando o momento da vida e da carreira). Batidas criativas e produção caprichada, nada parecida com qualquer coisa que havia em seu disco anterior. “Hands to Myself” segue a mesma tendência: alterna sussurros com a voz livre e, embora tenha um ritmo bastante fácil de seguir, vai precisar de um remix para servir para os DJs. Mas isso é algo positivo: quer dizer que ela está mais preocupada em fazer a composição soar de uma forma original e não feita sob medida para as boates.

É com um riff de piano e dedos estralando que a moça introduz “Same Old Love”, um single que é paciente e propõe um desenvolvimento mais clean, com menos saturação de sons e instrumentos. A melodia do refrão é rápida e exuberante e não vai demorar para ganhar bate-estaca e uma versão EDM, mas Selena e seus produtores tomam a decisão de entregar algo diferente do previsível. No clipe de “Good For You”, Selena Gomez leva bem a sério a ideia de ser sexy sem ser vulgar e marca seu lugar como adulta, consciente do seu corpo e poder de sedução. Um single que não é romântico, mas sim uma música pop viajante de sensações, cheia de camadas melífluas que acompanham seu vocal suave como seda. Ah, e a participação de A$AP Rocky na versão do álbum funciona direitinho e não rouba a cena da cantora.

O eletropop de “Kill Em With Kindness” investe numa linha mais próxima da Ellie Goulding, com um piano demarcando as mudanças de acorde e uma batida bastante jovem e fácil de acompanhar. “Sober” e “Survivors” são technos mais pesados e diretos. Chama a atenção que Revival não use em momento nenhum os flertes com o rap/hip hop que pontuavam diversos refrãos, pausas e pontes de Stars Dance. É um disco de pop bem corretinho, sem riscos, mas há essa ruptura com os modismos de Los Angeles e Miami.

“Camouflage” é a primeira balada romântica do disco e cumpre bem seu papel. Não tem nenhum tipo de percussão, apenas um piano onipresente e um teclado criando uma leve cama orquestral para trazer um pouco mais de calor ao refrão. A letra não se derrete por ninguém; na verdade, é sobre uma garota que aceita o fim do relacionamento, mesmo que ainda exista uma pontinha de carinho. A fácil “Me & The Rhythm” é excelente. Tem groove e um baixo que praticamente pede para você mexer os pés. Assim como as outras faixas mais animadas de Revival, trata-se de uma música que não cai no ultrapop, confirmando que o disco foi feito seguindo uma diretriz muito mais preocupada com a composição, afastando a ansiedade de Stars Dance que fazia todas as faixas gritarem por atenção. “Body Heat” tem o único vislumbre de música latina do disco, seguindo uma linha mais próxima da Shakira, com múltiplas vozes e ênfase na percussão.

A versão deluxe target do disco com mais cinco faixas bônus. “Me & My Girls” não segue a diretriz de Revival e tem peso dance e pressa, sendo uma antítese de todo o Honeymoon da Lana Del Rey. “Nobody” é outra baladinha lenta e “Perfect” poderia ter feito parte da seleção oficial do trabalho sem problemas, com características bastante próprias que enriquecem o repertório. “Outta My Hand (Loco)” é animada e não faz feio, mas longe de estar entre as melhores da nova safra da moça. “Cologne” fecha o disco expandido bem, mas fica aquele sabor de repeteco do que o restante do álbum já mostrou. “Rise”, que fecha a seleção principal do repertório, ainda apresentava nuances diferenciadas do trabalho.

Das 11 faixas de Revival (descontando as músicas bônus), fica a certeza de que desta vez houve preocupação de fazer um álbum realmente, onde cada música é um capítulo de um universo maior, propondo experiências diversas ao ouvinte, ainda que tudo faça parte de um contexto pop bem palatável. No entanto, não é de Selena Gomez que devemos esperar experimentalismos. Cabe dizer, assim, que Revival é um bom disco de pop, o melhor dela até aqui.

Das 16 faixas, o nome da cantora aparece em 10 delas como compositora, sempre dividindo os créditos com um time de 21 outros compositores. Na produção, os nomes mais citados são o de Rock Mafia (duo composto por Tim James e Antonina Armato, responsáveis por músicas de gente como Miley Cyrus, Demi Lovato, Justin Bieber, No Doubt, Ellie Goulding, entre outros), Hit-Boy (especializado em hip hop, tendo trabalhado com Jay-Z, Eminem, Kanye West e Lil Wayne) e o duo norueguês Stargate (formado por Tor Erik Hermansen e Mikkel Storleer Eriksen que, muito ativos no dance e R&B, já trabalharam com grandes nomes como Michael Jackson, Beyoncé, Rihanna e Ne-Yo).

Ou seja, bem ladeada ela estava e procurou fazer um disco pop relevante para si mesma, não apenas para o mercado fonográfico. Nas várias últimas entrevistas que Selena concedeu, o assunto de sua volta ou não com Bieber é uma constante, muito mais do que sua música ou dos filmes em que atua. Houve sempre mais espaço para a fofoca do que para a arte. Revival pode colocar as coisas nos trilhos, se ser reconhecida como uma cantora realmente for seu foco.

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7 comentários em “Selena Gomez – Revival (2015)

  1. Ótimo álbum! O melhor dela sem dúvida, mas podia ser mt melhor. Revival poderia ser um álbum marcante por mt tempo, mas não vai ser, porque é mt fraco.. Mas enfim é mt bom l, um dos melhores álbuns pop do ano mas ainda não tirou o E.MO.TION de ser o melhor álbum pop do ano.

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