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City and Colour – If I Should Go Before You (2015)

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Quinto álbum de City and Colour representa a mudança para uma sonoridade mais indie rock

por brunochair

Uma cidade, uma cor. Dallas Green é o artista que dá nome ao projeto de City and Colour, extraído do seu próprio nome de batismo. Não sei se a cor preferida de Dallas Green é o verde, mas não: ele não nasceu em Dallas. Ele é canadense, e conseguiu projeção no cenário musical com a também banda de post-hardcore Alexisonfire. O grupo está ativa desde 2001 (passou por um hiato, mas anunciou seu retorno em 2015), e faz um som completamente diferente do que Dallas Green vem desenvolvendo no City and Colour.

Com  If I Should Go Before You, City and Colour chegou ao quinto disco da carreira. O primeiro disco, chamado Sometimes (2005) oferecia um artista orgânico, próximo da folk music. Parecia ser a vontade de Dallas Green de respirar, fazer uma música que não estivesse tanto no post, como está o Alexisonfire. Era algo mais simples, um outro tipo de vazão artística que ele não poderia praticar na sua banda.

Durante os três discos seguintes, o City and Colour foi tomando outros rumos que não somente a folk music do primeiro disco. Como projeto solo, comprometido com ele e somente ele, as experimentações foram surgindo e Dallas Green foi-se deixando levar. Alguns elementos elétricos ganharam espaço e foram dividindo o protagonismo do violão, mas sempre mantendo aquela característica pontinha de melancolia.

Mas a guinada em relação a linguagem estética-musical ocorreu mesmo nesse quinto disco, If I Should Go Before You. Este disco novo tem uma temática mais voltada ao indie rock, muito mais urbano e dotado até de uma certa névoa londrina, algo que nunca havia aparecido. Aliás, esta mudança significativa da sonoridade do City and Colour nos faz compará-lo ao que o Mumford & Sons experimentou com o terceiro disco, Wilder Mind. Ambos saíram de uma pegada mais simples, orgânica e até selvagem para desenvolver algo mais urbano e experimental.

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If I Should Go Before You começa logo com a canção mais “complexa” e experimental do disco, chamada “Woman”. Essa música possui mais de nove minutos de duração. Além do tamanho, alguns pontos causam uma certa estranheza no ouvinte, algo que não é comum ao disco, que é em boa parte palatável. A tática de começar o disco logo com uma música experimental parece ser estranha, mas o Night Beds também usou deste artifício no ótimo Ivywild, com a música “Finished”. É uma forma de mostrar aos ouvintes que o disco será diferente, não esperem o corriqueiro ou a facilidade. Mas, ainda assim, persevere.

Quem perseverou a partir da primeira música, ouviu um disco ainda experimental, mas com um toque bem mais comercial. “Northern Blues” tem um quê de Death Cab For Cutie, em seus melhores momentos. “Mizzy C” é uma das músicas mais pop/rock do disco, enquanto a canção que dá nome ao disco “If I Should Go Before You” trafega muito mais por um blues rock arrastadinho. A partir desta quarta música, o disco vai ganhando um ar mais despojado que o princípio, que é um tanto “carregado”. Prova disso é a baladinha “Killing Time”, que é a canção preferida deste resenhista que vos digita.

Depois disso temos um rock agressivo para os termos do City And Colour, “Wasted Love”, que acaba por ser um soft rock (o hardcore ficou no Alexisonfire, mesmo). “Runaway” traz uma pegada mais country rock. Após, temos mais uma baladinha (“Lover Come Back”), uma cute-music-retrô (“Map of the World”). “Friends” é outra música com resquícios do country, e é outra música muito interessante do disco. Por fim, a melancólica e orgânica “Blood”, pra mostrar que nem tudo é assim tão urbano, tão complexo, tão experimental.

City and Colour entra para a lista de discos interessantes de 2015. Propôs uma nova estética/linguagem musical, ofereceu ao ouvinte variadas possibilidades de fruição, a partir de If I Should Go Before You. De sua discografia, é o disco que consegue ir mais além, por ser mais pretensioso. Mas nem sempre pretensão quer dizer qualidade, não é mesmo? Neste caso, sim: as mudanças foram válidas.

Vale a pena conhecer.

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